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Filosofando com os super-heróis

Gelson Weschenfelder
ISBN: 978-85-7706-056-6
ed. 48 p.
Apesar do imaginário popular, as histórias em quadrinhos não servem apenas ao divertimento do leitor. Neste livro, o escritor convida crianças, jovens e adultos a filosofar com os super-heróis e super-heroínas, refletindo sobre questões referentes à ética, à moral, ao gênero, aos direitos humanos, à formação da cidadania, entre outros temas abordados de forma filosófica e original por parte do autor.
  • Sumário
    Para além dos superpoderes
    Virtudes aristotélicas no mundo das histórias em quadrinhos
    Aristóteles e uma educação para a virtude
    Batman: o aristotélico
    X-Men e o encontro como "bem aristotélico"
    O último filho de Kripton e a felicidade
    O Homem-Aranha na teia aristotélica
    Super-homem, paz na Terra: direitos humanos e cidadania
    A adoção dos super-heróis "órfãos"
    A adoção do Homem-Aranha
    A adoção de um Kriptoniano
    X-Men: O Instituto Xavier para Jovens Superdotados
    HQs, os direitos civis e a desigualdade social
    As super-heroínas e a desigualdade entre homens e mulheres
    A Amazona Mulher-Maravilha
    X-Men e X-Women: o respeito às diferenças
    Tempestade na luta contra a discriminação da mulher
    Jean Grey: a Fênix
    Gênero masculino e feminino nas HQs
    Filosofando com os super-heróis
    Palavras do autor
  • Trecho
    Batman: o aristotélico
    Eis o super-herói símbolo da “ética das virtudes” de Aristóteles. Chamam-no de “super-herói”, mas ele não possui nenhum tipo de “superpoder”. Sua história, de mais de 70 anos de existência, atrai cada vez mais pessoas de todas as idades. Uma das razões pela qual Batman atrai tantos fãs é que ele é “apenas” um ser humano. Um homem igual a nós, com a diferença de que, além de ser um personagem de ficção, ele dedicou toda a vida a vingar a morte dos pais e de muitas vítimas de crimes. Ele defende Gothan City, arriscando constantemente sua própria vida, depois de passar por vários anos de sacrifício treinando o corpo e a mente para atingir o máximo das atitudes/virtudes de que um ser humano é capaz. Embora seja riquíssimo, nega a si mesmo este luxo e dedica-se ao seu objetivo com empenho, mesmo sabendo que nunca o alcançará em plenitude. Bruce Wayne não quer ver outras crianças perderem os pais assassinados como ocorreu com ele próprio. Gothan City está nas mãos dos criminosos e corruptos e, pelo seu espírito de justiça, quer dar um basta nesta situação: “quero mostrar ao povo que Gothan não pertence aos criminosos e corruptos”. Decidido a combater as injustiças, portanto, o órfão Bruce Wayne viaja pelo mundo, buscando recursos para combater a injustiça e atemorizando aqueles que semeiam o medo. Sua busca é inalcançável, mas não desiste, embora reconheça que sozinho não alcançará seu objetivo. Ele próprio afirma que “para sair da apatia, as pessoas precisam de exemplos dramáticos. Não posso fazer isso como Bruce Wayne. Como homem, sou de carne e osso, posso ser ignorado e destruído. Mas como símbolo, posso ser incorruptível, posso ser eterno”. Assim, Bruce Wayne decide se tornar o justiceiro mascarado, libertando seu ego, transformando-se em Batman. Mas por que um jovem órfão milionário gastaria suas noites arriscando-se a andar sobre telhados, percorrendo becos para acabar com a injustiça e a violência em sua cidade? Eis uma resposta aristotélica a esta pergunta: para você se tornar um ser humano bom e virtuoso, precisa de bons exemplos a imitar. Quanto à prudência (sabedoria prática), é possível chegarmos à sua definição pela consideração das pessoas nas quais acreditamos. Ora, tem-se como característica do homem prudente ser ele capaz de bem deliberar sobre o que é bom e proveitoso para si mesmo, não num ramo em particular (...), mas o que é vantajoso ou útil como recurso para o bem-estar geral. Na história de Bruce Wayne consta que ele tinha na figura do pai o exemplo a seguir. No período da depressão, nos Estados Unidos, Thomas Wayne quase fez sua empresa (Wayne Corporation) ir à falência, combatendo a pobreza. Pensava que, os ricos de Gothan City seguiriam seu exemplo e tentariam salvar a cidade. Mas foi assassinado e não pode cumprir este papel. Coube ao jovem Wayne a tarefa de ser o exemplo para Gothan City. Batman é este símbolo de mudança, um super-herói que toma para si a tarefa de “inspirar as pessoas de Gothan City, para fazer com que a cidade possa ressurgir”. Na perspectiva aristotélica, Batman é, sem dúvida, um ser virtuoso. Mas como ele se tornou virtuoso? Para Aristóteles, saber o que é virtude não basta, é necessário praticá-la, porque os seres humanos se tornam bons e virtuosos pela prática e pela repetição, da mesma forma como aprendem as artes e os ofícios. Diz o super-herói que “não é o nosso interior, mas o que fazemos que nos define”.

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