Educação Infantil

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Lugar da criança na escola e na família

a participação e o protagonismo infantil

Altino José Martins Filho e Leni Vieira Dornelles (Orgs.)
ISBN: 978-85-7706-124-2
ed. 176 p.
Os autores reunidos neste livro trazem reflexões preciosas, sobretudo quando afirmam que o lugar que as crianças ocupam nas relações sociais é força motivadora para o novo, para a descoberta, sendo elas próprias produtoras de cultura. Seu intuito é chamar atenção de professores, gestores, famílias, pesquisadores e outras pessoas que tenham relação com as crianças para suas brincadeiras, linguagens, expressões, conversas, relações e sentimentos que compartilham entre elas próprias e com os outros nos contextos escolar e familiar. Nesse sentido, apresentam argumentos téoricos, cenas do cotidiano e depoimentos de crianças que revelam o importante “lugar” que elas ocupam nesses contextos, nem sempre percebidos, deixando-se de respeitá-las em seus direitos e singularidades.

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  • Sumário
    Apresentação

    Lugar da criança na escola e na família
    Altino José Martins Filho
    Leni Vieira Dornelles
     
    Para ampliar a discussão sobre os direitos das crianças:
    o que as crianças sabem e dizem sobre seus direitos
    Catarina Tomás
    Tempos, espaços e atores
    O que são direitos? Entre a ausência e o ter
    Direitos representados e apresentados pelas crianças
    Considerações finais
     
    Crianças em contextos familiares
    Simone Albuquerque
    Socialização das e com as crianças
    Socialização às avessas: implicações na e da pesquisa
    Quando as pesquisas que estudam famílias ouvem as crianças?
     
    A criança entre-lugares: na família e na escola
    Teresa Sarmento
    A criança como ator social
    A influência das crianças na vida dos adultos
    A criança na família e na escola
    O estatuto e a participação das crianças nos contextos educativos formais
    A participação das crianças no âmbito da relação escola-famílias
     
    Famílias contemporâneas: lugares de avós e crianças
    Anne Carolina Ramos

    Sobre as relações entre avós e netos nas famílias contemporâneas:
    o que as crianças têm a dizer sobre isso?
    Relações familiares e contato intergeracional:
    separações, (re)casamentos e divórcios
    Relações intergeracionais e afetividade
    Palavras finais: relações intergeracionais e a influência das crianças
     
    Do discurso da criança no centro
    à centralidade da criança na comunidade

    Teresa Vasconcelos
    Deslocando a criança do centro
    O discurso da criança no centro
    De regresso à comunidade
    Para uma educação inscrita no futuro
     
    Minúcias da vida cotidiana na prática docente
    Altino José Martins Filho
     
    Percursos da pesquisa com crianças
    Leni Vieira Dornelles
    Patrícia de Moraes Lima
    (Entre) cruzamentos: aproximações com os estudos da Sociologia
    da Infância
    Escutar a voz das crianças significa escutar a voz do adulto que
    se revela num discurso previamente interpretado
    A busca por uma etnografia pós-crítica com crianças
     
    Meninos e meninas em jogos de fotografar
    Marcia Aparecida Gobbi
    Quando as crianças fotografam: autoria
    Inventa-mundos: o poético e a imaginação nas fotografias
    Sombra, grade de amor, árvore do céu, três urubus, outras
    imagens e pensamentos
    Curiosando imagens, crianças e o cotidiano
     
    Sobre organizadores e autores
  • Trecho
    FAMÍLIAS CONTEMPORÂNEAS: 
    LUGARES DE AVÓS E CRIANÇAS
    Anne Carolina Ramos

    (Trecho do Cap. 4)

    Quando eu penso na minha avó, eu lembro que foi ela quem me fez vir ao mundo, porque ela teve a minha mãe, e a minha mãe me teve (Gabriella, oito anos, arquivo da autora).

    Toda vez que uma criança nasce, nasce – ou renasce – também um avô. A chegada de um neonato não modifica somente a vida dos novos pais, envolvidos diretamente no processo de gestação do mais novo descendente, mas a vida de todos os integrantes da família, representando uma reviravolta nas posições ocupadas por cada um no espectro das linhas geracionais. Os filhos tornam-se pais, os irmãos, tios, os pais, avós, e os avós, bisavós. Nessa “permutação simbólica dos lugares” (ATTIAS-DONFUT; SEGALEN, 1998), os filhos vão redefinir sua posição no seio familiar, buscando legitimar seu lugar como pais, ao mesmo tempo em que seus pais construirão a sua mais nova identidade: a de avós. Os laços entre eles e seus netos serão reveladores potenciais da qualidade dos laços de filiação, sendo amplamente predeterminados pelo tipo de relação estabelecida entre eles e seus filhos.
    O nascimento de um neto simboliza a perpetuação da história familiar. Ele não apenas sela a relação entre dois grupos, como garante que a descendência de ambas as partes aconteça plenamente, que a sua história continue a ser escrita por meio das novas gerações, traçando uma linha de continuidade entre o passado, o presente e o futuro. Essa linha, que se inicia num tempo longínquo, até o ponto em que a memória da história familiar de cada um de nós consegue alcançar, é transmitida e restituída pelos avós. São eles que garantem

     (...) a ligação, a passagem, a transição entre os seus predecessores, cujo rastro se perde muito depressa na noite dos tempos, e os seus sucessores, entre os quais, apenas [com] os mais próximos na ordem da filiação [é possível] compartilhar (FORQUIN, 2003, p. 1). 

