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Letramento, bilinguismo

e educação de surdos

Ana Claudia B. Lodi et al. (Orgs.)
ISBN: 978-85-7706-081-8
ed. 392 p.
Historicamente, a educação dos surdos é um tema inquietante. As propostas educacionais, mesmo tendo por objetivo propiciar o pleno desenvolvimento dos alunos surdos, resultam em uma série de limitações no cotidiano escolar. Esse panorama é debatido intensamente pelos autores que compõem essa publicação. Seus estudos advogam e sugerem a implantação de uma educação bilíngue para surdos nas escolas, defendendo o direito linguístico de a pessoa surda ter acesso aos conhecimentos sociais e culturais em uma língua na qual tenha domínio, respeitando-se a sua cultura e a sua identidade, em paralelo ao ensino efetivo da língua portuguesa e com profissionais habilitados para essa tarefa.
  • Sumário
    Apresentação
    Ana Claudia Balieiro Lodi


    Letramento e surdez: um olhar sobre
    as particularidades do contexto educacional
    Ana Claudia Balieiro Lodi
    Kathryn Marie Pacheco Harrison
    Sandra Regina Leite de Campos

    Surdos: um debate sobre letramento e minorias
    Ottmar Teske

    As minorias: como são produzidas?
    E o letramento?
    O letramento, as minorias e o movimento
    que esses podem provocar nas relações sociais
    O que acessam as minorias?
    Os perigos centrados no debate sobre as minorias
    sem a participação dessas
    Alternativas encontradas no campo dos Estudos Surdos
    e das minorias
    Os Estudos Surdos e as diferenças
    Conclusão: uma síntese dos sete pontos apresentados

    Multiculturalismo e surdez:
    respeito às culturas minoritárias
    Celeste Azulay Kelman

    Surdez: uma particularidade cultural
    Escola: instituição aberta à diversidade
    Bilinguismo e multiculturalismo: duas perspectivas

    Projetos educacionais para alunos surdos
    Kátia Regina de Oliveira Rios Pereira Santos

    A problemática da educação para surdos na escola
    Escola especial ou escola regular: um dilema necessário
    Diretrizes norteadoras para propostas educacionais

    A representação social da surdez:
    entre o mundo acadêmico e o cotidiano escolar
    Angela Carrancho da Silva

    O professor como mediador
    Em respeito à singularidade do surdo
    O papel indispensável do mediador

    O (não) ser surdo em escola regular:
    um estudo sobre a construção da identidade
    Fabiana Martins Rodrigues Soares


    A pedagogia da diferença para o surdo
    Gisele Maciel Monteiro Rangel
    Marianne Rossi Stumpf

    A diferença surda
    Nós, surdos, como diferença para nossos alunos surdos
    As lutas culturais dos alunos surdos
    O modelo de formação do professor surdo
    A trajetória na construção da formação do professor surdo
    Considerações acerca de professores da atuação
    de professores surdos
    Conteúdos que devem fazer parte do currículo
    de formação do professor
    O que deve levar em conta uma proposta curricular?
    Aspectos que devem fazer parte da formação
    do professor surdo em termos da língua de sinais
    Desafios do sistema educacional em termos
    da educação dos surdos

    Concepções de leitura e de escrita
    na educação de surdos
    Lodenir Becker Karnopp
    Maria Cristina da Cunha Pereira


    Encontros e desencontros da língua escrita
    Liliane Ferrari Giordani

    A língua escrita na escola: uma relação impossível?
    Encontros com a língua escrita nas pesquisas
    A língua escrita, narrativas e representações culturais:
    o tema da pesquisa proposta
    Da alfabetização ao conceito de letramento

    Práticas de leitura e escrita entre os surdos
    Lodenir Becker Karnopp

    Registros, depoimentos, denúncias
    Sobre a relação entre língua e identidade
    Varrendo ilusões

    A escrita como fenômeno visual
    nas práticas discursivas de alunos surdos
    Zilda Maria Gesueli

    A presença da imagem nas práticas discursivas
    Letramento na surdez: um processo multimodal?
    Considerações finais

    O "“BI"” em bilinguismo na educação de surdos
    Ronice Müller de Quadros

    Bi(multi)linguismo em meio a tantos desencontros
    O "“bi"” em bilinguismo: o ensino tardio nas escolas brasileiras
    Uma educação bilíngue linguística e culturalmente adititiva?

