Educação Infantil

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Educar na creche

uma prática construída com os bebês e para os bebês

Altino José Martins Filho (Org.)
ISBN: 978-85-7706-111-2
ed. 144 p.
A intenção de contribuir com o aprimoramento da docência nas creches, numa concepção pedagógica de entrelaçamento do cuidar e do educar, é o eixo norteador de todos os capítulos deste livro, fruto da experiência dos autores como pesquisadores e professores em instituições públicas e da rede privada.  Buscando a consolidação da creche como um espaço educacional de suma importância em nosso tempo e no qual os bebês possam viver intensamente a infância, eles trazem fundamentos teóricos e relatos de experiências, com descrições ricas e detalhadas de práticas educativas que levem em conta o respeito ao tempo de vida dos bebês, protagonistas, desde que nascem, de seu próprio desenvolvimento, aprendizagem e socialização. Destacam-se temas como a sua adaptação à creche, a linguagem dos bebês, a pedagogia do contato e do afeto, a musicalidade que eles expressam.
 
  • Sumário
    Prefácio
    Altino José Martins Filho (Org.)
     
    A construção da docência com bebês e
    crianças bem pequenas em creches

    Altino José Martins Filho
    Ana Cristina Coll Delgado

    Como aceder à força do desejo dos bebês e crianças
    bem pequenas na construção da docência?
    Ambiguidades e tensionamentos na participação dos
    bebês e das crianças bem pequenas.
     
    Os bebês, as professoras e um modo de viver a vida na creche
    Altino José Martins Filho          
    Ana Cláudia Ferreira Martins

    Algumas dimensões de um modo de viver a vida na creche com os bebês
    A dimensão do cuidado e educação
    Sentimentos de ser mãe, mulher e professora
    O choro como uma tensão
    Palavras finais
     
    Adaptação ou inserção?     
    O momento de entrada dos bebês nas creches
    Lucilaine Reis
    A inserção crítica como processo de constituição dialógica
    Como os bebês vivenciam seu processo de entrada na creche?
    Vivências plurais a serem observadas e registradas
    Considerações finais
     
    A constituição da linguagem dos bebês e entre os bebês
    Joselma Salazar de Castro
    A convivência com os bebês
    Os atos sociais e a apropriação de sentidos
    Quando os bebês dialogam entre si
    Interações entre os bebês e a produção de textos
    Tecendo algumas considerações
     
    Culturas infantis e experiências estéticas:
    entre corpos grandes e bem pequenos
    Patrícia Dias Prado
     
    Pedagogia do contato com bebês:            
    pele e mão em encontros de cuidado e educação
    Marta Nörnberg
    Cotidiano: lugar de proximidade e comunicação
    Pele e mão: sentidos da pedagogia do contato
     
    A prática educativa em creches:
    o que fazem os bebês?
    Gardia Vargas
    Expectativas e acolhimento dos bebês na creche
    Os materiais que sustentam as experiências dos bebês
    O Cesto dos Tesouros
    O que posso fazer com isso?
    Encerrando essa conversa
     
    A música dos bebês:           
    protagonismo cotidiano em berçário
    Aruna Noal Correa
    Entre o olhar do adulto e do bebê: as produções musicais cotidianas
    Ideias adultas sobre intervenções  e protagonismo dos bebês em berçário
    O processo de produção do conhecimento sonoro-musical pelo bebê
    Reflexões acerca da música dos bebês: o cotidiano do berçário
     
    Referências

    Sobre os autores
     
  • Trecho
    Os bebês, as professoras e um modo de viver a vida na creche
    Altino José Martins Filho          
    Ana Cláudia Ferreira Martins

    O choro como uma tensão
    (Trecho das páginas 32 a 33)


