O que significa avaliar?

O que significa avaliar?

(Leia o texto completo em HOFFMANN, Jussara. Avaliar para promover: as setas do caminho. 15. ed. Porto Alegre: Mediação, 2014. p.63-83 – trecho adaptado pela autora)
  
Avaliar para promover cada um dos alunos é um grande compromisso que nos exige aprofundar o olhar sobre a sua singularidade no ato de aprender e, ao mesmo tempo, ampliá-lo na direção do grupo e das relações sociais. Olhares esses fundamentados em múltiplas referências de análise do processo de conhecimento. Como diz Demo (1994), o qualitativo abrange a “dimensão da intensidade e da profundidade”. Avaliar, nesse sentido, exige observação longitudinal do processo, por meio de procedimentos diversificados de análise, da proposição de situações complexas de aprendizagem, encadeadas e sucessivas, além da reflexão acerca das múltiplas dimensões que encerram cada resposta ou manifestação de um aluno. Para Perrenoud (2000), “é mais fácil avaliar conhecimentos de um aluno do que suas competências, porque, para apreendê-las, deve-se observá-lo lidando com tarefas complexas, o que exige tempo e abre caminho à contestação” (p. 16). Avaliar competências significa observar o aluno em sua capacidade de pensar e agir eficazmente em uma situação, buscando soluções para enfrentá-la, apoiado em conhecimentos, mas sem limitar-se a eles. O aprender envolve vários aspectos: situações interativas (discussão com outros colegas, com os professores, com os familiares), engajamento pessoal (desejo de descobrir, de conhecer) e a busca de conhecimentos em momentos sucessivos e complexos (buscar em diferentes fontes – livros, revistas, jornais, Internet, outras pessoas – aprofundar-se cada vez mais no assunto).
 

 Avaliar é essencialmente questionar. É observar e promover experiências educativas que signifiquem provocações intelectuais significativas no sentido do desenvolvimento do aluno. Dessa forma, as tarefas e testes mudam radicalmente de lugar e de importância no contexto escolar. Enquanto na avaliação classificatória esses instrumentos ocupam o lugar de verificar, comprovar o alcance de um objetivo ao final de um estudo, de um determinado tempo, na visão mediadora, ao contrário, elas assumem o caráter permanente de mobilização, de provocação. Professores e alunos questionam- se, buscam informações pertinentes, constroem conceitos, resolvem problemas. Avaliar é, então, questionar, formular perguntas, propor tarefas desafiadoras, disponibilizando tempo, recursos e condições aos alunos para a construção das respostas. Os conteúdos não deixam de existir, eles são mais importantes do que nunca, assim como uma visão interdisciplinar, e é compromisso do professor sugerir e disponibilizar variadas fontes de informação. A premissa é oferecer aos alunos muitas e diversificadas oportunidades de pensar, buscar conhecimentos, engajar-se na resolução de problemas, reformular suas hipóteses, comprometendo-se com seus avanços e dificuldades. Tal prática educativa não se adequa ao caráter somativo (médias aritméticas) da avaliação tradicional, e reside aí uma das graves incoerências dos regimentos escolares. Uma avaliação contínua e cumulativa significa o acompanhamento da construção do conhecimento em sua evolução e complementaridade, exigindo alterações qualitativas nas formas de registro e tomadas de decisão sobre aprovação. A continuidade da ação pedagógica tem por referência, assim,  um olhar amplo e multidimensional do professor acerca do processo vivido pelos alunos, seus interesses, avanços e necessidades. A intervenção pedagógica do professor será mais consistente e significativa à medida que ele se questionar permanentemente sobre a trajetória de cada um, procurando ampliar e complementar seu entendimento sobre os seus percursos evolutivos, sem deixar de observar todo o grupo, ajustando suas ações educativas à multiplicidade de referências que a aprendizagem acarreta.
 
 

 

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