Box Homero de Odorico Mendes vale a pena? Ilíada e Odisseia da Principis

Box com Ilíada e Odisseia, de Homero, traduzidas por Odorico Mendes

Homero — Box com 2 livros, da Principis, reúne Ilíada e A Odisseia na tradução histórica de Odorico Mendes. Eu não recomendo este box como primeira leitura de Homero.

A edição costuma aparecer entre as alternativas mais baratas para ter os dois poemas, mas a tradução é muito rebuscada e bastante difícil de ler. Ela pode valer a pena pelo caráter histórico, pelo preço ou para leitores mais calejados, desde que a escolha seja consciente.

O principal atrativo está na combinação das duas obras em um único conjunto de 752 páginas. A principal limitação está no próprio texto: Odorico comprime os versos, emprega vocabulário culto e arcaizante, recorre a construções sintáticas pouco usuais e frequentemente substitui nomes gregos por formas latinas.

Isso significa que o leitor enfrenta duas dificuldades ao mesmo tempo: a distância cultural dos poemas de Homero e a linguagem particular de uma tradução produzida no século XIX. Para conhecer as histórias pela primeira vez, eu escolheria uma edição de leitura mais direta. Para estudar a história da tradução brasileira, comparar versões ou conhecer o projeto poético de Odorico Mendes, o box ganha outro interesse.

Veredito em 1 minuto

  • Vale a pena para: leitores experientes, estudantes de tradução e quem deseja conhecer uma versão histórica de Homero.
  • Não recomendo para: quem vai ler Ilíada ou Odisseia pela primeira vez e procura um texto mais claro.
  • Principal qualidade: reúne duas traduções pioneiras e importantes para a história literária brasileira.
  • Principal limitação: vocabulário rebuscado, sintaxe comprimida e leitura lenta.
  • Nomes: aparecem formas latinas como Júpiter, Juno, Netuno e Ulisses no lugar de Zeus, Hera, Posêidon e Odisseu.
  • Formato: box com dois livros em brochura e 752 páginas no total.
  • Preço: costuma ser uma das formas mais econômicas de adquirir os dois poemas, mas o valor deve ser conferido no dia da compra.

Transparência: o Editora Mediação pode receber comissão pelos links de afiliado, sem custo adicional para você. Confira título, tradutor, editora, formato, vendedor, preço e estoque antes de finalizar a compra.

O box Homero de Odorico Mendes vale a pena?

Para a maioria dos iniciantes, não. Para leitores interessados na história da tradução, o box pode valer a pena. A escolha depende menos da presença das duas obras e mais da disposição para enfrentar a linguagem de Odorico Mendes.

A Principis reúne em uma caixa Ilíada e A Odisseia, dois poemas centrais da tradição épica grega. A edição é em português, tem encadernação brochura e soma 752 páginas.

O preço costuma ser atraente quando comparado ao de caixas com projetos editoriais mais extensos. Ainda assim, eu não escolheria uma tradução apenas por ser a opção mais barata. Uma edição econômica deixa de compensar quando a dificuldade do texto impede o leitor de avançar.

Odorico Mendes não entrega uma versão simplificada nem uma adaptação juvenil. Seu projeto é poético, conciso e deliberadamente estranho à linguagem cotidiana. Essa proposta tem importância histórica, mas cobra bastante do leitor.

Eu consideraria a compra para quem já conhece os poemas em outra tradução, estuda literatura ou deseja observar como um tradutor brasileiro do século XIX tentou recriar Homero em versos portugueses. Para simplesmente conhecer Aquiles, a Guerra de Troia ou o retorno de Odisseu, eu começaria por outra edição.

Para quem eu indicaria esta edição

  • leitores que já tiveram contato com Homero em uma tradução mais acessível;
  • estudantes de letras, literatura, filologia ou história da tradução;
  • quem deseja comparar diferentes soluções para os versos gregos;
  • leitores acostumados a poesia antiga, sintaxe invertida e vocabulário erudito;
  • quem procura os dois poemas em um box mais econômico e conhece suas limitações;
  • colecionadores interessados no lugar histórico de Odorico Mendes.

