Educação Infantil

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Infância e educação infantil

uma abordagem histórica

Moysés Kuhlmann Jr.
ISBN: 978-85-87063-16-8
ed. 192 p.
Os textos aqui reunidos tratam da história da infância e das políticas e concepções que influenciaram as propostas em Educação Infantil desenvolvidas nas escolas e instituições do país. O autor, renomado pesquisador na área, oferece um panorama importante para a compreensão das práticas vigentes e aponta caminhos para o repensar das políticas educacionais em respeito à infância. É leitura indispensável aos pesquisadores, estudantes da área, professores de Educação Infantil e gestores.
  • Sumário
    Introdução

    Infância, história e educação

    Assistência e pan-americanismo: o dia da criança e a comemoração da descoberta da América

    A proteção à infância e a "“assistência científica"”

    As exposições internacionais e a difusão das creches e jardins-de-infância (1867-1922)

    Instituições pré-escolares assistencialistas no Brasil (1899-1922)

    Pedagogia e rotinas no “"Jardim de Infância"”

    A educação assistencialista

    Políticas para a educação infantil: uma abordagem histórica
  • Trecho
    Introdução
    (...) Frequentemente, recordo o espanto de uma ex-colega de trabalho da rede de creches da prefeitura paulistana quando lhe falei, no início da década de 1990, que a minha pesquisa de mestrado era sobre a história da Educação Infantil, um século atrás. Assim que lhe contei, ela de imediato reagiu: – Mas, Moysés, nós precisamos de propostas para agora! Diante dos problemas e das necessidades do seu cotidiano, o estudo do passado lhe parecia diletantismo. Afinal, por que os que trabalham com a educação das crianças pequenas precisariam se ocupar da história dessas instituições? A Educação Infantil é desvalorizada nas pesquisas educacionais. Mais ainda é a sua história, mesmo entre os que trabalham com a educação das crianças pequenas. Em geral, os estudos privilegiam outras áreas, como a Psicologia. A história seria útil apenas para compor um quadro de referência; mas ela seria mesmo inútil, pois se ocupa do que já passou; ou a história seria inútil por ser teórica, distante das necessidades da prática. Quando se toma a história como útil, recorre-se a ela com uma certa ligeireza. Às vezes, diante da ausência de pesquisas, consulta-se um ou dois relatórios, ou outra fonte do período, acrescida de alguma referência bibliográfica da moda. Selecionam-se, das fontes estudadas, exemplos confirmadores de hipóteses previamente definidas, como uma camisa de força a vestir os dados de uma história escrita de antemão. Mesmo não sendo negada, a história é transformada em jargão: se tudo é histórico, escreva-se um primeiro capítulo e siga-se adiante. O passado se torna um dado frio sem a vitalidade do presente. Entende-se a história como uma evolução linear, um recurso à mão para explicar ou justificar propostas atuais. O passado teria sido necessariamente atrasado e o que se está fazendo inaugura uma nova era: agora, a instituição será educacional, agora se dará importância ao brinquedo e à brincadeira, agora se começará a atender às necessidades da criança; expressões que, surpreendentemente, podem ser encontradas mesmo em textos de um século atrás. Quando se desvaloriza a história por ela se ocupar do que já passou, o risco está na ilusão de se inventar a roda novamente. Atribuir-se a inauguração do novo pode até ser motivo para obter altos rendimentos vendendo a novidade no mercado. Mas também é motivo do rápido desvanecer de propostas mirabolantes, ou mesmo do ridículo diante da falta de seriedade e de consistência. Quando se descarta a história porque seria teórica, transfere-se para a teoria a crítica à academia, às instituições e às pesquisas que se isolam das demandas sociais, produzindo ideias vazias que não levam a nada. Assim, essa crítica também estimula a demanda por soluções fáceis, por receituários robotizadores para práticas irrefletidas. No lugar de alertar para os cuidados a se ter quando se está no campo teórico, para que o processo de abstração seja consequente, nota-se muitas vezes uma concepção que infantiliza as professoras e professores; que lhes quer ensinar, por exemplo, apenas os exercícios de desenho que farão com as crianças, no lugar das técnicas artísticas e do cultivo do gosto estético. Enquanto se defende que as crianças tenham favorecida sua autonomia e se motivem para a fruição dos bens culturais, que aprendam a gostar de ler e de conhecer, ignora-se que os educadores também precisam desfrutar dessas condições, além, é claro, das condições dignas de trabalho e de salário. É impossível controlar os imprevistos das situações reais, o que as propostas que rejeitam a teoria fazem supor. Daí, a formação dos educadores exigir a capacitação teórica que permita, a partir da reflexão e do pensamento crítico, trazer das abstrações um alimento para a prática cotidiana. (...)

     

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