Inclusão e Educação Especial

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Inclusão, práticas pedagógicas e trajetórias de pesquisa

Denise Meyrelles de Jesus et al. (Orgs.)
ISBN: 978-85-7706-018-4
ed. 304 p.
Reúnem-se aqui estudiosos de várias universidades brasileiras para expor suas ideias e tendências diante de questões que desafiam a escola e dão forma aos fenômenos educativos que focalizam os alunos considerados diferentes, deficientes ou com necessidades educativas especiais. Abordam, entre outras temáticas, questões que envolvem o ato de ensinar, alternativas de formação para o educador, espaços de escolarização e características do currículo em uma perspectiva inclusiva.
  • Sumário
    Apresentação
    O conceito flexibilidade curricular
    nas políticas públicas de inclusão educacional

    Rosalba Maria Cardoso Garcia (UFSC)

    Políticas de inclusão: o verso e o reverso de discursos e práticas
    Mônica de Carvalho Magalhães Kassar (UFMS)
    Elcia Esnarriaga de Arruda (UFMS)
    Marielle Moreira Santos Benatti (UFMS)

    Política de educação inclusiva nas escolas: trajetória de conflitos
    Ivanilde Apoluceno de Oliveira (UEPA)

    O sujeito com deficiência mental: um estudo dos processos de aprendizagem na perspectiva histórico-cultural
    Alexandra Ayach Anache (UFMS)
    Albertina Mitjáns Martinez (UnB)

    A inclusão escolar de surdos: um olhar sobre o currículo
    Ana Dorziat (UFPB)

    S.O.S. inclusão escolar: avaliação de um programa de consultoria colaborativa com base em diários de campo
    Enicéia Gonçalves Mendes (UFSCar)
    Cristina Yoshie Toyoda (UFSCar)
    Paola Bisaccione (UFSCar)

    O projeto da educação inclusiva: perspectivas e princípios de implementação
    Hugo Otto Beyer (UFRGS)

    Contribuições das teorias do desenvolvimento da linguagem para a pesquisa em comunicação alternativa e ampliada
    Leila Regina d´Oliveira de Paula Nunes (UERJ)

    Investindo na escola pública, visando contribuir
    com a inclusão: relato sobre uma pesquisa participante

    Lúcia de Araújo Ramos Martins (UFRN)

    A educação escolar de alunos com deficiência intelectual pode se viabilizar na perspectiva do letramento?
    Maria Cecília Carareto Ferreira (UNIMEP)

    Alunos com necessidades especiais no recreio da escola inclusiva
    Maria Cecília Rafael de Góes (UNIMEP)

    A inclusão de pessoas com deficiência na universidade
    Theresinha Guimarães Miranda (UFBA)

    O discurso da inclusão social e escolar: o sim e o não
    Anna Maria Lunardi Padilha (UNIMEP)

    Rompendo paradigmas: as contribuições de Vygotsky, Paulo Freire e Foucault
    Carlos Alberto Marques (UFJF)

    Vestígios... Pistas e relações entre pensamento sistêmico e processos inclusivos
    Claudio Roberto Baptista (UFRGS)

    Vozes e narrativas na ação grupal: trajetórias de formação de professores-pesquisadores na perspectiva da inclusão escolar
    Denise Meyrelles de Jesus (UFES)

    Que tipo de conhecimento as pesquisas
    de pós-graduação têm fornecido sobre inclusão?

    Eduardo José Manzini (Unesp)

    Educadores sociais: por uma "“teoria substantiva” de “(super)visão (psico)pedagógica"”
    Hiran Pinel (UFES)

    A produção discente do PEPG em educação: história, política sociedade (PUC/SP) no campo dos processos de escolarização, desigualdades sociais e deficiência (2004/2007)
    José Geraldo Silveira Bueno (PUC/SP)

    Quando as pessoas com deficiência começam a falar: histórias de resistência e lutas
    Katia Regina Moreno Caiado (PUC/Campinas)

    Retratos urbanos de deficiência
    Lucia Helena Reily (UNICAMP)

    Questões epistemológicas da pesquisa em educação especial no Brasil
    Luciana Pacheco Marques (UFJF)

    A pesquisa em educação especial na Universidade Federal de Santa Maria
    Maria Inês Naujorks (UFSM)

    A narrativa como possibilidade de abordagem dos conhecimentos produzidos pelo professor sobre sua prática
    Ivone Martins de Oliveira (UFES)

    Cursos de licenciatura com bases inclusivas: impressões de alunos com necessidades educacionais especiais e de seus professores
    Laura Ceretta Moreira (UFPR)

    Estágio e pesquisa: uma contribuição à formação
    inicial de professores de educação especial

    Maria Aparecida Santos Corrêa Barreto (UFES)

    Professores especializados de um centro de apoio: estudo sobre saberes necessários para sua prática
    Rosângela Gavioli Prieto (USP)

    A produção de artigos científicos como dispositivo à reflexão crítica e à pesquisa na formação inicial de professores de educação especial
    Sonia Lopes Victor (UFES)
  • Trecho
    O sujeito com deficiência mental: Processos de aprendizagem na perspectiva histórico-cultural