Quando eu escolheria outra tradução

Eu escolheria outra tradução para praticamente toda primeira leitura de Homero. O leitor iniciante já precisa acompanhar muitos personagens, genealogias, deuses, epítetos e referências culturais. A versão de Odorico acrescenta uma camada de dificuldade linguística que não é necessária para conhecer as obras.

Também escolheria outra edição quando a prioridade fosse uma sintaxe mais transparente, o uso dos nomes gregos, introduções extensas, mapas ou notas capazes de acompanhar a leitura.

Para decidir com mais segurança, consulte também qual edição da Odisseia comprar e o comparativo sobre qual edição da Ilíada comprar.

Pontos fortes

  • reúne Ilíada e Odisseia no mesmo conjunto;
  • tradução direta do grego e historicamente pioneira;
  • projeto poético relevante para a história literária brasileira;
  • permite comparar uma tradução do século XIX com versões atuais;
  • costuma ter preço inferior ao de caixas mais elaboradas;
  • brochura prática para transporte e consulta.

Pontos a considerar

  • vocabulário culto, arcaizante e por vezes raro;
  • ordem das palavras pouco habitual;
  • palavras compostas e soluções muito condensadas;
  • nomes latinos no lugar de diversos nomes gregos;
  • leitura bastante difícil para iniciantes;
  • não é uma edição de luxo em capa dura;
  • não há confirmação de um aparato amplo de notas no box.

Qual box de Homero está sendo analisado?

A análise é do Homero — Box com 2 livros, publicado pela Principis em 2021. O conjunto reúne as edições de Ilíada e A Odisseia traduzidas por Odorico Mendes.

É importante conferir esse dado porque existem várias caixas de Homero no mercado. O título “box Homero” também aparece em conjuntos com traduções de Frederico Lourenço, Carlos Alberto Nunes e outros tradutores.

Os botões desta página apontam para as ofertas registradas para o box da Principis. Ainda assim, eu conferiria a capa, o nome de Odorico Mendes, a quantidade de volumes e a editora no anúncio antes de concluir a compra.

O que vem no box da Principis

  • um volume de Ilíada;
  • um volume de A Odisseia;
  • tradução de Odorico Mendes;
  • estojo externo para reunir os dois livros;
  • encadernação brochura;
  • 752 páginas somadas.

As fichas das edições avulsas informam 432 páginas para Ilíada e 320 páginas para A Odisseia. A soma corresponde às 752 páginas anunciadas para o conjunto.

Ficha técnica da edição

InformaçãoBox analisado
TítuloHomero — Box com 2 livros
ObrasIlíada e A Odisseia
AutorHomero
TradutorOdorico Mendes
EditoraPrincipis
Edição anunciada1ª edição, 2021
IdiomaPortuguês
EncadernaçãoBrochura
Acabamento anunciadoLaminação brilhante
Páginas752
Dimensões anunciadas15,5 × 22,6 × 3 cm
Código comercial7908312103835
ASINB08Y3923XV

A página da editora chama o número 7908312103835 de ISBN, mas o código também aparece comercialmente como SKU ou código de barras do conjunto. Por isso, eu o trataria como código comercial do box e usaria o ASIN para conferir a oferta na Amazon.

O que conferir no anúncio antes de comprar

  • se o produto contém os dois volumes;
  • se a tradução é atribuída a Odorico Mendes;
  • se a editora informada é a Principis;
  • se o formato é brochura, e não capa dura;
  • se o anúncio da Amazon corresponde ao ASIN B08Y3923XV;
  • se não se trata apenas de um dos volumes avulsos;
  • quem vende e entrega o produto;
  • se o estojo e os dois livros aparecem nas imagens;
  • preço, prazo e disponibilidade no momento da compra.

