Inclusão e Educação Especial

Alta resolução +
De R$ 49,00 por R$ 39,20

Leitura e escrita

no contexto da diversidade

Ana Claudia B. Lodi et al. (Orgs.)
ISBN: 978-85-87063-84-7
ed. 112 p.
Esta publicação traz fundamentos teórico-práticos sobre letramento de minorias e educação dos surdos. Destacam-se temas de vanguarda, tais como a importância do brincar para o processo de letramento, o uso de recursos midiáticos nesse processo e um diálogo com famílias de alunos com deficiência mental sobre o processo de escolarização. As contribuições em relação ao tema resultam de muitos estudos e experiências das autoras com assessoria em escolas do país.
  • Sumário
    Apresentação

    A linguagem no brincar: repercussões do
    "“faz de conta"” para o processo de letramento

    Maria Cecília Rafael de Góes
    Patricia Lopes

    O poder da escrita e a escrita do poder
    Ana Claudia B. Lodi

    Contribuições para o debate sobre a política de inclusão
    Adriana Lia Friszman de Laplane

    Concepções de leitura e de escrita
    e educação de surdos

    Lodenir Becker Karnopp
    Maria Cristina da Cunha Pereira

    A escrita como fenômeno visual nas práticas discursivas de alunos surdos
    Zilda Maria Gesueli

    O recurso midiático como portador de texto no letramento de crianças surdas
    Sandra Regina L. de Campos
    Débora Caetano Kober
    Alexandre Jurado Melendes

    O (não) ser surdo em escola regular: um estudo sobre a construção da identidade
    Fabiana Martins Rodrigues Soares

    Educação universitária: reflexões sobre uma inclusão possível
    Kathryn Marie P. Harrison
    Ricardo Nakasato

    Encontros e desencontros da língua escrita na educação de surdos
    Liliane Ferrari Giordani

    A pedagogia da diferença para o surdo
    Gisele Rangel
    Marianne Rossi Stumpf

    A escrita e os alunos deficientes mentais nas escolas comuns e especiais
    Maria Inês Bacellar Monteiro

