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Planejamento em destaque

análises menos convencionais

Maria Luisa M. Xavier e Maria Isabel H. Dalla Zen
ISBN: 978-85-87063-37-3
ed. 152 p.
Revigora-se, através deste livro, um tema escasso na literatura em educação, e cuja discussão, por vezes, aparece por demais vinculada às concepções de reprodutivismo e burocracia. Fugindo às abordagens tradicionais, os autores discutem o planejamento numa visão interdisciplinar, desenvolvendo reflexões sobre pedagogia de projetos, relação planejamento/avaliação, reconstrução curricular. Mais do que isso, ilustram com trabalhos pedagógicos desenvolvidos nesta perspectiva em áreas como a do lúdico e da sexualidade.
  • Sumário
    Apresentação
    Maria Luisa M. Xavier

    Planejamento: globalização, interdisciplinaridade e integração curricular
    Maria Luisa M. Xavier

    Planejamento: em busca de caminhos
    Maria Bernadette Castro Rodrigues

    Trabalhando com projetos
    Maria Carmen Silveira Barbosa

    Planejamento e avaliação educacional: uma análise menos convencional
    Alfredo Veiga-Neto

    Alfabetização, avaliação e repetência: temas sempre atuais
    Rita de Cássia Prestes Modesto

    Planejamento e ciências sociais
    Maria Aparecida Bergamaschi

    Sexualidade na sala de aula: isso entra no planejamento?
    Sandra Andrade

    Uma experiência de planejamento no ensino de ciências
    Lisângela Balotin
    Eunice Aita Isaia Kindel

    Sala de aula é lugar de brincar?
    A importância do lúdico no planejamento

    Tânia Ramos Fortuna

    Reciclando materiais e ideias
    Lisiane Gazola Santos
    Quézia Silvano Domingues

    A escola no contexto da educação básica
    Nalú Farenzena
  • Trecho
    Apresentação

    Maria Isabel H. Dalla Zen
    Maria Luisa M. Xavier
    As discussões atuais acerca da organização do ensino vêm propondo que o planejamento seja desenvolvido através de temáticas significativas que sejam objeto de desejo de conhecimento de professores e estudantes em curso de formação para o magistério. Temáticas capazes de abarcar as disciplinas curriculares –– ressignificando-as –– e capazes de dar conta dos chamados "“saberes não escolares"” representativos das culturas infantil e juvenil, tão negligenciadas pela escola. Para Miguel Arroyo (1994), a proposta é que este currículo seja construído a partir da definição coletiva de temas –– chamados pelo autor de "“temas transversais"” – –que representem as questões e os problemas da atualidade. A retomada da questão da organização do ensino nos últimos cem anos, sob influência dos avanços da ciência –– da biologia e da psicologia no início do século XX –– e das mudanças sociais causadas pelos processos de industrialização, urbanização, pelo surgimento dos estados de base nacional, pelas duas grandes guerras e, mais tarde, pela política da guerra fria, cerne do movimento educacional renovador conhecido como Escola Nova, é um dos temas deste texto. O movimento foi uma reação à escola tradicional alicerçada no silêncio e no imobilismo, no estudo de conteúdos descontextualizados, no descompasso entre a escola e a vida. Desde os trabalhos precursores de Pestalozzi e Froebel e, mais ainda, após as propostas de Montessori e Decroly, ganha espaço a preocupação com a adequação da escola à natureza do estudante. É o período das proposições dos temas lúdicos, do ensino ativo. É com Dewey, no entanto, que se acentua a preocupação de tornar o espaço escolar um espaço vivo, aberto ao real. E, com Freinet, chamado "“escolanovista popular"”, essa preocupação se politiza de forma mais explícita. Também nessa linha precisam ser referidos ainda os trabalhos de Ferrière e Krupskaia, no início do século XX e, mais recentemente, de forma destacada, os de Paulo Freire, entre outros responsáveis pela introdução intencional do debate político no processo escolar. Santomé e Hernández na Espanha, Jolibert na França, Delia Lerner e Ana Maria Kaufman na Argentina e Miguel Arroyo, entre tantos outros, aqui no Brasil, vêm defendendo, coerentemente com essa visão, projetos de integração curricular, destacando entre eles a chamada pedagogia de projetos, como uma das possibilidades de operacionalização dessa forma de trabalho. Algumas reflexões sobre essa concepção, suas propostas de organização e as possibilidades existentes com a sua adoção serão desenvolvidas a seguir. O Curso de Pedagogia da Faculdade de Educação da UFRGS, em 1982, seguindo uma tendência nacional, reformulou seu currículo, voltado até então para a formação de especialistas em educação, passando a dedicar-se à formação de professores e professoras para atuarem nos primeiros anos de escolarização de crianças maiores de seis anos, de jovens e adultos. Essa opção, já referida em publicações anteriores, deveu-se à convicção de que os mais de 30 milhões de analfabetos existentes no país, bem como milhares de crianças e jovens que estavam fora da escola naquele momento, já tinham estado, na sua grande maioria, na escola e dela tinham sido expulsos devido a um inadequado processo de escolarização. Após muitas tentativas frustradas, muitas reprovações e repetências é que se evadiram analfabetos ou semialfabetizados, sem os conhecimentos mínimos requeridos para a sobrevivência em uma sociedade letrada. Saíram sem o domínio da leitura, da escrita, do cálculo, sem uma melhor compreensão do mundo natural e social. E, isto é o mais grave, saíram –– e continuam saindo  – convencidos de sua inferioridade face aos seus repetidos fracassos. A escola expulsa e legitima a expulsão! Daí a necessidade de priorizar a formação de professoras e professores investigadores para a educação básica, capazes de entender a nova clientela da escola pública, o seu universo cultural, o seu processo de aquisição de conhecimento, as suas necessidades e características. Profissionais comprometidos com o processo de democratização da escola e da sociedade e com condições de transformarem tais crenças em propostas de trabalho capazes de segurar na escola, com aproveitamento e prazer, os excluídos até hoje do sistema, revertendo a expectativa de inevitabilidade do seu fracasso escolar. Com esse objetivo mais amplo, esta publicação apresenta concepções teóricas sobre organização e planejamento do ensino, possibilidades diferenciadas de organização da instituição escolar e análises menos convencionais de planejamento e avaliação.

     

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