Arte-Educação

Arte Educação
Alta resolução +
De R$ 54,00 por R$ 43,20

Filosofia da criação

reflexões sobre o sentido do sensível

Marly Meira
ISBN: 978-85-87063-74-8
ed. 144 p.
O texto de Marly Meira, autora de mérito reconhecido entre arte-educadores, reflete o seu profundo conhecimento de tudo o que diz respeito à prática estética, à filosofia, à criação, à arte... Escrevendo com sensibilidade e criticidade, Marly transporta o leitor ao mundo de suas interessantes reflexões sobre a aprendizagem da criação, transformando o livro na própria "pedagogia do acontecimento". Com prefácio de João Francisco Duarte Jr. e um inédito glossário de termos em conhecimento estético, é um livro recomendado a todos que se envolvem com arte e com arte-educação.
  • Sumário
    Prefácio
    Uma pedagogia do acontecimento

    João Francisco Duarte Jr.

    Apresentação
    Terra à vista

    Olhar de sobrevoo
    Estética, pensamento visual e arte
    A poética da criação

     
  • Trecho
    APRESENTAÇÃO

    O sentido do sensível para a criação. Essa questão funciona como um koan, dispositivo provocador ao qual os orientais atribuem um poder heurístico e oculto que nos joga numa roda-viva para tentar descobrir sua significação. O sentido do sensível tem o poder de chamar diretamente pensamentos, como o vento toca as nuvens, como o tempo dá qualidade a certos saberes, lembranças de experiências que gostaríamos de refazer. Sentido ligado a acontecimentos reais e imaginados que emergem do que está ainda por fazer. Iluminuras da mente postas em imagens valiosas que insistem em durar em nós, a ponto de querermos fazer delas um poema, uma mensagem, um problema ou um presságio. O Livro das Mutações - I’Ching - está cheio desses dispositivos provocadores que inspiram maravilhosos haikais e concepções pictóricas de vida. Pontuam certos olhares e dizeres que antepassados reverenciam como sábios. Permitem encaixes em diagramas mentais, conexões com sensações vitais e formas de conhecimento comum, onde predominam situações efêmeras como as das mutações. É sempre possível envolvê-los no grande poema da vida e na conjunção dos opostos, pela terceira via do amor, da bondade humana. Organicamente estão na gênese das artes para nos esclarecer algo mais sobre o viver. Este livro é uma adaptação de minhas investigações sobre educação, arte e cultura. Apresenta uma conversa com a arte que temos que aprender a fazer por conta própria. A pintura foi o elemento que possibilitou realizar experimentos práticos, reflexões e indagações que me levaram a buscar uma compreensão radical do que a arte faz para desenvolver o pensamento visual e o maior entendimento do papel das imagens em nossa vida. As interrogações e as noções aqui registradas foram reelaboradas para conter o que considero necessário para compreender o sentido do sensível e sua relação com a educação visual, bem como com os acontecimentos que concorrem para torná-la possível, valiosa e prazerosa. Creio que a filosofia da criação, em estreita relação com a estética, viabiliza essa qualificação, uma vez que conecta ética e politicamente a poética do ato criador aos fatos da estética do cotidiano, assim como às buscas teóricas que são necessárias ao seu discernimento. Os capítulos foram articulados sob forma de diagrama, de modo a dar às imagens oportunidade de auxiliarem a compreensão do texto. Essa forma permite que a leitura possa ser feita fora da ordem aqui proposta. Apresentam notas sobre experiências estéticas, material que usei para aproximar integrantes de oficinas de pintura ao mundo da arte. Como esse pensamento emigra até a ponta dos dedos e toca materialidades para um diálogo mais íntimo e prazeroso com as sensações, o toque reflui ao pensamento pela passagem fascinante das imagens, pelo olhar que se dá a conhecer por meio delas. O sentido do sensível passa, pois, pelo labirinto das impressões digitais e recolhe versões de tato e movimento, de escrituras e figurações: coreografigrafia. Para reatar imagens de adultos com imagens de crianças, decidi falar sobre o pensamento visual, em sua caraterística poemagógica, ou seja, religar o sentido da grafia da palavra com os grafismos da imagem que sempre sinalizam linhas de força, composições designadas pela interação energética, para mostrar que a abstração perdura na figuração, assim como a figuração na narrativa. Mesmo quando se tenta jogá-la para o fundo, a abstração artística volta como experiência estésica camuflada em experiência estética. Fazendo sua arte e sua parte no discurso, ela aparece para revelar-se como sentido do sensível na criação. Penso que este trabalho configura-se como uma “pedagogia do acontecimento”, ao incluir noções sobre o dinamismo das imagens em torno de fatos poéticos e estéticos. Fiz experimentos com mitos e obtive respostas para aliar o sensível à criação. Evitei fazê-lo com intuito místico, embora Adélia Prado creia ser necessário expor-se a experiências com o sagrado para tocar vividamente o mistério da existência. Jorge Luis Borges propõe que o investimento mítico seja convertido em fé poética, o que eu, por precaução, prefiro aplicar em propostas éticas e estéticas vinculadas à filosofia de trabalho com a criação. Embarcar em imagens é travessia sem fim nem começo. A estética do cotidiano pode ser uma estação primeira.
     
    A autora

Sugestões de outros títulos:

carregando...