    O olhar de pais de sujeitos com deficiência mental sobre o letramento e escolarização/inclusão de seus filhos
    Evani Andreatta Amaral Camargo
  • Trecho
    Apresentação
    Nas últimas décadas temos assistido a um aumento de discussões voltadas ao questionamento das práticas de ensino-aprendizagem da linguagem escrita. Na busca por uma ampliação da noção de alfabetização e/ou uma redefinição de suas bases, o conceito de letramento torna-se central (Goulart, 2003). No entanto, sua incorporação ao contexto pedagógico-educacional não é um processo pacífico, pois seu uso acaba por colocar em tensão as concepções tradicionais de ensino-aprendizagem e, consequentemente, de linguagem que lhes são subjacentes. Segundo Soares (1998), a própria conceituação de letramento é controversa, na medida em que, como um fenômeno complexo e multifacetado, este tem sido concebido de maneiras distintas. No histórico traçado pela autora relativo à emergência do termo, Soares (1998) levanta que, subjacentes às definições que lhe tem sido dadas, são postas em jogo duas dimensões antagônicas de letramento: a dimensão individual e a social. Letramento, em sua dimensão individual, volta-se, fundamentalmente, ao processo de aquisição de habilidades linguísticas e psicológicas necessárias para o domínio da leitura e da escrita; ou seja, a leitura é vista como um conjunto de habilidades que vão desde a decodificação de palavras escritas, correlacionando os símbolos escritos com os sons da fala, até a capacidade de integração das informações providas pelos textos escritos por meio da captação de seus significados. A escrita, por outro lado, visa ao registro das unidades de som em símbolos escritos e à transmissão de informações com significado a um leitor potencial (Soares, 1998). Nessa perspectiva, letramento confunde-se com o conceito de alfabetização e é concebido como um processo ligado à instrução escolar formal. Além disso, essa visão “tecnológica” da leitura e da escrita mantém a tradicional dicotomia entre o que é oral e o que é escrita, estando esta última a serviço da primeira, pois toda ação produtiva e receptiva é realizada por intermédio de um trabalho no oral. Conforme Goulart (2003), a linguagem escrita, nesse contexto, é destituída de seu valor histórico e cultural e passa a ser tratada como um objeto independente de seu uso; torna-se, assim, um sistema fechado imune às transformações ligadas ao tempo e ao espaço. Somente na década de 1990, houve uma transformação nos modos de se conceber a leitura e a escrita, principalmente, a partir dos estudos realizados à luz de uma perspectiva sócio-histórica. Nessa, a interação entre linguagem escrita e valores socioculturais passou a ser enfatizada, perdendo, assim,seu valor unicamente pessoal/individual. Dessa forma, escrita e oralidade passaram a ser consideradas dentro de um contínuo de práticas sociais de linguagem não polarizadas, compondo práticas e eventos culturais e discursivos sócio-historicamente determinados. Diversos trabalhos foram desenvolvidos1, nos quais é possível se observar que as práticas de letramento têm seu início muito antes de as crianças começarem uma aprendizagem formal (escolar) da escrita, sendo desenvolvidas a partir de diferentes contatos em eventos de letramento, isto é, em situações em que a escrita constitui-se como parte fundamental na construção de sentidos (no discurso oral), nas relações estabelecidas nas diversas agências de letramento (família, igreja, escola, entre pares). Esses eventos influenciam o desenvolvimento das crianças, que passam a se relacionar de maneira privilegiada com a linguagem escrita, constituindo-se como sujeitos letrados. É nessa perspectiva que se insere o trabalho de Góes e Lopes e, portanto, com ele, iniciamos este livro. Em seguida, Lodi, a partir do relato sobre o papel da linguagem escrita na constituição da América Latina, relaciona os fatos da história com questões que têm perpassado algumas discussões atuais na esfera educacional. Nessa mesma direção, insere-se o capítulo seguinte, de Laplane, que, a partir de um estudo dos diversos documentos (nacionais e internacionais) que têm dado sustentação à política educacional inclusiva, problematiza as concepções que lhe são subjacentes, enfatizando aquelas que postulam a aceitação da diversidade no espaço escolar. A partir desses estudos que introduzem esta obra, diversos aspectos relativos ao desenvolvimento da leitura e escrita e à forma como esta vem sendo tratada no âmbito educacional geral passam a ser abordados, considerando a diversidade dos grupos sociais que constituem nossa sociedade. Nesse contexto, inserem-se os trabalhos de Karnopp e Pereira; Gesueli; Campos, Kober e Melendez; Soares, Harrison e Nakasato; Giordani e de Rangel e Stumpf, na esfera da surdez; e os de Monteiro e de Camargo no campo da deficiência mental. Pode-se dizer, dessa forma, que a presente obra é composta por textos que visam a apresentar e discutir aspectos relativos às diversas práticas sociais de linguagem de diferentes grupos sociais. Pretende dirigir a atenção do leitor, expandindo as discussões e demonstrando que muitas das questões que têm preocupado os pesquisadores e estudiosos da área são comuns aos diferentes grupos sociais e, que se assim tratadas, podem vir a estabelecer um diálogo profícuo e efetivo. Oferecemos ao leitor a possibilidade de percorrer os textos escolhendo seus atalhos e construindo suas próprias conclusões. Cabe acrescentar que os artigos que compõem esta obra foram apresentados e debatidos no II Fórum Letramento e Minorias, realizado em março de 2003, na Fundação de Rotarianos de São Paulo, dando continuidade aos trabalhos desenvolvidos no I Fórum Letramento e Minorias, ocorrido em 20022. Agradecemos às nossas instituições – Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP), Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (DERDIC-PUCSP) e Fundação de Rotarianos de São Paulo – Escola Especial para Crianças Surdas (FRSP-EECS) – que nos disponibilizaram recursos para a realização do II Fórum Letramento e Minorias. Agradecemos também ao nosso caríssimo Octacilio Tomanik Neto sempre disponível pessoal e profissionalmente na concretização dos dois eventos.

    As organizadoras



     

Sugestões de outros títulos:

carregando...