Educação Infantil

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Expressão musical

na Educação Infantil

Patrícia Fernanda Carmem Kebach (Org.)
ISBN: 978-85-7706-096-2
2 ed. 128 p.
Reúnem-se aqui fundamentos teórico-práticos para a construção de uma prática musical significativa pelas crianças, entendendo a música como conhecimento e linguagem expressiva, e acreditando, sobretudo, que o conhecimento musical é construído na ação, nas brincadeiras, de forma lúdica e prazerosa. Pelos fundamentos teóricos apresentados, a leitura suscita a reflexão e a análise das atividades que vêm sendo desenvolvidas com bebês e crianças na Educação Infantil. Além disso, com o objetivo de colocar em prática os seus fundamentos teóricos, as autoras apresentam várias atividades de expressão musical que poderão ser desenvolvidas e recriadas pelos professores nas escolas infantis.
  • Sumário
    Prefácio
    Teca Alencar de Brito

    Introdução
    Concepções da infância e seus reflexos na educação musical

    Um olhar construtivista e interacionista em educação musical
    Como ocorrem os processos de construção
    do conhecimento musical das crianças?
    O que é musicalização?

    A experiência musical no cotidiano da Educação Infantil
    Propondo a música como recurso
    Aprendendo a tocar um instrumento
    A musicalização infantil interacionista
    Ensino, pesquisa e aprendizagem

    Os Métodos Ativos e as novas perspectivas
    para a Educação Infantil

    Mas o que são os Métodos Ativos?
    Novas propostas para a educação musical
    O corpo no fazer musical
    A relação entre o movimento corporal e a construção musical
    O fazer musical criativo
    Fazer, pensar e inventar músicas
    Musicalidade instintiva: a música que sai do corpo

    Atividades de expressão musical na creche e na pré-escola
    Exploração de instrumentos musicais 
    Contando histórias
    Estátua musical
    Ondas ao vento
    Corpo, música e movimento
    Explorando os sons da boca e da voz
    Desenhando os sons
    Uma história sonorizada
    Os sons que o corpo faz
    Senhor Metrônomo
    A minha voz
    O som dos sentimentos
    Jogos de mãos
    Interpretando e recriando canções

