Educação Infantil

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Um palco para o conto de fadas

uma experiência teatral com crianças pequenas

Luiz Fernando de Souza
ISBN: 978-85-7706-033-7
ed. 88 p.
Dramatizar contos de fadas como um exercício da teatralidade, segundo o autor, professor da FIOCRUZ, do Rio de Janeiro, permite às crianças dar vazão às suas fantasias. Sentindo-se acolhidas e respeitadas em suas criações, elas podem ludicamente vir a compreender a vida que as cerca, as implicações sociais a que são submetidas e as diversas culturas e identidades com as quais convivem. Trata-se de uma leitura mágica a todos que lidam com infância e/ou com teatro: escritores, artistas, arte-educadores, professores, estudantes, gestores de escolas infantis e pais.
  • Sumário
    Introdução: Teatro e infância

    A magia e o encantamento das artes cênicas
    Primeiro diálogo: o teatro como ponte
    Segundo diálogo: a importância dos contos de fadas
    Terceiro diálogo: a magia na constituição
    da cultura e da infância
    Quarto diálogo: teatro, educação e vida

    O universo das diferenças e o imaginário infantil
    A ficção e a formação de cidadania
    O político e o pedagógico nos meios de entretenimento

    A expressão corporal e o respeito ao outro
    Exercícios de autoconhecimento corporal

    Uma experiência teatral com crianças pequenas
    Projeto: "“O espelho da Moura Torta"”
    Projeto: "“Vamos dar de comer a João e Maria"”
    Crianças em cena

    Contos de fadas: a vida é um sonho
    A vitalidade dos contos de fadas
    Artes cênicas e os educadores

    O projeto de teatro e a expressão corporal
    Vamos brincar com o teatro: corpo/expressão/dramatização

    Relatos dos ensaios da montagem da peça “"João e Maria”"

    A peça de teatro “"João e Maria”"
     
  • Trecho
    O teatro, a criança e o multiculturalismo
    Trecho retirado do Cap.2
     
    Um dos objetivos de nossa prática teatral é, de alguma forma, influir no grande fluxo cultural hegemônico, oferecendo alternativas para que as crianças possam construir novas perspectivas de contato com a cultura, procurando compreender pelo exercício teatral das narrativas que, antigos costumes, novos costumes, práticas sociais, idéias, podem ser ressignificadas por elas próprias, ao construírem um espaço de diálogo entre si e os educadores que com elas trabalham, viabilizando uma perspectiva crítica de absorção cultural.
    Aprender a refletir com sensibilidade, pode ser uma questão que provoque nas crianças e adultos, a vontade e a necessidade de produzir conhecimento a partir dos tais "“saberes nômades”" (Costa, 2000) que podem iluminar as contradições provocadas pelos ditos saberes universais. É óbvio que a cultura universal, já produziu conhecimentos que são de profundo valor para o progresso da humanidade. Não podemos desconsiderar isso.
    Mas o que se pretende é contribuir para contextualizar a idéia constantemente disseminada de supremacia (branca, machista, ocidental) que existe nessa forma de cultura e evidenciar o fato dela ser uma construção elaborada ao longo da história, que possui uma histórico de nascimento, conflitos, avanços e recuos, sendo não hegemônica e sujeita a mudanças.
    Através da apresentação de narrativas de culturas minoritárias ou periféricas como a africana, indígena ou mesmo de regiões desconhecidas, e com a conseqüente teatralização das mesmas, deseja-se discutir a importância dessas culturas, explicitando o vasto universo da diferença que pode ser construído no imaginário infantil e estabelecendo sua contribuição significativa para o avanço do conhecimento, tanto quanto a cultura dita universal.
    Os mitos, os conflitos sociais e as questões existenciais, estão presentes tanto numa narrativa fantasiosa européia, quanto numa africana ou indígena o que, através do dinâmico exercício do gesto teatral, coloca a prática do teatro dentro dos parâmetros de uma educação multicultural, ensinando pela sensibilidade a conviver com experiências de diversos grupos culturais e étnicos.
    Devido à heterogeneidade das crianças e adultos da creche FIOCRUZ, ela se transforma num cadinho de culturas e raças que passam a discutir e conviver com questões culturais e/ou sociais que estão presentes no campo do multiculturalismo, a saber: a possibilidade de provocar a conscientização das crianças a respeito das questões raciais, já que convivem no mesmo espaço crianças negras, brancas ou de traços asiáticos; a questão de gênero, pois meninas e meninos estão todo o tempo dividindo as mesmas rotinas e atividades; de classe, já que crianças de vários níveis sociais passam mais ou menos cinco anos em convívio contínuo, afetando-se mutuamente e a questão da inclusão, uma vez que a creche FIOCRUZ desenvolve um trabalho voltado para o desenvolvimento de práticas pedagógicas que incluam crianças com necessidades educativas especiais.
    Mas o que nos interessa é o fato de que a discussão dessas questões se dá através da arte evidenciando um movimento bem atual de recentralização da cultura enquanto campo possível para a discussão e conscientização das desigualdades sociais, de problematização da questão das diferenças, de elaboração do diálogo interdisciplinar, no intuito de colaborar para a efetivação do diálogo democrático no imaginário infantil.
    Devemos descrever de modo mais prático as atividades teatrais desenvolvidas com as crianças, para que elas mesmas elaborem em si um certo estado de alerta, de crítica, e de constante esclarecimento a respeito das questões culturais.
    Através da dramatização de narrativas fantasiosas, podemos afetar o imaginário infantil pelo sensível, provocando a aquisição de conhecimento, a aproximação entre opostos, o respeito à alteridade, a valorização da experiência individual, no momento mesmo em que as crianças são estimuladas a se expressarem pela arte e aprender com ela.

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