Por que Tamara Klink levou três anos para escrever Bom dia, inverno?

Tamara Klink levou três anos para escrever Bom dia, inverno porque transformar a experiência vivida na Groenlândia em livro exigiu muito mais do que registrar o que aconteceu. A navegadora precisou decidir quanto da própria intimidade entraria na obra, encontrar um tom para a narrativa e reorganizar capítulos que, nas primeiras versões, faziam muitas idas e vindas entre a preparação da viagem e o inverno.

O resultado é uma obra de não ficção sobre os oito meses em que Tamara viveu sozinha num pequeno veleiro durante o inverno do Ártico groenlandês. Para mim, o aspecto mais interessante dessa história de bastidor é justamente perceber que uma experiência extraordinária não produz automaticamente um livro pronto: parte importante do trabalho aconteceu depois, na escolha do que contar e de como contar.

Se a dúvida é sobre a compra, Bom dia, inverno tende a fazer mais sentido para quem gosta de relatos reais de viagem, natureza, isolamento e reflexão. Quem procura uma aventura acelerada pode preferir outro título da autora.

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Minha escolha principal: se você chegou até aqui porque está pensando em conhecer o livro, veja primeiro se Bom dia, inverno vale a pena para o seu perfil de leitura. Ali eu separo proposta, ritmo, edição e para quem a obra tende a funcionar melhor.

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Tamara Klink demorou três anos para encontrar o tom e a forma de Bom dia, inverno

A explicação dada pela própria Tamara é bastante concreta: ela demorou para descobrir qual deveria ser o tom do livro e como organizar a experiência.

Escrever sobre uma viagem vivida em condições tão incomuns criava um problema diferente daquele de simplesmente lembrar acontecimentos. Era necessário decidir o que fazia sentido para quem não havia estado no barco e o que pertencia apenas à vida interior da autora.

O que deveria entrar — e o que precisava ficar fora

Tamara contou que, durante a escrita, chegou a se perguntar se determinadas passagens eram pertinentes ou irrelevantes. Também precisava decidir até onde entrar em detalhes e quanto de sua vida interior deveria ser exposto.

Esse talvez seja um dos pontos mais reveladores do processo. Uma experiência pode ter milhares de acontecimentos, pensamentos e lembranças, mas um livro exige seleção. Colocar tudo no papel não significa necessariamente contar melhor.

Quando as primeiras versões ficaram filosóficas demais

Nas primeiras versões, Tamara entrava em reflexões que se afastavam bastante do que estava acontecendo concretamente durante a viagem.

Essas passagens não foram simplesmente tratadas como reflexões ruins. O problema era de foco: elas podiam levar o texto para um terreno muito mais filosófico do que o relato de viagem que estava sendo construído.

Alice Sant’Anna e Luiz Schwarcz ajudaram Tamara a voltar ao concreto

Nesse processo, Tamara destaca a importância do trabalho dos editores Alice Sant’Anna e Luiz Schwarcz. A orientação foi aproximar novamente o texto daquilo que ela conhecia de maneira concreta: a viagem e a experiência vivida.

Isso ajuda a entender por que os três anos não devem ser reduzidos a uma ideia vaga de perfeccionismo. Havia um problema editorial bastante definido: qual era, afinal, o livro que aquela experiência deveria se tornar?

O conselho de voltar ao concreto da experiência

A solução encontrada foi dar mais espaço ao terreno no qual Tamara tinha uma experiência singular para contar. O gelo, o barco, a preparação, o inverno e as situações vividas davam materialidade às reflexões.

Eu vejo essa escolha como importante também para ajustar a expectativa de quem pensa em comprar o livro. Bom dia, inverno tem reflexão, mas continua partindo de uma experiência real de navegação e isolamento.

Bom dia, inverno nem sempre teve a estrutura cronológica atual

A forma do livro também mudou. Tamara explicou que, inicialmente, a narrativa não era tão cronológica.

As primeiras versões faziam várias idas e vindas entre a preparação para a expedição e o período passado no inverno groenlandês. A construção podia funcionar para quem carregava toda a experiência na memória, mas criava outro problema para quem chegava à história pela primeira vez.

