A Passagem Noroeste de Tamara Klink não é a nova viagem que ela iniciou em 2026. A travessia histórica foi concluída em 2025: a navegadora percorreu cerca de 6.500 quilômetros sozinha no Sardinha 2, da Groenlândia ao Alasca, atravessando o Oceano Ártico. Foram aproximadamente 60 dias no mar, numa rota marcada por gelo à deriva, águas pouco cartografadas, correntes, sono fragmentado e encontros com ursos-polares.
Para mim, o aspecto mais impressionante dessa história está numa contradição: Tamara se preparou para enfrentar muito gelo, mas encontrou menos do que esperava. E isso transforma a viagem em algo maior do que um feito de navegação. Para conhecer o caminho que levou até ali, vale começar pela trajetória de Tamara Klink.
Continue esta história em livros
Bom dia, inverno é hoje a aproximação mais direta com a experiência de Tamara no Ártico. O livro não relata a Passagem Noroeste: ele acompanha a invernagem anterior, quando a navegadora viveu durante oito meses num veleiro preso ao mar congelado da Groenlândia.
- Livros sobre veleiros e travessias oceânicas: para continuar por outros relatos de navegação.
- Livros sobre expedições polares: para ampliar o contexto do Ártico e da Antártica.
- Tamara e Amyr Klink nos extremos do planeta: para colocar lado a lado duas experiências polares da família.
Transparência: o Editora Mediação pode receber comissão pelos links de afiliado, sem custo adicional para você. As recomendações consideram informações editoriais, formatos anunciados e disponibilidade comercial. Confira capa, editora, vendedor, preço e estoque antes da compra.
Tamara Klink já concluiu a Passagem Noroeste?
Sim. Tamara Klink concluiu a Passagem Noroeste em 2025, navegando sozinha da Groenlândia ao Alasca pelo Oceano Ártico. A travessia aconteceu no Sardinha 2, o veleiro de aço que ela já havia usado em sua experiência de invernagem na Groenlândia.
A distância registrada para a viagem é de cerca de 6.500 quilômetros. Ao final, Tamara se tornou a mulher mais jovem e a primeira pessoa da América Latina a completar em solitário essa rota pelo Ártico.
A rota do Atlântico ao Pacífico pelo norte da América
A Passagem Noroeste liga os oceanos Atlântico e Pacífico pelo extremo norte da América do Norte. Durante boa parte de sua história, navegar por ali significava enfrentar extensas áreas cobertas por gelo e longas esperas por uma abertura possível.
Foi justamente essa história que pesou na preparação de Tamara. Em entrevistas posteriores, ela contou que muitos dos relatos que conhecia eram de naufrágios, desaparecimentos e expedições interrompidas pelo gelo.
45 dias na passagem e cerca de 60 dias até chegar a um porto
Há dois números que podem parecer contraditórios quando Tamara descreve a duração da viagem, mas eles se referem a momentos diferentes. Ela explica que foram aproximadamente 45 dias entre os círculos polares do lado atlântico e do lado pacífico.
Ao cruzar a linha que marcava o fim dessa etapa, porém, ela ainda estava no mar. Foi necessário navegar por mais cerca de 15 dias até alcançar um porto. Por isso, a viagem completa ficou em torno de 60 dias.
Por que a Passagem Noroeste era uma travessia tão difícil?
O desafio não estava apenas no gelo. Tamara precisava administrar meteorologia instável, correntes, ventos, áreas remotas, cartografia incompleta, cansaço acumulado e a impossibilidade de dividir decisões com outra pessoa a bordo.
Em solitário, não existe outra pessoa de vigia enquanto a navegadora dorme, ninguém para assumir uma manobra quando ela está exausta e ninguém para executar uma segunda tarefa durante uma emergência.
Os relatos de naufrágios e navegadores desaparecidos
Antes de partir, Tamara conhecia histórias bastante duras da região. Ela relata ter ouvido de navegadores que aquela havia sido a navegação mais difícil de suas vidas. Em vez de eliminar seu interesse, isso aumentou a necessidade de preparação.
Por que Tamara manteve o projeto em segredo
Um detalhe importante foi a decisão de falar pouco sobre o plano antes de completá-lo. Tamara explicou que preferia compartilhar a intenção apenas com quem pudesse contribuir efetivamente para a preparação.
O motivo era prático: ela não queria transformar uma expectativa pública em pressão para continuar navegando caso as condições recomendassem desistir. Concluir a rota era o objetivo, mas não a qualquer custo.
