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Pedagogia da música

experiências de apreciação musical

Esther Beyer e Patrícia Kebach (Orgs.)
ISBN: 978-85-7706-036-8
ed. 160 p.
Tratando da educação musical, um tema atual e prioritário nas escolas do país, este livro é de autoria de educadoras experientes em música sob a regência de Esther Beyer, que instaura um pensamento inovador na área. Contém uma série de estudos sobre a música e sobre a construção do cantar, abordando conceitos contemporâneos e fundamentais que se contrapõem às práticas tradicionais ainda vigentes nas escolas. O conjunto de experiências de apreciação musical abrange alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio, bem como a apreciação estética por alunos surdos.
  • Sumário
    Introdução
    Esther Beyer
    Patrícia Kebach

    Cantigas de ninar: fadas e bruxas de mãos dadas para um sono tranquilo
    Ana Paula Melchiors Stahlschmidt
    Maria Luiza Feres do Amaral
    Regina Finck

    Apreciação musical: conceito e prática na educação infantil
    Kelly Stifft

    Apreciação musical através do gesto corporal
    Márcia Cristina Pires Rodrigues

    A música e suas significações
    Flávia Garcia Rizzon

    A atividade de apreciação na construção do cantar
    Ana Claudia Specht
    Denise Sant' Anna Bündchen

    O que esta música sugere para você?
    Ângela B. Crivellaro Sanchotene

    Apreciação musical: onde estáo significado da música?
    Katia Renner

    Processos de interação social em ambiente de educação musical
    Patrícia Kebach

    Makunaimando e o Hino de Roraima: contexto de criação/recepção
    Rosangela Duarte

    Apreciação musical por músicos experientes
    Esther Beyer

    A língua de sinais e os sons: uma apreciação estética
    Ana Luiza Paganelli Caldas

    Apreciação musical e subjetivação
    Patrícia Kebach
    Viviane Silveira
  • Trecho
    A importância das trocas sociais e diversidade de estilos em apreciação musical
    Esther Beyer
    A apreciação é uma troca entre diferentes universos de pessoas, em que vivências pessoais, aprendizagens, perspectivas de mundo fundam-se, canalizam-se para emitir uma opinião ou recriação de uma música. Esse momento é fundamental para qualquer nível ou idade na educação musical, uma vez que o aluno pode ampliar sua perspectiva de mundo, entender a música como outros a entendem, comentar e pensar sobre diferentes processos de criação musical, de instrumentos, formas musicais, texturas, ritmos, harmonias musicais. Nesse universo, o trabalho pode abranger tanto músicas do repertório mais familiar ao aluno (como música tonal, ocidental, etc.), quanto pode também abranger a diversidade cultural de músicas de diferentes povos e culturas. No primeiro caso, há uma possibilidade de que o aluno, à vista desta música apresentada (conhecida ou não), integre ou reintegre os conhecimentos já construídos ao longo de sua educação musical, para ali buscar analisar alguns pontos. Esses pontos podem focar, por exemplo, a partir de quais ideias musicais o compositor agiu, que instrumentos ele planejou empregar, etc. O aluno pode se questionar também sobre o porquê de o compositor pensar em colocar ali uma flauta e não um trompete, ou uma voz infantil e não uma masculina, um compasso ternário (que pode gerar certo movimento de embalo) e não um binário (onde se tem maior certeza e talvez menos leveza entre os dois tempos que ali vão ocorrer). E assim se pode estender estas reflexões a dimensões cada vez mais amplas, que acompanham também os níveis cada vez mais amplos de abstração de uma pessoa.
    No segundo caso, ao apreciar música de diferentes culturas, leva-se o aluno a construir hipóteses sobre como outros povos imaginam o que seja música, qual é o universo de sons por eles idealizados como aceitáveis para se fazer música (abrange os instrumentos que se criam e utilizam nas diferentes culturas), como músicos de outras localidades imaginam que se possa passar uma ideia musical para outros (tanto de significados específicos, como rio, chuva, cavalo, etc. ou de significados mais amplos e abstratos, como sentimentos ou mesmo uma trama de sons, não tendo como objetivo o de transmitir exatamente um significado extramusical).
    O estranhamento inicial que um aluno apresenta em relação a uma música demasiado diferente de suas expectativas pode causar-lhe um impacto tão grande que o lance a refletir em nova direção sobre processos de composição musical, mas talvez, muito além disso, de como um outro ou outra cultura pense a respeito de morte ou união, ou outra experiência vivencial. Esse choque o movimenta em direção a buscar novas perguntas e novas respostas, a repetir a escuta ou a repeli-la sistematicamente, de modo a gerar talvez uma gradativa familiarização com aquilo que num primeiro momento era estranho.
    Assim, ao ouvir e buscar assimilar esses novos sons musicais a seu repertório de coisas já ouvidas, o estudante pode ter, num primeiro momento, ferramentas precárias à análise daqueles sons (a ele estranhos). Mas, ao buscar compreender como os sons foram produzidos, como foram pensados e a que visavam significar, esse mesmo aluno vai gerar novos esquemas para captar este evento, conforme suas possibilidades de acomodação. Dessa forma, na exploração dos elementos ali contidos, na (re)escuta da mesma música, na criação e apreciação, vemos que o aluno vai ter crescido em sua apreciação, tendo agora, no bojo de suas vivências musicais, uma nova totalidade, a saber, aquela que integra em suas possibilidades também sons diferentes dos de sua cultura, além de modos de organizar e significar música antes não conhecidos.

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