    Considerações finais
  • Trecho
    Prefácio
    Este livro nos convida a refletir sobre as relações que podem se estabelecer entre as crianças pequenas e a música. Por isso, é muito bem-vindo, especialmente nestes tempos em que a presença da música nos territórios da educação vem sendo amplamente discutida. Sendo fruto do comprometimento e da competência de profissionais dedicadas à pesquisa e à prática docente que, além do mais, compartilharam ideias, conhecimentos e ideais com a Professora Esther Beyer, a obra assume com certeza um especial valor. Educadora musical brasileira de primeira grandeza que infelizmente nos deixou muito cedo, Esther foi uma das pioneiras no desenvolvimento de pesquisas e projetos relacionados à educação musical de bebês e crianças pequenas, dedicando-se ao tema com competência e paixão e contribuindo, assim, para o enriquecimento das pesquisas e estudos na área. O livro "“Expressão musical na Educação Infantil"”, escrito por pesquisadoras orientadas por Esther, apresenta reflexões, análises, informações e sugestões de propostas voltadas ao acontecimento musical na pequena infância. Inter-relacionando os territórios da música, da infância e da educação, a obra favorece o emergir de outras escutas, de outros modos de pensar e também de significar o fazer musical infantil, o que, sem dúvida, é muito importante. Em lugar de mais um manual de atividades, o livro intenta gerar "“reflexões inspiradoras de práticas significativas"” como muito bem afirmam as autoras. Conectando teoria e prática, valorizando a singularidade do acontecimento musical na primeira infância, apresentando análises e reflexões fundadas em distintas concepções e pensamentos pedagógicos, a obra convida a pensar, a pesquisar e, assim, a buscar caminhos e possibilidades para a realização de efetivos projetos na área da educação musical na primeira infância. Somos seres musicais, entre outras características que nos constituem, de modo que "“entramos no jogo gerador de sonoridades"”, imbuídos de sentido que chamamos música, ainda que de modos diversos e com níveis de complexidade distintos. Jogo que conecta a escuta e o gesto, que se anuncia desde o início da vida e que -– criando alianças com os processos de educação musical –- atualiza-se e transforma-se, sempre em movimento, transportando as experiências e reflexões para planos mais complexos. Discorrendo sobre o ser e estar do acontecimento musical no viver do ser humano, o pesquisador francês François Delalande relacionou as explorações sonoras realizadas por um bebê com a voz ou com um chocalho, por exemplo, à performance de um músico profissional, sugerindo que a diferença entre elas seria marcada pelos diferentes graus de complexidade. Ao se referir às relações que os bebês e as crianças pequenas estabelecem com o sonoro e o musical, Delalande destaca o fato de que tais processos, com as singularidades intrínsecas a cada trajetória, são também importantes referências para a pesquisa relativa ao desenvolvimento musical em sua totalidade. As alianças entre a música e a educação, firmadas há longo tempo, estão sempre em movimento, considerando o dinamismo das concepções de infância, de música e de educação. De uma educação musical enfaticamente instrucional, regida por concepções que visavam preparar para um futuro fazer musical, vimos caminhando para a instauração de abordagens que redimensionam as ideias de música, ainda que lentamente, e que dialogam com outras áreas do conhecimento como a psicologia, a filosofia, as ciências cognitivas, entre outras, gerando novos sentidos e significados para a presença da música no curso da infância, com atenção às singularidades que lhe são próprias. É fato que ainda persiste certo descompasso entre as pesquisas realizadas na área da educação musical, as proposições que delas podem decorrer e a efetiva prática pedagógico-musical cotidiana (quando existe, é claro!) que, não raro, ainda se valem da música como suporte para disciplinar, para treinar, para transmitir conceitos diversos, etc. Ademais vigora ainda a concepção de que a criança apenas reproduz música, ao menos na escola. O espaço para a invenção, para os jogos de improvisação, para as explorações e conquistas tende a ficar à margem, em muitos casos, dando lugar para a repetição, para a exaustiva preparação de festinhas e comemorações e para o uso equivocado das canções (de comando, disciplinares, utilitárias...), entre outras abordagens que não serão feitas neste livro, mas que, eu anseio, sejam superadas em prol da instauração do efetivo fazer musical na infância. A atualização e o fortalecimento das abordagens contemporâneas de música e de educação musical reafirmam a importância deste livro. Elegendo a epistemologia genética de Jean Piaget como teoria norteadora, mas dialogando com outras proposições, algumas de ordem especificamente musical, o livro sinaliza a riqueza que pode emergir e envolver as relações das crianças com o sonoro e o musical nos territórios da Educação Infantil. Partindo das reflexões e ideias aqui compartilhadas, educadores e educadoras poderão repensar e/ou ampliar caminhos para o trabalho com a música na Educação Infantil, considerando, em primeiro plano, que os processos de musicalização podem e devem abarcar uma gama significativa de possibilidades, sempre respeitando o modo de fazer-pensar música que é próprio às crianças e maravilhoso. Enfim, muitas são as questões e aspectos sobre os quais eu poderia comentar, sobretudo porque, assim como a querida Esther dedicou-se com paixão ao tema e também as autoras Patrícia, Rosangela, Paula e Denise, eu sou uma apaixonada pela educação musical. Parece-me, no entanto, que o melhor a fazer é convidar todos e todas a mergulharem no fluxo deste livro que, com certeza, faria a alegria de Esther, cuja presença emerge não apenas dos temas e conteúdos que lhe eram caros, mas especialmente do afeto que emana das palavras das autoras desta obra.

    Teca Alencar de Brito

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