Como é a tradução de Odorico Mendes?

A tradução de Odorico Mendes é histórica, inventiva e muito difícil. Ela não procura fazer Homero soar como uma narrativa atual nem preservar uma ordem de palavras confortável para o português contemporâneo.

Odorico terminou a Ilíada em 1863 e a Odisseia em 1864. As duas traduções foram publicadas postumamente: a Ilíada em 1874 e a Odisseia em 1928.

Seu objetivo era recriar os poemas em versos decassílabos portugueses, explorar toda a extensão do vocabulário e produzir uma versão concisa. Para isso, empregou palavras raras, criou composições, alterou a ordem habitual das frases e comprimiu diferentes elementos dos versos gregos.

A tradução também aproxima a Grécia de uma tradição literária latina. Zeus aparece como Júpiter, Hera como Juno, Posêidon como Netuno e Odisseu como Ulisses. Essa escolha era comum em períodos anteriores, mas pode confundir quem está aprendendo os nomes gregos.

Por que esta tradução é historicamente importante

Odorico Mendes foi um dos primeiros grandes tradutores brasileiros dos clássicos. Suas versões de Ilíada e Odisseia são apresentadas como as primeiras traduções completas dos poemas em língua portuguesa realizadas diretamente do grego.

Durante muito tempo, esse trabalho ocupou um lugar central na circulação brasileira de Homero. Sua importância não depende de ser a versão mais fácil ou mais recomendável para o leitor atual. Ela está no pioneirismo e na tentativa de ampliar as possibilidades poéticas do português.

A recepção sempre foi dividida. Críticos como Sílvio Romero e Antonio Candido atacaram o rebuscamento e as construções obscuras. Haroldo de Campos, por outro lado, recuperou Odorico como pioneiro de uma tradução criativa, embora também reconhecesse problemas em diversas soluções.

Esse contraste ajuda a chegar a um veredito equilibrado: a tradução é um marco histórico, mas isso não a transforma na melhor porta de entrada para Homero.

Como são a linguagem e o ritmo

A linguagem é condensada, poética e muito distante do português cotidiano. Odorico utiliza decassílabos, a métrica ligada à tradição épica portuguesa e também a Os Lusíadas.

Por isso, a impressão de que a tradução possui um “ar de Camões” é compreensível. Não se trata apenas de uma sensação vaga: o tradutor utiliza a mesma tradição métrica, recupera vocabulário antigo e incorpora soluções de escritores portugueses consagrados.

TraduçãoAbertura da OdisseiaImpressão inicial
Odorico Mendes“Canta, ó Musa, o varão que astucioso”Inversão sintática, tom elevado e vocabulário menos imediato.
Frederico Lourenço“Fala-me, Musa, do homem versátil que tanto vagueou”Ordem mais próxima da frase corrente e sentido mais transparente.

O contraste aparece já na abertura. Em Odorico, expressões como “equóreo ponto”, “prole Dial” e “Hiperiônio” exigem interpretação ou consulta. Na tradução de Frederico Lourenço, a frase avança de forma mais linear e identifica com maior clareza o homem, a viagem e o sofrimento.

Também é preciso explicar corretamente a concisão. Dizer que Odorico “cortou os versos pela metade” exagera o que aconteceu. Na Ilíada, os 15.674 versos gregos foram convertidos em 13.116 versos portugueses. Na Odisseia, 12.106 versos do original tornaram-se 9.302 na versão.

Isso representa uma redução importante, mas não transforma as obras em resumos. Os poemas continuam completos. A diferença é que Odorico condensa frases, varia ou omite algumas repetições e procura dizer em menos versos o que o grego desenvolve de forma mais extensa.

A tradução de Odorico Mendes é difícil?

Sim. É uma das traduções de Homero mais difíceis para o leitor atual. Essa avaliação não nasce apenas de comentários recentes: a dificuldade da versão é discutida há décadas por críticos, tradutores e pesquisadores.

