Literatura Infantojuvenil

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Manual do Professor

Yvy Porã Porau e o Rio de Mel

Jussara Hoffmann
ISBN: 978-85-7706-099-3
ed. 59 p.
MANUAL DO PROFESSOR
EDITORA RESPONSÁVEL: JUSSARA HOFFMANN
Categoria 5 (4º e 5º anos do Ensino Fundamental) 
Gênero: conto
Temas:
Encontros com a diferença
Autoconhecimento, sentimentos e emoções
  • Sumário
    SUMÁRIO

    Apresentação: 
    A importância da literatura infantil nos anos iniciais
    Jussara Hoffmann


    Contextualizando a autora, a ilustradora e a obra

    A categoria, o gênero literário e os temas da obra

    Motivando os alunos para a leitura e a escrita

    Subsídios e orientações para a abordagem da obra literária com os alunos

    Orientações e sugestões de atividades de pré-leitura, leitura e pós-leitura

    Material de apoio com vistas a uma abordagem interdisciplinar

    Referências, leituras sugeridas e links
  • Trecho
    Apresentação: 
    A importância da literatura infantil nos anos iniciais
    Jussara Hoffmann


    O processo de formação de leitores está inevitavelmente atrelado à literatura infantil, cuja relevância no processo de aprendizagem vem resultando cada vez mais em estudos, pesquisas e investimentos educacionais para a implementação de bibliotecas escolares e a formação de professores quanto à sua função de despertar nas crianças o gosto e a prática da leitura por toda vida. Coelho (2011, p. 27-29) defende que

    "a literatura infantil é antes de tudo, literatura; ou melhor, arte: fenômeno de criatividade que representa o mundo, o homem, a vida (...). Funde os sonhos e a vida prática, o imaginário e o real. (...) sua natureza é a mesma da que se destina aos adultos. As diferenças que a singularizam são determinadas pela natureza do seu leitor/receptor: a criança."

    Desde o seu nascimento, a criança se encontra inserida em um mundo povoado de imagens e palavras, tornando-se profícuas leitoras desse contexto verbo-visual, criando e recriando significados próprios a partir de sua imaginação e fantasia, relacionando o que lê à sua própria vivência e experiência sociocultural. Ao observar, explorar, conviver com a variedade de imagens e textos que povoam a realidade atual, além de procurar compreendê-los e interpretá-los, ativa sua memória, inter-relaciona experiências e fatos, desenvolvendo o conhecimento de si mesma, o reconhecimento do outro e a descoberta do mundo.
    Formar crianças leitoras no Ensino Fundamental – Anos Iniciais – é considerada uma das tarefas essenciais e primordiais da escola, desde que signifique, para além de “ensinar a ler” ou de “um simples hábito”, despertar nas crianças o verdadeiro gosto pela leitura, o amor pelos livros, a oportunização de momentos de prazer, de aventura, de descoberta e de encantamento que a leitura literária pode propiciar.
    Alerta Eichenberg (2016, p. 35-36), com muita propriedade, que “o desafio de despertar o gosto pela leitura deve partir da ludicidade. O ato de brincar é a forma mais natural de a criança interagir com a realidade. Brincando, ela imita e recria o que observa na vida real, experimentando novos papéis e, desse modo, construindo situações sempre inéditas, fruto de seus desejos e necessidades”. Para a autora, ler é brincar, é criar, é se conhecer... 
    Se o brinquedo é uma forma de apropriação do mundo pela criança, o livro literário pode ser considerado o mais promissor dos brinquedos. Compreendendo, interpretando e apropriando-se do universo recriado pela ficção, a criança ressignifica a cultura dominante, vivenciando novas experiências a ponto de entender e representar o mundo enquanto constrói ludicamente sua identidade pessoal (op. cit., p. 40).
    Despertar o gosto pela leitura, portanto, parte necessariamente do reconhecimento, pelo professor, da literatura infantil como esse objeto artístico que promove a brincadeira, a imaginação e a fantasia, respeitando e aproveitando suas enormes possibilidades em sala de aula. 
    Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a literatura, como toda arte, não deve ser inserida no currículo escolar como meio de o aluno atingir um conhecimento específico e sistematizado, como informativo de conteúdos ou no intuito moralista, normativo. Ao contrário, a obra literária se basta por si mesma, oferecendo um panorama de possibilidades sem as limitações impostas pela vida cotidiana, devendo o professor aproveitá-la para estimular no aluno a reflexão imaginativa rumo ao autoconhecimento e ao conhecimento de mundo. 
    Em segundo lugar, a leitura plena de um livro de imagens exige das crianças atenção para duas linguagens: o texto e as ilustrações que se apresentam ao leitor e se comunicam de maneiras distintas. Essa questão fica ainda mais evidente nos livros em que a ilustração não é simplesmente “repetidora do texto escrito”, ou seja, quando as duas linguagens complementam-se e vão além, extrapolam, dizendo coisas que a outra não diz.

