Educação Infantil

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Fundamentos e práticas da avaliação

na Educação Infantil

Célia Maria Guimarães et al. (Orgs.)
ISBN: 978-85-7706-102-0
ed. 360 p.
Avaliar na educação infantil é particularmente difícil e encerra várias ambiguidades a começar pela forma de conceber o seu papel e finalidades. Essas questões relacionam-se em parte com a própria evolução histórica da educação infantil, nomeadamente a forma como vem sendo entendida a articulação entre os conceitos de cuidar e educar, ensinar e educar, ensinar e aprender. Será que se pode falar em avaliação de processos e resultados desde a educação infantil? Quais são os referenciais teóricos e práticos que fundamentam o processo de avaliação na creche e na pré-escola? Qual o apoio que pode ser oferecido aos profissionais em termos da avaliação das crianças no sentido de que desenvolvam práticas avaliativas em respeito à sua singularidade? Essas são apenas algumas das várias questões que estão subjacentes à organização desta publicação da qual fazem parte alguns dos principais educadores e educadoras que, em Portugal e no Brasil, vêm estudando essa problemática.
  • Sumário
    Prefácio
    Zilma de Moraes Ramos de Oliveira


    Prefácio
    Teresa Vasconcelos


    Apresentação
    Célia Maria Guimarães
    Maria João Cardona
    Daniele Ramos de Oliveira


    PARTE I
    Políticas educativas e de formação de crianças de
    e zero a seis anos em Portugal e no Brasil


    A educação infantil em Portugal:
    visão panorâmica e evolução da política educativa

    João Formosinho
    Júlia Oliveira-Formosinho

    Políticas educativas e avaliação na infância no Brasil
    Maria Malta Campos

    PARTE II
    Estudos sobre a avaliação na educação infantil


    Práticas de avaliação em educação infantil: evidências de uma investigação naturalista em três jardins de infância diferentes
    Aida Castilho
    Pedro Rodrigues

    Estudos sobre a avaliação na/da educação infantil:tendências das pesquisas e das práticas brasileiras (1996-2011)
    Célia Maria Guimarães
    Daniele Ramos de Oliveira

    PARTE III
    Concepções educativas e práticas de avaliação


    Concepções educativas e práticas de avaliação:
    as preocupações dos profissionais em Portugal

    Ana Coelho
    Joana Chélinho

    Concepções e práticas de avaliação na educação infantil brasileira
    Gilza Maria Zauhy Garms
    Marisa Oliveira Vicente dos Santos

    PARTE IV
    Fundamentos e práticas da avaliação na educação infantil


    Perspectivas e práticas da avaliação em educação infantil
    Isabel Lopes da Silva

    Perspectivas e interfaces da avaliação da/na educação infantil
    Hilda Micarello
    Maria Cristina Fontes Amaral

    PARTE V
    A avaliação no desenvolvimentoda qualidade educativa


    O projeto EEL-DQP: avaliação e desenvolvimento
    da pedagogia sustentada na documentação pedagógica

    Júlia Oliveira-Formosinho

    Por uma avaliação anticolonialista na educação infantil
    Ana Lúcia Goulart de Faria
    Fabiana Oliveira Canavieira

    PARTE VI
    Avaliando as aprendizagens das crianças


    Avaliar o desenvolvimento
    e as aprendizagens das crianças: desafios e possibilidades

    Gabriela Portugal

    Avaliação mediadora na educação infantil
    Jussara Hoffmann

    PARTE VII
    Avaliando na creche e na pré-escola:alguns exemplos


    Exemplos de práticas de avaliação de educadoras portuguesas
    Ana Mendes
    Maria João Cardona

    Avaliação na creche e na pré-escola: possibilidades e limites
    Célia Maria Guimarães
    Daniele Ramos de Oliveira