Haroldo de Campos destacou dois obstáculos principais: as compressões exigidas pelo decassílabo e o vocabulário extremamente culto, muitas vezes arcaizante. Estudos acadêmicos também apontam inversões, neologismos, palavras compostas, latinização dos nomes e uma tentativa consciente de produzir estranhamento.

Na prática, o leitor pode entender cada palavra isoladamente e ainda assim precisar reorganizar mentalmente a frase. Em outros momentos, será necessário consultar um termo antes de compreender a ação.

Eu não usaria “difícil” como sinônimo automático de ruim. Há leitores que valorizam a sonoridade, a concisão e a ousadia verbal. O problema surge quando uma edição com essa proposta é vendida como se fosse uma escolha simples para qualquer iniciante.

É uma boa edição para ler Homero pela primeira vez?

Não é a edição que eu recomendo para começar. A primeira leitura já envolve um universo distante, muitos personagens e uma narrativa em versos. A tradução de Odorico aumenta a distância em vez de oferecer uma ponte mais direta.

Uma pessoa familiarizada com poesia antiga, Camões ou traduções experimentais pode começar por ela e aproveitar o desafio. Esse perfil, porém, é diferente do leitor que apenas deseja conhecer a história de Aquiles ou o retorno de Odisseu.

Para uma primeira aproximação, a tradução de Frederico Lourenço tende a funcionar melhor porque mantém a origem grega, mas apresenta frases mais transparentes. Para comparar outras possibilidades, consulte as edições, traduções e livros sobre a Odisseia.

O box é bom para estudar, presentear ou colecionar?

O box é mais interessante para estudar Odorico Mendes e a história da tradução do que para estudar Homero pela primeira vez. Como presente, ele exige conhecer bem o perfil do destinatário. Como item de coleção, tem valor histórico, mas não acabamento de luxo.

Para leitura e estudo

Para estudar o projeto tradutório de Odorico Mendes, o box é pertinente. Ele permite observar concisão, decassílabos, palavras compostas, nomes latinos, escolhas de epítetos e diferenças em relação a versões contemporâneas.

Para estudar mitologia, narrativa ou cultura homérica sem que a tradução se torne o assunto principal, eu escolheria uma edição com linguagem mais direta e recursos de apoio claramente informados.

A ficha do box da Principis não confirma um aparato amplo de notas verso a verso, mapas ou comentários. Essa ausência pesa especialmente porque a versão de Odorico frequentemente precisa de explicações.

Há edições acadêmicas da tradução de Odorico com anotações extensas, mas elas não devem ser confundidas com este box comercial da Principis.

Para presentear

Eu só escolheria este box como presente para alguém que já demonstra interesse por Homero, tradução literária, poesia clássica ou história da língua portuguesa.

Para um leitor iniciante, o preço atraente pode produzir o efeito contrário ao esperado: a pessoa recebe duas obras fundamentais, mas encontra uma barreira linguística logo nas primeiras páginas.

Para quem valoriza sobretudo capa dura, acabamento e presença visual na estante, o box de Odisseia e Ilíada traduzido por Carlos Alberto Nunes pode fazer mais sentido.

Para começar uma coleção de clássicos

O box pode iniciar uma coleção voltada a traduções históricas ou edições acessíveis. Ele reúne dois títulos fundamentais e ocupa menos espaço do que conjuntos com volumes mais extensos.

Não é, porém, uma edição de luxo. A encadernação é brochura, e o principal valor está no texto de Odorico Mendes, não em materiais especiais, ilustrações ou acabamento de colecionador.

Para explorar conjuntos de autores e gêneros diferentes, consulte também os melhores boxes de livros.

Box de Odorico Mendes ou outra edição de Homero?

Para começar a ler Homero, eu escolheria outra edição. Para conhecer a tradução histórica brasileira, escolheria Odorico Mendes. A melhor opção muda conforme o interesse principal do leitor.