    Os avós, ao inserirem o novo neto na ordem da filiação, mostram que existe um passado que é anterior a ele, que seus pais e avós também foram crianças e que eles mesmos tiveram seus próprios pais e avós. Esses últimos, mesmo quando falecidos, continuam a existir no presente, sendo reanimados pelas histórias e pelos elos transgeracionais criados pelas gerações mais velhas. 
    De um lado, os avós garantem o fundamento genético da família, o que possibilita que a vida seja dada às novas gerações: é apenas porque os avós deram vida aos pais que eles podem, agora, dar vida aos filhos. De outro, os netos garantem a continuidade familiar, a possibilidade de os avós criarem conexões entre o que os antecedia e tudo aquilo que virá depois deles. Se os netos dependem dos avós para nascer, esses também dependem de seus netos, pois é apenas com o nascimento dos netos que eles podem “nascer” como avós, num processo que os interliga e os constitui como sujeitos de uma mesma história familiar. Isso significa que as posições de “avô” e “neto” estão enraizadas nas relações familiares, fazendo com que a sua análise não possa ocorrer fora do que lhe dá sentido. É imprescindível que olhemos para a vida privada e para os significados atribuídos pelos próprios sujeitos nessas posições se quisermos compreender melhor como as relações entre eles se dão e se modificam de acordo com os estilos e os contextos de vida familiar nos quais estão inseridos.
    A família não é uma entidade natural, imutável e imune ao pathos da vida social como organismo vivo, é uma instituição social em contínuo processo de transformação. Durante as últimas décadas, temos vivido um grande número de mudanças que têm afetado os padrões de vida, multiplicando as formas de se viver em família. A maior expectativa de vida e a redução da taxa de fecundidade, por exemplo, verticalizaram a estrutura familiar, interligando seus membros mais pelos laços ascendentes e descendentes do que pelos laços colaterais. Por outro lado, o alto índice de uniões livres, divórcios e separações levou ao aumento do número de famílias que experimentam a monoparentalidade e a reconstituição familiar, movimentando a entrada e a saída de seus membros. Tais fatores afetam diretamente o modo como avós e netos se relacionam na contemporaneidade.
    A maior longevidade tem permitido que os avós presenciem não apenas o nascimento e a infância de seus netos, como o fato de se tornarem adultos e, muitas vezes, pais. Ao longo desse período estendido de coexistência, os avós podem assumir diferentes significados na vida de seus netos, mudando o tipo de interação estabelecida, assim como a própria intensidade do contato quando esses são crianças, adolescentes ou adultos. A fase da “avosidade” dura o tempo de todo um ciclo familiar, sendo redesenhada durante esses diferentes momentos e constelações. A maior expectativa de vida combinada à diminuição da taxa de natalidade também impulsionaram a verticalização dos laços familiares. Hoje um número expressivo de crianças tem mais contato com avós e bisavós do que com irmãos e primos, sendo muitas vezes o único foco de afeto, atenção e expectativa das gerações mais velhas (LEIRA; SARACENO, 2008).
    Ademais, as famílias também têm sido afetadas por mudanças estruturais decorrentes do aumento do número de divórcios, separações e novos casamentos. Tais rupturas e novas uniões não redirecionam apenas a vida do casal diretamente envolvido no elo conjugal. Quando existem filhos, esses também são afetados por suas decisões, assim como os próprios avós, que precisam negociar novas formas de interação familiar. Estima-se hoje que 40% das crianças experimentem o rompimento conjugal dos pais antes de completarem os 15 anos, e aproximadamente 80% dos pais separados voltem a se casar nos três anos seguintes. Desses, mais da metade viverá uma nova separação (COSTA, 2007). Como consequência do elevado índice de novos casamentos, um quarto das crianças viverá, por algum tempo, com uma família não consanguínea. Isso significa que as crianças interagem com avós que ora são biológicos, ora são sociais, ora são pais do genitor que possui a guarda, ora são pais daquele que não possui, ora moram juntos e ora nem sequer os conhecem.
    Frente a essas novas configurações, torna-se fundamental fazermos novas perguntas ainda pouco exploradas nos estudos socioantropológicos sobre relações intergeracionais: seriam os avós sociais considerados avós pelas crianças? Teriam eles o mesmo estatuto que os avós biológicos? Como divórcios e novos casamentos potencializam ou restringem os relacionamentos entre avós e netos? (...)

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