    Nas falas das professoras pesquisadas, o choro apareceu como um componente importante da vida dos bebês. Elas nos contaram que, na atuação cotidiana, o choro é um momento de grande desafio e que exige um olhar sensível para essa manifestação de sentimentos. De fato, o choro é algo que predomina nas salas de berçários. Como destaca a professora III: “Apoiar os bebês, tentando compreender seu choro e sentimentos, é um desafio que enfrentamos a cada dia no trabalho”.
    Um dos pontos mais difíceis com que a gente se depara é o choro, pois tem horas que tu não consegues acalentá-lo, tu não sabes dizer se é dor, se é saudade, se é fome, tenta de várias formas e o bebê não se acalma... Meu Deus, e agora? Aí tu recorres a alguém (Professora Pesquisada I).
    A especificidade da docência com os bebês requer uma observação cautelosa e uma intencionalidade que respeite as individualidades desses sujeitos, os quais apresentam uma singularidade que se expressa de diferentes formas. Ademais, o desafio de estar com os bebês passa principalmente pela comunicação e interação, pois interpretar suas manifestações exige disponibilidade, conhecimento e interesse por parte das professoras. 
    De fato, elas revelaram que a especificidade do trabalho com os bebês exige essa disposição e atenção para compreender o choro como expressão de sentimentos. Nos bebês, o choro é a primeira forma de se comunicar com o outro, seja um adulto, outro bebê ou criança. No excerto a seguir, podemos perceber essa questão:
    Tens que saber o que estás fazendo e se tu estás disposta a ser professora de bebês, estás disposta a aceitar e a enfrentar os momentos de choro, estás disposta a aceitar dar um colo, estar acolhendo o bebê que precisa estar seguro contigo (Professora Pesquisada II).
    Falar do modo de viver a vida com os bebês em ambiente de berçário exige atenção à dimensão do choro, pois, como bem afirma a professora pesquisada III, “com os bebês é preciso sempre estar acolhendo o choro”. Para as professoras, conhecer os bebês por meio de suas manifestações e sentimentos causa um desgaste físico que muitas vezes pode interferir no trabalho com eles. O choro foi citado como um dos aspectos mais difíceis no relacionamento com os bebês, além de causar ansiedade e cansaço nas professoras.
    Durante o decorrer do dia, os bebês choram, aí precisamos ficar atentas para descobrir por  que choram. Será que estão com sede, será que estão com fome, será que estão com sono? A gente fica fazendo tentativas para descobrir o que precisam, é uma tensão vivida a cada dia (Professora Pesquisada III).
    As reflexões de Tristão (2015) também apontam a tensão que o choro nos grupos de berçário provoca:
    E ainda, não podemos deixar de considerar o desgaste e o envolvimento emocional presentes em muitas situações diárias, como por exemplo, quando há um bebê que chora muito e não se consegue definir a causa, refletindo em ansiedade e tensão para as professoras (TRISTÃO, 2015, p. 69).
    O que devemos levar em conta é que cada bebê tem suas reações e as professoras envolvidas também reagem e sentem de maneira particular as situações que vivenciam com eles. Assim, a creche, compreendida como espaço formativo e organizador de um modo de vida para adultos e bebês, é um ambiente que se complexifica com as coisas da vida de todos os dias, por meio das diferentes formas de recontar e refazer o vivido no e com o mundo. Em relação aos bebês, temos afirmado que a creche apresenta boa parte do mundo para eles, pois estão nesse espaço dos quatro aos cinco anos e onze meses, muitas vezes doze horas por dia.
    Construir um modo de vida com os bebês é dar sentido ao olhar, ao choro e ao sorriso, é saber ter paciência para observar as reações dos bebês, isso na hora de trocar a fralda, medir a temperatura, alimentar cada um, calçar o sapato, pentear o cabelo, assoar o nariz... É importante que nesses contatos haja uma relação corporal que propicie a construção da afetividade e da amorosidade. São momentos que se abrem para diferentes possibilidades de experiências, sentimentos, relações e interações ricas e intensas. 
    Em razão da complexidade do trabalho com bebês, que à primeira vista pode parecer simples e fácil, observamos um misto de sentimentos que deixam as professoras confusas em suas maneiras de encarar suas funções cotidianas. Elas revelam que são sentimentos, tensões e ansiedades que não se apresentam de forma unidimensional ou monolítica, mas correspondem a múltiplos aspectos da “vida pessoal e profissional” (NÓVOA, 1991). (...)

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