    PARTE VIII
    O papel da documentação pedagógica na avaliação: portfólios


    Portfólio: uma estratégia de avaliação na educação infantil
    Cristina Parente

    O portfólio sob o olhar da criança
    Cassiana Magalhães
    Nadia Aparecida de Souza

    PARTE IX
    Entre a educação pré-escolar e a escola
    mudam as práticas de avaliação


    Avaliar para aprender nos primeiros anos
    Jorge Pinto
    Leonor Santos

    A avaliação na e da educação infantil
    Vital Didonet

    Sínteses curriculares dos autores e autoras
  • Trecho
    Apresentação
    Célia Maria Guimarães
    Maria João Cardona
    Daniele Ramos de Oliveira

    A complexidade associada ao conceito de avaliação em educação, considerando a diversidade de concepções e finalidades que lhe podem estar subjacentes, torna difícil o seu estudo e dificulta a sua definição. Se essa questão se coloca relativamente à educação escolar, na educação infantil essa dificuldade torna-se ainda mais evidente, tendo em conta a sua especificidade. 
    O trabalho de avaliação, antes da entrada na escola obrigatória, é particularmente difícil e alvo de várias ambiguidades que começam por se verificar na forma de conceber o seu papel e finalidades. Essas questões relacionam-se, em grande parte, com a própria evolução histórica que tem caracterizado a educação infantil e escolar nos últimos anos, nomeadamente a forma como é entendida a dissociação e/ou articulação entre os conceitos de "cuidar e educar", "educar e ensinar", "ensinar e aprender". Será que se pode falar de avaliação de processos e resultados desde a educação infantil? Quais são os referenciais teóricos e práticos que fundamentam o processo de avaliação na creche e na pré-escola? Qual o apoio (teórico/prático) que pode ser oferecido aos profissionais em termos da avaliação das crianças para que desenvolvam práticas avaliativas que respeitem a sua singularidade? Como é que as crianças participam ou podem participar no trabalho de avaliação? E as famílias? Como é que essas questões são vividas pelos profissionais da creche e da pré-escola? Na formação inicial e continuada, como é e/ou como deve ser trabalhada a avaliação? Essas são apenas algumas das questões que estiveram subjacentes à organização desta publicação que reúne trabalhos de alguns dos principais autores e autoras que, em Portugal e no Brasil, têm estudado essa problemática. Esta obra pretende sistematizar e divulgar os seus trabalhos sobre avaliação na educação infantil, temática que preocupa a todas e a todos os que trabalham nesse segmento de ensino: educadores, formadores, investigadores. A avaliação é uma questão que não é nova aos outros níveis de ensino, mas que, relativamente à educação das crianças mais pequenas, tem vindo a assumir particular relevância na maioria dos países, a par da definição de orientações curriculares e da preocupação de existir uma maior articulação entre a educação escolar e a etapa da educação infantil. A evolução sociopolítica, a par da sua pertinência, coloca também novas questões e desafios às educadoras e aos educadores que trabalham nas creches e pré-escolas. Se bem que, sendo diferentes as realidades de Portugal e do Brasil, algumas preocupações relativamente à avaliação na educação infantil são semelhantes, e analisá-las ajuda a uma compreensão mais aprofundada das duas realidades e abre outras perspectivas de abordar o tema em nível teórico-prático. Essa questão, que é universal, necessita de uma maior reflexão teórico-prática capaz de oferecer um expressivo apoio aos profissionais e à formação dos profissionais, nomeadamente em relação às práticas avaliativas e sobre a finalidade e os modos de proceder à avaliação da criança. No Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN/96), em seu artigo 31, anuncia que "[...] a avaliação na educação infantil far-se-á mediante acompanhamento e registro de seu desenvolvimento, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental" (Brasil, 1996). De acordo com a Resolução nº. 5, de 17 de dezembro de 2009, que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI), as instituições de educação infantil têm, como