    "A literatura pode nos levar a um mundo idealizado, capaz de nos dar, sem nos alienar, o que o cotidiano nos nega. A literatura pode nos levar a conhecer pessoas, as personagens de ficção, que geram em nosso espírito simpatia ou antipatia, e possibilitam que o nosso “eu” se encontre e se reconheça ou se estranhe em diferentes “eus”(...). Saímos de um conto ou romance tontos de prazer e cheios de perguntas sobre o mundo e as pessoas que nos cercam. Sobre o mundo que somos nós e que, muitas vezes, desconhecemos" (ELIAS JOSÉ, 2009, p. 19).

    Fazemos tais considerações nessa apresentação porque é importante que o professor saiba escolher, a partir desses pressupostos, livros adequados a cada faixa etária. O conteúdo das histórias deve estar de acordo com a capacidade de compreensão infantil, tratando de temas relacionados aos anseios, gostos e desejos de cada fase em uma linguagem compatível com o estágio de desenvolvimento da criança, com o seu vocabulário, com o desenrolar das ações, entre outros, atrativos ao leitor. O formato da obra também se faz indispensável para que o texto construído, seja em prosa ou em verso, esteja em harmonia com a percepção da criança, ou seja, o livro fisicamente, apresentando formato, diagramação, ilustração e demais recursos visuais.
    Considerando que as imagens de um livro criam a memória visual do leitor, torna-se também possível a criação de um processo flexível para a leitura sem a necessidade de relacioná-las com o texto verbal (OLIVEIRA, 2008), principalmente quando a criança inicia a apreciar os livros e o seu processo de alfabetização. Uma imagem, assim como um texto escrito, pode apresentar várias camadas de leituras, o que requer de cada leitor captar e recriar as imagens a partir do seu próprio olhar. 
    Por último, mas muito importante, a linguagem metafórica na literatura infantil se faz indispensável. Como conclui Gardner (1997), a literatura, como toda arte, pressupõe um ato comunicativo por meio de um objeto simbólico criado pelo autor e, de alguma forma, compreendido, reagido e absorvido pelo leitor.
    Ler é também brincar! A situação imaginária no brinquedo tem continuidade na experiência com histórias infantis, pois essas situações ficcionais, segundo Cademartori, “dão prosseguimento à experiência não fortuita na vida da criança que é a simulação, primeira tentativa de emancipar-se das imposições do meio” (1991, p. 73). A capacidade imaginativa do leitor mirim é ativada pelo contato com a linguagem metafórica literária, da qual extrai novas experiências, vivenciadas no plano imaginário e assimiladas no plano real. Os subsídios e orientações que constituem esse Manual têm por base tais pressupostos teóricos e que justificam a inserção dessa obra no PNLD Literário 2018. Tais pressupostos poderão ser melhor compreendidos pela leitura das obras referenciadas a seguir. 

    Referências
    AGUIAR, Vera Teixeira de; BORDINI, Maria da Glória. Literatura: a formação do leitor. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1988.
    CADEMARTORI, Ligia. O que é literatura infantil. 5. ed. São Paulo: Brasiliense, 1991.
    CAMARGO, Luís. Ilustração do livro infantil. Belo Horizonte: Editora Lê, 1995.
    COELHO, Nelly Novaes. Literatura infantil: teoria, análise, didática. 7. ed., rev. e atual. São Paulo: Moderna, 2011. 
    ELIAS JOSÉ. Literatura infantil: ler, contar e encantar crianças. - 2. ed. - Porto Alegre: Mediação, 2009.
    EICHENBERG, Renata Cavalcanti. De mãos dadas com a leitura: a literatura infantil nos anos iniciais.  Porto Alegre:  Mediação, 2016.
    GARDNER. Howard. As artes e o desenvolvimento humano. Porto Alegre: Artmed, 1997.
    OLIVEIRA, Vera de Barros. O símbolo e o brinquedo: a representação da vida. Petrópolis: Vozes, 1992. 
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