A caixa de Frederico Lourenço oferece uma entrada mais clara e recursos de apoio. O conjunto de Carlos Alberto Nunes apresenta outro projeto poético e acabamento em capa dura. O box da Principis se diferencia principalmente pelo preço e pelo caráter histórico da tradução.

Comparação rápida entre os boxes

OpçãoPrincipal característicaFaz mais sentido paraPonto de atenção
Principis — Odorico MendesBrochura, 752 páginas, tradução histórica, concisa e latinizanteLeitores experientes, comparação de traduções e interesse históricoVocabulário e sintaxe muito difíceis
Penguin-Companhia — Frederico LourençoBrochura, 1.296 páginas, tradução direta, introduções, listas e mapasPrimeira leitura e leitores que valorizam recursos de apoioConjunto maior e normalmente mais caro
Nova Fronteira — Carlos Alberto NunesBox em capa dura e outra proposta de tradução poéticaQuem prioriza acabamento e a versão de Carlos Alberto NunesInvestimento tende a ser maior

Caixa Homero com tradução de Frederico Lourenço

A Caixa Homero da Penguin-Companhia reúne as duas obras na tradução direta do grego de Frederico Lourenço. A editora informa 1.296 páginas, encadernação brochura, textos introdutórios, listas de personagens e mapas.

A abertura da Odisseia já mostra uma diferença prática. Frederico escreve “Fala-me, Musa, do homem versátil que tanto vagueou”, enquanto Odorico começa com “Canta, ó Musa, o varão que astucioso”. A primeira construção é mais próxima da ordem habitual do português atual.

Isso não significa que Frederico abandone a dimensão poética ou se afaste do grego. A proposta é oferecer uma tradução direta com maior transparência sintática, o que tende a ajudar na primeira leitura.

Eu consideraria essa caixa para quem quer conhecer as obras antes de comparar projetos tradutórios mais radicais. A análise completa está na página sobre a Caixa Homero com Ilíada e Odisseia de Frederico Lourenço.

Box Odisseia e Ilíada de Carlos Alberto Nunes

A Nova Fronteira apresenta seu conjunto como um box de luxo em capa dura, com tradução de Carlos Alberto Nunes. É uma alternativa mais coerente quando acabamento, presente e coleção têm peso maior na decisão.

Carlos Alberto Nunes também adota um projeto poético próprio para recriar o ritmo de Homero. Portanto, a escolha entre ele, Frederico Lourenço e Odorico Mendes não deve ser reduzida a uma disputa entre tradução “correta” e “incorreta”.

Para iniciantes, porém, a versão de Odorico continua sendo a opção mais arriscada das três por causa da combinação de concisão, arcaísmos, palavras compostas e sintaxe pouco habitual.

Quando comprar os volumes separadamente

Comprar separadamente pode ser melhor quando você pretende começar por apenas uma obra, encontrou somente um dos volumes disponível ou deseja combinar traduções diferentes.

Essa escolha também permite testar a linguagem antes de adquirir o segundo poema. Quem está em dúvida pode comprar primeiro a Odisseia de uma tradução mais acessível e deixar Odorico para uma comparação posterior.

Para organizar esse caminho e comparar as obras, consulte o guia de livros de Homero e ordem de leitura.

Qual é a faixa etária do box?

A ficha do box informa faixa etária acima de 12 anos, mas as páginas dos volumes avulsos apresentam indicação acima de 16 anos. Como os dados da própria editora não são uniformes, eu não trataria nenhum desses números como recomendação automática.

A dificuldade deste box depende mais do repertório linguístico do que da idade cronológica. Um adolescente acostumado a poesia, leitura clássica e consulta de vocabulário pode avançar melhor do que um adulto que procura uma narrativa rápida.