uma de suas incumbências, criar procedimentos para acompanhamento do trabalho pedagógico e para avaliação do desenvolvimento das crianças, sem objetivo de selecionar, promover ou classificar. Desse modo, em relação à avaliação, oficialmente temos duas principais orientações a seguir que se complementam: a documentação pedagógica e a utilização de múltiplas formas de registro. Em Portugal, é sobretudo a partir de 1997, com a definição de orientações curriculares para a educação pré-escolar (dos três aos seis anos), que a questão da avaliação começa a ocupar uma maior relevância e a preocupar os educadores e educadoras de infância. Num estudo feito por Isabel Lopes da Silva (2005), em que foram inquiridos todos os profissionais sobre a forma como estavam a utilizar essas orientações, os dados indicam uma avaliação positiva sobre a generalidade do documento, mas é referido que, relativamente ao trabalho de avaliação, continuavam a existir muitas dúvidas e dificuldades. Ao se agravar essa questão, a partir do final da década de 90 (século XX), os estabelecimentos públicos dos diferentes níveis do ensino não superior, começaram a ser organizados em agrupamentos, processo que veio implicar a necessidade de um maior trabalho conjunto entre a educação pré-escolar e o primeiro ciclo do ensino básico, sendo necessário reforçar a especificidade da avaliação no jardim de infância em relação à escola. Nesse sentido o Ministério da Educação divulgou orientações no sentido de a avaliação na educação pré-escolar ter de incidir mais sobre os processos do que sobre os resultados, visando apoiar o planejamento do trabalho. Em relação à formação, em 2001 foram publicados os perfis de desempenho dos profissionais de educação infantil que apresentam, entre outras competências, a avaliação numa perspectiva formativa, tendo em conta o desenvolvimento e a aprendizagem de cada criança e do grupo. A partir do reconhecimento da educação infantil como primeira etapa da educação básica, tanto em Portugal como no Brasil, na sequência das reformas políticas realizadas no final da década de 90 (séc. XX), a questão da avaliação assumiu uma nova atualidade, surgindo a necessidade de se refletir melhor sobre a sua especificidade em relação à escola, mas sem esquecer que a problemática da avaliação na educação infantil não pode ser pensada de forma independente da escola. As lacunas da pesquisa sobre a avaliação, as várias dificuldades sublinhadas sobre as práticas educativas e de formação, o momento histórico e político da educação infantil em vários países e, de modo especial, do debate sobre a avaliação oferecem um campo fértil para novas possibilidades, sobre os modos e formas de realizar a avaliação na creche e na pré-escola com base nos resultados de pesquisas já existentes. 
    É nesse cenário que concebemos o presente livro, cuja organização passaremos em seguida a apresentar de forma sucinta. O livro foi organizado com base em nove eixos que aglutinam cada um deles dois textos, sendo um de autores e autoras portugueses e outro de autores e autoras brasileiros, sem que se perca a liberdade de expressão de cada autor perante a proposta de desenvolvimento de uma reflexão com base no eixo em que o texto se encaixa.
    No total a publicação foi organizada em nove eixos, que abordam diferentes ângulos da problemática da avaliação, começando pela análise mais política e institucional até a abordagem de vários exemplos de práticas de trabalho em contexto de formação ou de vivências e estudos realizados em creches e pré-escolas. O livro começa por uma análise das "Políticas educativas e de formação de crianças de zero a seis anos em Portugal e no Brasil", feita pelos professores João Formosinho e Júlia Oliveira-Formosinho e por Maria Malta Campos, que caracterizam o contexto de cada país ao abordar, entre outros aspectos, a relação entre a avaliação escolar e pré-escolar, considerando as concepções educativas que lhes são subjacentes. Num segundo eixo, é feito um levantamento de "Estudos sobre a avaliação na educação infantil", dando particular relevo às pesquisas mais recentes realizadas em Portugal e no Brasil. Esse "estado da arte" é feito por Aida Castilho e Pedro Rodrigues e por Célia Maria Guimarães e Daniele Ramos de Oliveira. O eixo seguinte versa sobre as "?Concepções educativas e práticas de avaliação". Ana Coelho e Joana Chélinho apresentam um estudo em que são analisados os testemunhos de várias educadoras, que manifestam alguns dos seus receios e preocupações. Nessa mesma linha, Gilza Maria Zauhy Garms e Marisa Oliveira Vicente dos Santos apresentam dois estudos, um realizado no início desta década e outro mais atual, em que analisam testemunhos de profissionais e os seus registros de trabalho em termos do planejamento. Para analisar os "Fundamentos e práticas da avaliação na educação infantil", Isabel Lopes da Silva apresenta uma reflexão sobre a evolução dos estudos, das práticas e das políticas educativas dos últimos anos, destacando como evoluiu a forma de conceber a avaliação, organizando o texto em torno de várias questões dilemáticas que contribuem para uma melhor compreensão da atual realidade. Nessa mesma linha de trabalho, Hilda Micarello e Maria Cristina Fontes Amaral fazem um levantamento de várias questões baseando-se em estudos realizados no Brasil nos últimos anos.Sobre "A avaliação no desenvolvimento da qualidade educativa", apresenta-se o texto de Júlia Oliveira-Formosinho, que entre outros aspectos apresenta o Projeto Desenvolvendo a Qualidade em Parcerias, e um texto de Ana Lúcia Goulart de Faria e Fabiana Oliveira Canavieira, que desenvolvem uma análise crítica relativamente à influência da avaliação escolar nas práticas avaliativas da creche e da pré-escola. No eixo "Avaliando as aprendizagens das crianças", Gabriela Portugal apresenta um modelo de avaliação por competências que se enquadra num projeto que desenvolve em Portugal, inspirado na pedagogia experiencial de Ferre Laevers. Jussara Hoffmann fala da função mediadora da avaliação na educação infantil, reportando-se a um trabalho realizado na formação inicial de educadores, apresentando vários testemunhos de estagiárias. No eixo "Avaliando na creche e na pré-escola: alguns exemplos", Ana Mendes e Maria João Cardona analisam a evolução da realidade portuguesa durante as últimas décadas e apresentam alguns dados de um estudo que analisa testemunhos de educadoras sobre as suas práticas avaliativas e as principais dificuldades que as afetam. Célia Maria Guimarães e Daniele Ramos de Oliveira apresentam também uma discussão em que debatem sobre práticas avaliativas em creches e pré-escolas brasileiras. No eixo relativo ao "O papel da documentação pedagógica na avaliação: portfólios", Cristina Parente fala da importância da avaliação e do uso do portfólio como ponto de partida para a aprendizagem das crianças, apresentando vários exemplos de estudos e testemunhos obtidos em jardins de infância portugueses. Nessa mesma linha, Cassiana Magalhães e Nadia Aparecida de Souza analisam um trabalho com relatos sobre a participação das crianças na organização de portfólios. Por último, reúnem dois textos no eixo "Entre a educação pré-escolar e a escola mudam as práticas de avaliação". Jorge Pinto e Leonor Santos apresentam diferentes modelos de avaliação escolar, considerando os fundamentos que lhes estão subjacentes, analisam práticas de avaliação partindo de exemplos estudados nos primeiros anos de escolaridade, sublinhando o papel da avaliação como fonte de aprendizagem. Nesse sentido Vital Didonet reflete a respeito da avaliação na escola e na educação infantil, a especificidade das práticas educativas das creches e pré-escolas em relação à escola obrigatória e apresenta os diferentes documentos que têm estado a ser discutidos no Brasil. Com esta publicação, esperamos contribuir para ampliar o debate sobre a avaliação na educação infantil, considerando diferentes projetos, estudos e práticas formativas desenvolvidas em Portugal e no Brasil. Esperamos que a divulgação deste livro seja o início de um produtivo diálogo entre os dois países e que isso ajude a promover a qualidade das práticas educativas e das práticas de formação de professores para educação infantil.

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