As idas e vindas faziam o fio da narrativa se perder

Segundo Tamara, quando a ordem mudava demais, ficava mais difícil lembrar o que já havia sido apresentado. Aos poucos, os capítulos foram reorganizados para tornar a progressão mais clara.

É depois de enumerar justamente essas dificuldades — tom, organização e estrutura — que ela explica que o livro exigiu três anos de trabalho.

Escrever sobre a própria vida também exigiu escolher limites

Há ainda uma questão menos visível: transformar uma experiência pessoal em livro significa escolher que versão dessa experiência passará a circular entre outras pessoas.

Tamara mantém formas diferentes de registro. Ela já contou que escreve para si, escreve pensando nos outros e mantém também registros de sonhos. Não vou desenvolver aqui essas diferenças porque elas abrem outra história: explico separadamente os três tipos de diário usados por Tamara Klink durante a viagem.

Registrar uma experiência e escrever um livro não são a mesma coisa

Essa distinção ajuda a compreender os três anos. O registro pode nascer enquanto alguma coisa está acontecendo. O livro precisa transformar registros, lembranças e escolhas em uma narrativa que outra pessoa consiga acompanhar.

Por isso eu evitaria descrever Bom dia, inverno simplesmente como a publicação de um diário. O processo relatado por Tamara mostra uma etapa posterior de seleção, reescrita e organização.

A viagem começou antes do livro — e também antes da Groenlândia

Há outra camada interessante na origem da obra. Tamara relaciona o desejo de viver uma invernagem às histórias que ouvia de Amyr Klink quando era criança, especialmente sobre o inverno que o pai passou no mar gelado.

Essa relação aparece até na dedicatória do livro. Para entender esse aspecto sem desviar do processo de escrita, vale continuar em a dedicatória de Bom dia, inverno e a influência de Amyr Klink.

O que os três anos de escrita revelam sobre Bom dia, inverno

Os três anos ajudam a enxergar Bom dia, inverno de outra maneira. O livro não é apenas o resultado de oito meses no gelo: é também o resultado de escolhas posteriores sobre forma, memória, intimidade e clareza.

Para quem prefere relatos em que a experiência concreta abre espaço para reflexão, isso pode ser justamente um atrativo. Para quem quer ação contínua e uma aventura organizada apenas em torno dos perigos da expedição, eu consideraria outros livros antes de decidir.

Quem ainda está escolhendo pode comparar todos os títulos em livros de Tamara Klink em ordem. E há uma pista importante para compreender a própria relação da autora com a escrita: Tamara já explicou por que considera que os livros não são uma fuga, mas uma experiência que pode ter valor em si mesma.

Perguntas frequentes

Tamara Klink realmente levou três anos para escrever Bom dia, inverno?

Sim. Tamara disse que o trabalho de escrita levou três anos. Ao explicar esse período, ela mencionou principalmente a dificuldade para encontrar o tom, definir o que era pertinente, estabelecer limites para a exposição de sua vida interior e organizar os capítulos de forma mais clara.

Por que as primeiras versões de Bom dia, inverno eram diferentes?

As primeiras versões tinham reflexões que se afastavam bastante da experiência concreta e uma estrutura menos cronológica. Depois, o texto foi reorganizado para reduzir as idas e vindas entre preparação e inverno e preservar melhor o fio da narrativa.

Bom dia, inverno foi escrito durante a viagem?

Tamara já escrevia e mantinha diferentes registros durante suas viagens, mas o livro publicado não deve ser confundido com a simples reprodução desses registros. A própria autora descreve um trabalho posterior e longo de escrita, seleção e reorganização.

Quem são Alice e Luiz citados por Tamara Klink?

São os editores Alice Sant’Anna e Luiz Schwarcz. Tamara atribuiu importância ao trabalho dos dois durante a construção de Bom dia, inverno, especialmente na decisão de aproximar o texto da experiência concreta e na definição de seu foco. O livro continua sendo assinado por Tamara Klink; Alice e Luiz não são apresentados como coautores.

Se a história do processo de escrita despertou vontade de conhecer a obra, eu começaria verificando para quem Bom dia, inverno tende a valer a pena antes de escolher a edição.

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