    Alexandra Ayach Anache
    Universidade Federal do Mato Grosso do Sul
    Albertina Mitjáns Martinez
    Universidade de Brasília
     
    O objetivo deste texto é apresentar uma reflexão sobre os processos de aprendizagem de pessoas que apresentam deficiência mental, à luz da perspectiva histórico-cultural. Para iniciarmos o assunto, entendemos ser pertinente realizar uma incursão pelo tema aprendizagem. Essa opção decorre de pesquisas que realizamos sobre avaliação em educação especial, incitando-nos ao aprofundamento desse assunto. Nessa direção, Mitjáns Martínez (2005, p.100) afirma que a aprendizagem como dimensão subjetiva é (...) uma função do sujeito psicológico, exercida a partir das suas configurações subjetivas, constituídas historicamente e dos sentidos subjetivos gerados na relação altamente singularizada precisamente pela mediação das configurações subjetivas dos sujeitos envolvidos nela. É nas condições concretas de vida e nos diferentes espaços de relação que o sujeito se constitui. Nesse processo, estão inclusas as apropriações dos conhecimentos historicamente acumulados pela sociedade, que permitem a todos a aquisição de habilidades, atitudes, valores, etc., ou seja, referimo-nos aqui aos valores culturais. Assim, cada cultura gera formas diferentes de aprendizagem. A aprendizagem da cultura acaba por levar a uma determinada cultura da aprendizagem. As atividades de aprendizagem devem ser entendidas no contexto das demandas sociais que as geram. Além de, em diferentes culturas se aprenderem coisas diferentes, as formas ou processos de aprendizagem culturalmente relevantes também variam. A relação entre o aprendiz e os materiais de aprendizagem está mediada por certas funções ou processos de aprendizagem, que se derivam da organização social dessas atividades e das metas impostas pelos instrutores (Pozo, 2002, p.25). Assim, indagamos sobre as formas de aprendizagem de pessoas que apresentam deficiência mental. Nesse sentido, esclarecemos que não há um modo homogêneo de aprender, mas sim diferentes formas de aprender. Tal premissa nos impõe alguns desafios, dentre eles, o de compreender esse processo numa cultura em que se privilegia basicamente o processo mnemônico. Assim, a deficiência mental não estabelece uma forma universal de aprendizagem, portanto, ela deve ser entendida mediante as demandas culturais que as produzem.A história registra que a sociedade sempre teve dificuldades para lidar com as características advindas da condição de deficiência mental. Nossas experiências de pesquisa nos possibilitaram observar que, embora a educação formal seja um direito garantido oficialmente, as inquietações referentes à aprendizagem das pessoas que apresentam deficiência mental ainda permanecem. Talvez uma das justificativas para tal situação seja decorrente de critérios preestabelecidos, como, por exemplo, os construídos pela própria definição, expressão do impacto que o modelo biomédico tem tido na psicologia. Nessa perspectiva, pessoas com deficiência mental são aquelas que apresentam um funcionamento mental abaixo da média, acompanhado de limitações significativas no funcionamento adaptativo em pelo menos duas das seguintes áreas de habilidades: comunicação, autocuidados, vida doméstica, habilidades acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e segurança. Seu início deve ocorrer antes dos 18 anos. O retardo mental possui etiologias diferentes e pode ser visto como uma via final comum de vários processos patológicos que afetam o funcionamento do sistema nervoso central (Associação Americana de Retardo Mental, 1995, 2002). Embora esse conceito seja o oficialmente assumido no Brasil, ele apresenta uma concepção de aprendizagem da pessoa com deficiência fundamentada em uma visão adaptativa e naturalista sobre os processos de aprendizagem. Os aportes apresentados pela perspectiva histórico-cultural nos ofereceram possibilidades de problematizarmos esta visão, uma vez que nessa perspectiva a deficiência é entendida como uma construção social e o sujeito é considerado na sua singularidade. Enfatizar o social no processo de construção da deficiência não significa negá-la, mas entendê-la como um fenômeno que precisa ser enfrentado por todos, já que as funções psicológicas superiores se constituem por intermédio das atividades humanas no contexto cultural. Mudanças conceituais e atitudinais resultam necessárias para avançar na compreensão das formas diferenciadas que os processos de aprendizagem assumem e, muito especialmente, para reorganizar o trabalho pedagógico para favorecer de forma efetiva a aprendizagem e o desenvolvimento das pessoas consideradas com deficiência mental (Mitjáns Martínez, 2006a). Isto foi confirmado pelos debates que surgiram a partir de projetos de extensão que realizamos junto a professores que atuavam na educação de pessoas que apresentam deficiência mental, nos quais se registraram tensões e dúvidas sobre as possibilidades de ensinar os estudantes que estavam matriculados em suas salas de aulas. Notamos, também, que as tensões são fundamentais no processo de reflexão e podem gerar transformações significativas (Anache, 2001).

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