O medo como ferramenta de segurança
Tamara diz que seu medo mudou ao longo dos anos. No início, boa parte vinha de situações desconhecidas e perigos imaginados. Com a experiência, passou a funcionar como um sistema de alerta.
Uma mudança no movimento do barco, uma formação de nuvens diferente ou uma sensação de que algo não estava normal podiam ser motivos para conferir novamente equipamentos e rota. A formulação é importante: chegar inteira não significava ter deixado de sentir medo, mas ter aprendido a usá-lo.
Como Tamara Klink atravessou a Passagem Noroeste sozinha?
A rotina dependia de protocolos. Como não havia outra pessoa para vigiar o barco, Tamara precisava dividir o sono, verificar repetidamente equipamentos e se obrigar a executar tarefas básicas mesmo quando estava cansada.
Sono em ciclos de 20 minutos
Durante trechos da navegação, ela dormia em períodos curtos, muitas vezes de cerca de 20 minutos. O objetivo era acordar regularmente para conferir a posição do barco, o tráfego, as velas, o vento e possíveis obstáculos.
Tamara já conhecia o preço dessa estratégia. Ela relata perda de memória, dificuldade de concentração e risco de alucinações visuais ou auditivas quando a privação de sono se acumula. Em viagens anteriores, chegou a imaginar árvores no mar ou acreditar que outra pessoa estava a bordo.
Protocolos para decidir mesmo exausta
Para reduzir esse risco, ela descreve uma rotina composta por pequenas obrigações repetidas: acordar quando o despertador toca, prender-se ao barco ao sair, conferir velas e equipamentos, revisar o motor e manter horários mínimos para alimentação.
A lógica é simples: quando o cansaço compromete o julgamento, a decisão não pode depender apenas da vontade daquele momento. O protocolo já decidiu antes.
Cartas náuticas que já não correspondem à paisagem
Outra dificuldade aparece na própria cartografia. Tamara relata lugares em que cartas antigas registravam terra onde hoje existe água, porque áreas anteriormente ocupadas por geleiras mudaram com o recuo do gelo.
Navegar pela região exige, portanto, cruzar os instrumentos com aquilo que está diante do barco e aceitar que uma informação impressa ou exibida numa tela não elimina a necessidade de observar o mundo real.
O encontro de Tamara Klink com os ursos-polares
Os ursos-polares foram um risco concreto durante a travessia. Tamara encontrou mais de um animal e precisou aplicar conhecimentos que havia buscado com moradores e caçadores do Ártico.
Como ela aprendeu a observar o comportamento dos ursos
Durante a preparação e a permanência no Ártico, Tamara ouviu orientações de pessoas habituadas à presença desses animais. Entre elas estava observar condição física e comportamento antes de decidir como reagir.
Para ela, esse conhecimento local era importante porque substituía uma imagem abstrata do perigo por sinais concretos que podiam ser observados.
A noite em que um urso começou a subir no Sardinha 2
O episódio mais tenso aconteceu durante uma parada em que havia outros barcos esperando condições melhores para atravessar um trecho complicado. Tamara dormia quando tripulantes de uma embarcação próxima perceberam um urso.
Crianças daquele barco haviam improvisado um pequeno alarme. O animal seguiu até o Sardinha 2 e começou a usar a plataforma traseira, normalmente útil para entrar e sair da água, para subir na embarcação.
Como o motor ajudou a afastar o animal
Sem poder simplesmente sair do barco, Tamara procurou uma maneira de produzir barulho de dentro da cabine. Ela conseguiu ligar e acelerar o motor, e o ruído assustou o urso, que deixou a embarcação e nadou para longe.
O que mais impressionou Tamara Klink na Passagem Noroeste?
Não foi a quantidade de gelo, mas a ausência dele. Tamara conta que esperava encontrar gelo marinho em pelo menos 30% do percurso. Segundo seu próprio relato, encontrou gelo em apenas 9% da rota.
Ela esperava gelo em 30% da rota e encontrou apenas 9%
Tamara partiu preparada para uma passagem em que o gelo seria um dos principais obstáculos. Além disso, estava entre os primeiros barcos daquela temporada a avançar pela região, próxima da fronteira sazonal do gelo. Mesmo assim, a presença foi muito menor do que ela imaginava.
A diferença ganha peso quando comparada aos relatos que formaram sua referência de navegação: expedições obrigadas a esperar uma abertura, embarcações presas durante meses e viagens que precisavam continuar no verão seguinte.
Quase 80% do percurso com a vela de bom tempo
Outro detalhe relatado por Tamara ajuda a visualizar a mudança. Ela diz ter feito quase 80% do percurso usando o spinnaker, a grande vela de bom tempo utilizada quando as condições são favoráveis.