    Bilinguismo e surdez: a evolução dos conceitos
    no domínio da linguagem
    Eulalia Fernandes
    Claudio Manoel de Carvalho Correia

    O conceito de signo: visão tradicional
    Signo: implicações no desenvolvimento cognitivo
    A linguagem e os processos mentais
    O processo de maturação cognitiva
    Aquisição e desenvolvimento da linguagem pelos surdos
    A língua de sinais como primeira língua

    Língua de sinais e língua portuguesa:
    em busca de um diálogo
    Lodenir Becker Karnopp

    O contexto social em que a leitura e a escrita estão inseridas
    Os processos e práticas da produção textual
    O propósito (objetivo) da produção
    A relação entre aquele que produz um texto
    e aquele que o interpreta
    Questões da identidade daquele que produz um texto
    Conclusão

    Papel da língua de sinais na aquisição da escrita
    por estudantes surdos
    Maria Cristina da Cunha Pereira


    O Intérprete de Língua Brasileira de Sinais (ILS)
    Cristina Broglia Feitosa de Lacerda

    Interpretação/tradução: história, limites e possibilidades
    Traduzir versus interpretar
    Aspectos linguísticos, culturais e situacionais
    Diferenças entre o traduzir e o interpretar
    Compreender as ideias para além da palavra
    Legislação sobre a Libras e suas
    implicações para a atuação do intérprete
    Os ILS e a escola para os surdos
    ILS no Brasil
    A formação de intérpretes
    O Intérprete Educacional (IE)

    Alunos surdos e experiências de letramento
    Maria Cecília Rafael de Góes
    Dulcéria Tartuci

    Relato 1
    Relato 2
    Ocupação do lugar de aluno, a simulação de ser aprendiz
    e os rituais de sala de aula
    Considerações finais

    Inclusão escolar de surdos: o dito e o feito
    Niédja Maria Ferreira de Lima

    Inclusão: reflexões a partir do discurso oficial
    Currículo: a importância do outro na perspectiva dos Estudos Culturais
    A pesquisa: considerações metodológicas
    Síntese do perfil dos participantes
    Surdez e currículo
    Diferentes olhares sobre a surdez
    O currículo expresso sob diferentes perspectivas

    O direito dos surdos à educação
    (um estudo com jovens de 14 a 22 anos)
    Ana Dorziat Barbosa de Mélo
    Joelma Remigio de Araújo
    Filippe Paulino Soares

    Introdução
    Considerações sobre a inclusão e a educação de surdos
    A alteridade e a ressignificação das práticas pedagógicas
    Situando a pesquisa
    As práticas pedagógicas face à presença de surdos
    Relação professor-aluno
    Indiferença à Libras
    A construção do discurso da exclusão
    A pseudoaceitação da diferença
    O discurso dos professores sobre situações de inclusão
    Reflexões finais

    O Intérprete de Língua de Sinais (ILS)
    no ensino médio
    Ana Dorziat Barbosa de Mélo
    Filippe Paulino Soares

    O caminho da pesquisa
    A atuação do Intérprete de Língua de Sinais (ILS)
    O posicionamento/local do ILS em sala de aula
    A relação entre intérpretes, professores e estudantes surdos
    Considerações finais
  • Trecho
    Apresentação
    Ana Claudia Balieiro Lodi

    A década de 1990 foi um marco para o início das discussões relativas à necessidade de se repensar a educação de pessoas surdas. Esse movimento foi determinado, principalmente, pelo início dos estudos linguísticos sobre a Língua Brasileira de Sinais (Libras), pela necessidade dessa língua ser compreendida como a responsável pela constituição das pessoas surdas e como marca de sua diferença sociocultural. Para tanto, a educação pensada para surdos deveria garantir que a Libras assumisse status de primeira língua. Reuniões com representantes dos governos municipais, estaduais e federal, visando à implantação de processos escolares que considerassem a diferença linguística dos surdos, passaram a ocorrer em todo o país, e foi esse movimento nacional que acabou por suscitar, na sociedade e nos órgãos públicos de educação, o reconhecimento da importância da Libras. Em 2002, a Lei nº. 10.436/02 e, posteriormente, o Decreto nº. 5.626/05 passaram a regulamentar e a dispor sobre o direito dos surdos à educação bilíngue no país. Esse novo olhar para o grupo de surdos e para sua educação foi determinante para o aumento crescente de pesquisas, estudos e experiências nas escolas em termos de processos educacionais dos surdos a partir de então. Neste mesmo período, acompanhando o movimento mundial em defesa da educação inclusiva, o Brasil adota a política de inclusão de todos os alunos no sistema regular de ensino, fato que demandou das produções acadêmicas um novo olhar, no sentido de estudos e pesquisas sobre o lugar assumido pela Libras nos espaços educacionais inclusivos e sobre os papéis dos novos profissionais que passaram a compor esse cenário: professores surdos, professores bilíngues e tradutores/intérpretes de Libras. Este livro, composto por uma seleção de textos produzidos no período de 2002 a 2012, sobre letramento, bilinguismo, tradutores/intérpretes de Libras e educação dos surdos –– alguns ampliados e/ou atualizados, outros inéditos ––, retrata de forma consistente e admirável esse percurso histórico, trazendo significativas contribuições teóricas e exemplos de práticas pedagógicas de vanguarda construídas por estudiosos de diferentes áreas do conhecimento –– educação, linguística aplicada e ciências sociais –– interdisciplinaridade que caracteriza os estudos surdos. Todos os textos aqui reunidos podem ser considerados de vanguarda teórica por abordar questões que ainda merecem um grande empenho do poder público e dos educadores a serem melhor encaminhadas em nosso país. Sem dúvida, esta publicação irá contribuir sobremaneira para a formação dos educadores na área da surdez.

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