A Ilíada envolve guerra, mortes, violência e conflitos de honra. A Odisseia inclui perigos, mortes, vingança, seres monstruosos e situações relacionadas à sexualidade e ao casamento.

Além dos temas, é preciso considerar a linguagem. Expressões como “equóreo ponto”, “prole Dial”, “crinitos Graios” e outras construções odoricanas podem exigir acompanhamento mesmo de leitores mais velhos.

Para adolescentes, eu recomendaria mediação de professor ou responsável, além de uma edição com notas ou uma tradução mais clara para consulta paralela.

Perguntas frequentes

O box vem com Ilíada e Odisseia completas?

Sim. O box reúne traduções completas dos dois poemas, e não adaptações resumidas. Odorico reduziu o número de versos por meio de uma estratégia de concisão, mas isso não significa que tenha transformado as obras em versões abreviadas.

O box de Odorico Mendes é capa dura?

Não. A ficha oficial informa encadernação brochura e acabamento com laminação brilhante. Quem procura um conjunto em capa dura deve comparar com outras edições antes da compra.

A edição da Principis é indicada para iniciantes?

Eu não a recomendo como primeira edição de Homero. A linguagem é muito rebuscada, a sintaxe é comprimida e os nomes latinos podem dificultar a relação com materiais que usam as formas gregas.

Ela pode funcionar para um iniciante que já tenha familiaridade com poesia clássica e procure deliberadamente um desafio linguístico, mas esse não é o perfil mais comum.

Qual é a faixa etária indicada pela editora?

A página do box informa “+12”, enquanto as fichas dos livros avulsos exibem “+16”. Diante dessa divergência, eu consideraria maturidade, repertório de leitura, temas de guerra e dificuldade linguística, e não apenas um número.

É preciso ler Ilíada antes da Odisseia?

Não é obrigatório. As obras são independentes, embora compartilhem o universo relacionado à Guerra de Troia. A Ilíada se concentra em um período do conflito, enquanto a Odisseia acompanha o difícil retorno de Odisseu para casa.

Para começar, muitos leitores consideram a Odisseia mais próxima de uma narrativa de viagem e aventura. A escolha da tradução, porém, influencia bastante a experiência.

A tradução foi feita diretamente do grego?

Sim. As traduções de Odorico Mendes são apresentadas como versões diretas do grego. O fato de usar nomes latinos e dialogar intensamente com Virgílio não significa que tenha traduzido os poemas a partir do latim.

O projeto é direto, mas também muito autoral: Odorico condensa versos, varia epítetos, cria palavras e aproxima Homero da tradição épica em língua portuguesa.

Conclusão: para quem o box de Odorico Mendes compensa

O box compensa para leitores experientes, estudantes de tradução e pessoas interessadas no lugar histórico de Odorico Mendes. Para uma primeira leitura de Homero, eu não o recomendo.

O conjunto tem vantagens objetivas: reúne Ilíada e Odisseia, costuma aparecer entre as opções mais econômicas e dá acesso a uma tradução pioneira da literatura brasileira.

Essas vantagens não eliminam a principal objeção. O texto é bastante difícil. Vocabulário arcaizante, palavras compostas, inversões, concisão e nomes latinos podem transformar cada página em um exercício de decifração.

Para conhecer primeiro as histórias, eu consideraria a tradução de Frederico Lourenço ou outra edição mais transparente. Depois dessa aproximação, voltar a Odorico Mendes pode ser muito mais produtivo, porque o leitor já consegue observar suas escolhas sem depender delas para compreender o enredo.

Para presente, eu escolheria este box apenas para alguém que já gosta de clássicos difíceis ou tradução literária. Para coleção, ele faz sentido pelo caráter histórico, embora não tenha acabamento de luxo.

Antes da compra, confira se o anúncio mostra os dois livros, a editora Principis e o nome de Odorico Mendes. Essa verificação evita confundir o conjunto com outras caixas de Homero ou com ofertas de apenas um volume.

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