Isso não significa que a viagem tenha sido simples. Correntes, ventos, águas remotas e gelo à deriva continuavam presentes. Mas o cenário encontrado estava longe da imagem de uma passagem constantemente bloqueada por uma massa branca.
O contraste com os navegadores de outras épocas
Esse contraste aparece também numa comparação familiar. Tamara lembra que Amyr Klink encontrou, décadas antes, regiões do Ártico às quais não conseguia avançar por causa da quantidade de gelo. Hoje, segundo o relato dela, encontrar gelo nesses mesmos arredores pode ser muito mais difícil.
Se você quiser seguir por esse paralelo entre gerações, há uma página específica sobre Tamara e Amyr Klink no Ártico e na Antártica.
O que a Passagem Noroeste mostrou sobre as mudanças no Ártico?
Para Tamara, a travessia também se tornou um testemunho das transformações do gelo. Ela relaciona aquilo que viu às mudanças climáticas e passou a dar ainda mais espaço ao tema depois de retornar.
Lugares antes bloqueados que hoje têm mar aberto
A diferença entre os relatos antigos e a experiência atual aparece repetidamente nas entrevistas. Trechos descritos por navegadores anteriores como grandes extensões de gelo surgiram para Tamara como mar aberto.
Ela também conta ter visto crianças nadando durante paradas da passagem — uma imagem difícil de conciliar com descrições de viagens realizadas no mesmo período do ano por navegadores de décadas anteriores.
Geleiras que desapareceram das cartas náuticas
A mudança não está apenas na superfície do mar. Quando uma geleira que antes avançava sobre determinada área recua, a própria linha percebida da costa muda. É por isso que Tamara descreve situações em que o barco está navegando sobre água enquanto a carta ainda mostra terra naquele ponto.
Para ampliar esse contexto histórico e geográfico, eu continuaria também pelos livros sobre expedições polares.
Por que Tamara relaciona o Ártico ao clima no Brasil
Tamara insiste em suas entrevistas que o que acontece no Ártico não deve ser entendido como um problema isolado de quem vive perto do polo. Ela relaciona o recuo do gelo às mudanças de circulação de calor e a efeitos climáticos que ultrapassam a região.
O ponto central do relato, porém, pode ser mantido sem exagero: a travessia que deveria ser marcada pelo encontro constante com o gelo acabou marcada pela percepção de sua ausência.
A Passagem Noroeste é diferente da invernagem de Bom dia, inverno
Sim. São duas viagens diferentes. Essa distinção é importante porque Bom dia, inverno chegou às livrarias em 2026 e pode levar muita gente a associar automaticamente qualquer relato ártico recente de Tamara ao livro.
A obra é sobre a experiência anterior: durante oito meses, Tamara viveu sozinha no Sardinha 2, preso ao mar congelado num fiorde da Groenlândia. Na Passagem Noroeste, a lógica foi outra: ela precisava avançar pela rota entre Atlântico e Pacífico.
Oito meses presa no gelo e 60 dias atravessando o Ártico
Na invernagem, o gelo era aquilo que imobilizava o barco. Tamara precisava observar sua formação, sobreviver ao inverno e aprender a viver num lugar onde o mar havia se tornado uma superfície sólida.
Na Passagem Noroeste, ela precisava justamente encontrar uma janela navegável para atravessar uma região historicamente bloqueada pelo gelo. São experiências complementares, mas não intercambiáveis.
Como a Groenlândia preparou Tamara para novos riscos
A invernagem deu a Tamara experiência concreta no Ártico. Ela já havia convivido com temperaturas extremas, aprendido com moradores da Groenlândia, observado diferentes tipos de gelo e utilizado o Sardinha 2 durante um longo período.
Para quem prefere seguir pela tradição dos relatos de navegação, eu indicaria também os livros sobre veleiros e travessias oceânicas.
Tamara Klink já partiu para outra viagem?
Sim. Em julho de 2026, Tamara deixou o Alasca para uma nova navegação solo em direção ao Atlântico. É justamente aqui que pode nascer a confusão com a Passagem Noroeste.
Essa viagem parte de um ponto associado ao final da travessia anterior, mas não deve ser apresentada como uma nova Passagem Noroeste.
No Provoca, ela já dizia que estava prestes a partir
Antes de a nova viagem se tornar pública, Tamara participou do Provoca e contou que estava prestes a partir novamente. O destino, porém, permaneceu em segredo durante a entrevista.
A resposta combinava com uma estratégia que ela já havia adotado na Passagem Noroeste: não transformar uma rota ainda em andamento numa promessa pública da qual seria difícil recuar.
