Inclusão e Educação Especial

Promoção de Natal
Alta resolução +
De R$ 48,00 por R$ 33,00

Intérprete de Libras

em atuação na educação infantil e no ensino fundamental

Cristina B. F. de Lacerda
ISBN: 978-85-7706-047-4
ed. 96 p.
A autora apresenta uma série de estudos realizados com intérpretes de Libras em "bidocência": presença simultânea da professora regente de classe e de intérpretes em salas de aula com crianças surdas. Contempla o leitor com fundamentos teóricos, fatos e comentários de professores regentes e de intérpretes, contribuindo para uma séria reflexão acerca da construção de uma escola bilíngue no ensino regular. Leitura indispensável a intérpretes de Libras, gestores, professores, pais e demais envolvidos em educação de surdos.
  • Sumário
    Apresentação
    Sobre linguagem e surdez: a" “palavra"” no processo de conhecimento
    Tradutor/intérprete: um ato ético e de responsabilidade

    Interpretação/tradução: história, limites e possibilidades
    Traduzir versus interpretar
    Aspectos linguísticos, culturais e situacionais
    Diferenças entre o traduzir e o interpretar
    Compreender as ideias para além da palavra

    O Intérprete de Língua Brasileira de Sinais (ILS)
    Legislação sobre a Libras e suas implicações para a atuação do intérprete
    Os ILS e a escola para os surdos
    ILS no Brasil
    A formação de intérpretes
    O Intérprete Educacional (IE)

    Escolas e intérpretes

    As ILS na educação infantil
    A educação infantil para as crianças surdas
    O papel das ILS e as professoras da educação infantil
    A relação das ILS com as professoras
    A relação das ILS com os alunos surdos
    O domínio restrito de Libras pelas crianças e as estratégias das ILS
    Formação das ILS em serviço
    Conhecimento da escola e das ILS sobre a surdez

    As ILS no ensino fundamental
    Uma proposta que assegure o direito à formação integral
    O papel das IE no ensino fundamental (primeira etapa)
    A relação das ILS com os alunos surdos
    A relação das ILS com as professoras
    A relação das ILS com a escola
    A organização pedagógica e a participação das ILS
    A formação em serviço das ILS
    Participação das ILS no planejamento escolar

    O papel de ILS na educação infantil e no ensino fundamental

    Anexo 1 - Programa escolar inclusivo bilíngue
  • Trecho
    O papel de ILS na educação infantil
    e no ensino fundamental

    Trecho retirado do Cap. 6 págs. 81-82

    O estudo realizado permite concluir que a participação de pelo menos dois educadores em sala de aula: a presença da professora regente de classe e da intérprete de Libras, cria na escola inclusiva bilíngue uma condição bastante singular. Essa dupla presença parece exigir dos alunos surdos uma atenção seletiva, considerando quem é o condutor principal da atividade e quem é o enunciador para o qual ele deve voltar sua atenção. Essa tarefa para os alunos do ensino fundamental se mostra relativamente difícil já que as ILS apontam para a desatenção, a desmotivação e a necessidade de estarem constantemente pedindo sua atenção, todavia relatam também que isso melhora quando estão diante de alunos mais velhos (4ª série), mais capazes de compreender as finalidades do trabalho escolar e o papel de cada um dos profissionais que atua em sua sala de aula. Resultados pedagógicos positivos são alcançados, mas parece haver a necessidade de um esforço coletivo para que as crianças surdas mantenham sua atenção e compreendam a função da ILS. Esse mesmo problema é enfrentado na educação infantil, todavia, nesse nível de ensino, ele parece ser bem mais agravado pelas características próprias de crianças nessa faixa etária. As crianças surdas que frequentam a educação infantil são pequenas e têm dificuldade em centrar a atenção, obedecer regras, entender aspectos da dinâmica da sala de aula, características comuns às crianças da educação infantil, que constroem essas capacidades na e com a própria vivência escolar. Assim, como foi visto nos depoimentos, as ILS precisam interromper a aula, muitas vezes, para dirimir dúvidas, explicar conteúdos e conceitos individualmente, conquistar a atenção das crianças, buscar sinais e formas adequadas de passar os conteúdos na tentativa de construir com elas os conceitos almejados a partir das possibilidades que apresentam. Nesse sentido o trabalho da intérprete se torna complexo e por vezes distorcido, pois apenas interpretar é bastante insuficiente. Achados semelhantes foram discutidos por Turetta (2006) em sua pesquisa focalizando inclusão de crianças surdas na educação infantil.
    Nesse ambiente, as intérpretes se desdobram para conquistar a atenção das crianças, para ganhar sua confiança e para colaborar na construção de uma língua comum que possibilite trocas mais efetivas e o melhor desenvolvimento geral possível. Mas, para tal, muitas vezes, se aproxima das crianças de tal modo que sua função se confunde e as crianças parecem ter dificuldade em perceber a configuração do papel da IE (que de fato é múltipla nesse ambiente), pois elas querem brincar, querem que a intérprete realize todos os desejos, visto que é difícil para elas entenderem que aquele adulto que sabe Libras e que pode se comunicar com elas com menos dificuldade não esteja sempre a sua disposição só para conversar e brincar.
    Um segundo ponto a ser destacado diz respeito ao caráter bilíngue necessário a esse ambiente escolar. As aulas nos dois níveis de ensino eram preparadas e apresentadas em língua portuguesa (predominante no ambiente escolar) e essa língua era inacessível às crianças surdas. A Libras era usada então apenas como instrumento para dar acesso ao que a professora ensinava falando e não circulava efetivamente em sala de aula como uma língua, circunscrevendo a ILS a um papel secundário. Os depoimentos das ILS nos dois níveis de ensino destacam os problemas que essa prática impõe: dificulta o processo de aprendizagem dos alunos surdos em muitos casos, já que os conteúdos são elaborados em português e repassados em Libras, nem sempre de forma adequada e compreensível para as crianças. Nesse contexto, e de forma mais proeminente no ensino fundamental, as ILS se sentem responsáveis pelas dificuldades e incompreensões dos alunos surdos, assumindo para si a tarefa de ensinar. Procuram formas alternativas de passar os conteúdos e assumem, em certa medida, o papel que seria dos professores.Ainda sobre a condição bilíngue um outro ponto merece destaque.
    A educação infantil tem a responsabilidade de contribuir para o desenvolvimento da linguagem de qualquer criança, mas seu compromisso com a criança surda tem um componente singular em virtude da necessidade de construir a condição bilíngue. Em nenhuma outra esfera de atividade social são propiciadas situações suficientes para a aquisição de qualquer das duas línguas: família, comunidade, espaço terapêutico (mesmo o trabalho fonoaudiológico, no espaço clínico para terapia de fala, quando é acessível, nem sempre resolve o problema). Para essa construção é imprescindível privilegiar a Libras, mesmo que o conjunto de experiências escolares abranja atividades orientadas para a língua portuguesa (por exemplo, a modalidade escrita). Essa diretriz se justifica pela necessidade de promover o uso de uma língua que permita processos de comunicação e de significação ?– a Libras no caso dos alunos surdos, que servirá de base para a aquisição da língua portuguesa em sua modalidade escrita, um dos alvos centrais do processo de escolarização. Todavia, os depoimentos das intérpretes indicam que a Libras assume um caráter secundário na sala de aula, e as crianças surdas, por seu pouco domínio de Libras, ficam impossibilitadas de construir os conhecimentos almejados, já que eles são apresentados em português e os espaços oferecidos para a aprendizagem/desenvolvimento de Libras são secundários.

Sugestões de outros títulos:

carregando...