Por que a viagem de 2026 não deve ser chamada de nova Passagem Noroeste
O que está confirmado sobre a partida de 2026 é uma nova travessia solo iniciada no Alasca, com direção ao Atlântico. Isso é suficiente para separar as duas histórias, mas não para preencher com suposições cada etapa da rota.
A Passagem Noroeste permanece como o projeto concluído em 2025, entre a Groenlândia e o Alasca.
Qual livro continuar depois da Passagem Noroeste?
Ainda não há um livro publicado especificamente sobre a Passagem Noroeste de Tamara Klink. A própria navegadora já mencionou o projeto de transformar essa experiência em livro e documentário.
Enquanto esse relato específico não chega ao público, eu separaria as leituras em dois caminhos: a experiência de Tamara no Ártico e livros que ampliam o contexto das travessias oceânicas e polares.
Bom dia, inverno: a experiência anterior de Tamara no Ártico
Bom dia, inverno é o título mais próximo desse universo hoje, desde que a diferença de viagem fique clara. Publicado pela Companhia das Letras em 2026, o livro tem 256 páginas e acompanha a experiência de oito meses no mar congelado da Groenlândia.
Eu consideraria esta edição para quem chegou até Tamara pelo interesse no Ártico, na solidão, na relação com o gelo e na preparação de uma viagem extrema. Para quem procura especificamente o relato da Passagem Noroeste, é melhor saber antes da compra que não é essa a viagem narrada.
Perguntas frequentes
O que é a Passagem Noroeste?
A Passagem Noroeste é uma rota marítima que liga os oceanos Atlântico e Pacífico pelo norte da América do Norte, atravessando águas do Ártico. Historicamente, o gelo tornou a navegação pela região extremamente difícil e, em determinados períodos, impossível.
Tamara Klink atravessou a Passagem Noroeste sozinha?
Sim. Tamara fez a travessia em solitário no Sardinha 2 em 2025, saindo da Groenlândia e chegando ao Alasca.
Quanto tempo durou a travessia?
Tamara descreve aproximadamente 45 dias entre os círculos polares relacionados à passagem e mais cerca de 15 dias de navegação até alcançar um porto. A viagem completa ficou em torno de 60 dias.
Qual barco Tamara Klink usou?
Ela navegou no Sardinha 2, seu veleiro de aço. É o mesmo barco que havia sido preparado para a invernagem anterior no Ártico.
Tamara Klink encontrou ursos-polares?
Sim. Ela encontrou diferentes ursos durante a viagem. Em um dos episódios mais tensos, um urso começou a subir pela plataforma traseira do Sardinha 2 durante a noite e foi afastado com o barulho do motor.
Quanto gelo ela encontrou durante a viagem?
Tamara afirma que esperava encontrar gelo em pelo menos 30% da rota, mas encontrou gelo em apenas 9% do percurso. Para ela, essa foi uma das imagens mais marcantes da travessia.
Bom dia, inverno conta a história da Passagem Noroeste?
Não. Bom dia, inverno trata da experiência anterior de Tamara, quando viveu oito meses sozinha num veleiro preso ao mar congelado da Groenlândia. A Passagem Noroeste aconteceu depois.
A nova viagem de Tamara Klink em 2026 é outra Passagem Noroeste?
Não há base para chamar a nova viagem de outra Passagem Noroeste. O que está confirmado é que Tamara iniciou em 2026 uma nova navegação solo a partir do Alasca, em direção ao Atlântico.
Tamara Klink já lançou um livro sobre a Passagem Noroeste?
Ainda não. Há um projeto de livro e documentário sobre a travessia, mas Bom dia, inverno, já publicado, corresponde à invernagem anterior no Ártico.
O que a Passagem Noroeste representa na trajetória de Tamara Klink
A Passagem Noroeste reúne boa parte das questões que aparecem na trajetória de Tamara Klink: preparação, solidão, vulnerabilidade, medo, conhecimento transmitido por outros navegadores e atenção às transformações do Ártico.
Mas eu não reduziria essa viagem a um recorde. A imagem que permanece é justamente a que contradiz o imaginário da rota: uma navegadora que partiu preparada para enfrentar uma enorme quantidade de gelo e voltou falando, sobretudo, sobre quanto gelo não encontrou.
Para seguir por esse fio, Bom dia, inverno ajuda a entender a experiência ártica imediatamente anterior. Para ampliar além de Tamara, os relatos de expedições polares e os livros sobre veleiros e travessias oceânicas oferecem caminhos naturais de continuação.