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Educação e infância

na era da informação

Leni Vieira Dornelles e Maria Isabel E. Bujes (Orgs.)
ISBN: 978-85-7706-080-1
ed. 160 p.
Este livro traz uma discussão necessária e urgente em relação à infância, abordando temas como: os novos apelos de consumo, de uso da tecnologia e de outros artefatos culturais que vêm sendo produzidos explicitamente para as crianças; as condições da educação infantil na atualidade frente aos desafios da era da informação; a forte influência da mídia sobre as crianças de todas as classes sociais; e o surgimento de novos artefatos culturais que produzem o surgimento de uma infância diferente no cenário social desafiando pais e educadores a adotar outras posturas frente a isso. O livro é atual e instigante, provocando educadores e pais a pensar em novas condutas e estratégias pedagógicas para educar essa nova geração.
  • Sumário
    Apresentação

    Leni Vieira Dornelles
    Maria Isabel Edelweiss Bujes
    (Organizadoras)


    Alguns modos de significar a infância
    Leni Vieira Dornelles
    Maria Isabel Edelweiss Bujes

    Mídia, consumo e os desafios de educar uma infância pós-moderna
    Mariangela Momo

    Resgate da infância: uma questão para a propaganda?
    Maria Isabel Edelweiss Bujes

    Artefatos culturais:
    ciberinfâncias e crianças zappiens

    Leni Vieira Dornelles

    Shoppings centers, videogames e as infâncias atuais
    Karyne Dias Coutinho

    Quando o cinema vê a criança pelo avesso
    Fabiana de Amorim Marcello
  • Trecho
    APRESENTAÇÃO

    Leni Vieira Dornelles
    Maria Isabel Edelweiss Bujes
    (Organizadoras)

     
    Que mais há para dizer sobre a infância que já não tenha sido pensado e dito? A pergunta não está aqui para indicar que tenhamos para ela uma resposta, mas para instigar e apontar o tom que pretendemos dar a esta publicação. Ela se faz acoplada/inspirada na epígrafe de Michel Foucault que escolhemos para abrir esta apresentação. O que nos interessa, ao pensar a infância, não é o absolutamente inusitado, o radicalmente original, mas a possibilidade de apontar novas formas de problematizar o já sabido e, quem sabe, encontrar caminhos insuspeitados para fazer frente às nossas inquietações no que diz respeito às relações que estabelecemos com as crianças.
    Este livro, Educação e infância na era da informação, é um projeto que representa, ao nosso modo, a tentativa de pensar de outra maneira o campo da infância. Com ele desejamos apenas exercer uma forma de pensar que provoque, desnaturalize, desfamiliarize aquelas certezas há muito acalentadas de uma infância natural, atemporal, universal, que vigem no campo psicopedagógico. Nesse sentido, ele representa também uma forma de militância: que se exerce como convite de ultrapassagem aos limites tão bem estabelecidos sobre o que se pode pensar e dizer sobre as crianças (e, portanto, do que se pode fazer com/para elas). Mas não só isso, como provocação ele convida a novas investigações e interrogações, a novas problematizações, o que talvez encaminhe (sem nenhuma garantia de certeza) a novas invenções. 
    Trata-se de uma obra escrita por um grupo de acadêmicas que se propuseram como objetivo uma análise de práticas voltadas para as crianças que têm como fulcro a organização de condições para conduzir sua conduta, portanto, para governá-las.
    O livro que aqui lhes é apresentado está composto de seis capítulos. No capítulo inicial, intitulado Alguns modos de significar a infância, Leni Vieira Dornelles e Maria Isabel Edelweisss Bujes, organizadoras da publicação, problematizam o que entendem como lamento pela perda de uma era de ouro da infância. Discutem, a partir disso, a relação ambígua e idealizada que a sociedade tem com a infância e destacam seu caráter inventado. Uma invenção que possibilitou, na Modernidade, a produção de novos tipos de sujeitos, ajustados a novas urgências sociais e a demarcação de alguns limites para o que se convencionou descrever como um tempo de infância. O capítulo se encerra com uma análise sobre o caráter histórico e socialmente construído da subjetividade humana que também, inapelavelmente, atinge as crianças.
    Inscrito em uma matriz de inteligibilidade que vê a contemporaneidade marcada por condições peculiares, imbricadas e implicadas naquilo que tem sido amplamente conhecido como cultura pós-moderna, o segundo capítulo, escrito por Mariangela Momo, Mídia, consumo e os desafios de educar uma infância pós-moderna, considera que vivemos sob uma condição cultural em que somos constantemente interpelados pelas mídias e convocados para o consumo. Nele, a autora aborda como uma infância contemporânea se constitui no interior dessa cultura e procura mostrar como crianças pobres de algumas escolas públicas do município de Porto Alegre são produzidas, formatadas, fabricadas pela mídia e pelo consumo, configurando novos modos de ser criança, de ser aluno e de viver a infância. São discutidas também algumas implicações dessa infância - que se opta por nomear de pós-moderna - para o campo da educação escolar, apontando para a dificuldade em visualizar crianças que não se enquadrem nos lugares tradicionalmente designados para elas e para alunos.
    No terceiro capítulo, Maria Isabel Edelweiss Bujes questiona: Resgate da infância: uma questão para a propaganda? Em seu texto, a autora faz a análise de uma peça publicitária veiculada em revista de circulação nacional, em que uma indústria de roupas infantis apresenta uma discussão sobre o futuro da infância. Considerando tal futuro ameaçado, o encarte publicitário declara o compromisso da empresa com a busca de soluções para esse desafio, encontrando no brincar o terreno a partir do qual se propõe a intervir. Recorrendo ao testemunho e à autoridade de experts e valendo-se de saberes da área psi, declara-se A primeira marca de roupas que contribui para o desenvolvimento saudável das crianças. A autora, ao empreender uma desconstrução da peça publicitária e dos chavões que a sustentam, aponta as relações entre as formas de enunciação nela presentes e um processo continuado de invenção e governo das crianças. Ao compreender os modos de dizer como práticas inventadas, empreende uma análise das tecnologias empregadas para a produção das subjetividades infantis, destacando não apenas saberes e poderes nela implicados, mas também o papel dos experts nesse processo. 
    Leni Vieira Dornelles, no quarto capítulo, intitulado Artefatos culturais: ciberinfâncias ou crianças zappiens, analisa a produção dos artefatos culturais infantis e como os diferentes modos de entretenimentos são produzidos para influenciar as crianças na contemporaneidade, isto é, como as crianças são capturadas por diferentes interesses sociais, econômicos e políticos que competem pelo seu controle, poder e regulação. Questiona qual a relação entre a infância, a criança e a cultura para ela fabricada e incita a pensar sobre como vem se modificando esta infância a partir dos tempos e quais os efeitos dessa produção cultural. 
    Em Shopping centers, videogames e as infâncias atuais, quinto capítulo, Karyne Dias Coutinho trata inicialmente da inserção de espaços infantis em shopping centers como uma estratégia educativa que ensina as crianças a conhecerem e se apropriarem das chaves de acesso aos códigos neoliberais. Em seguida, analisa a relação entre crianças e videogames, entendendo-a como envolvida em certos deslocamentos que vêm sendo operados nos conceitos de infância. Encerrando este capítulo, a autora discute a ideia de que determinadas mudanças culturais, possibilitadas em especial pela combinação entre tecnologia e consumo, fazem emergir novas crianças e múltiplas infâncias no cenário social.
    No último capítulo, Quando o cinema vê a criança pelo avesso, Fabiana de Amorim Marcello, analisa a educação da infância a partir de um campo específico: o cinema. No texto, são analisados três filmes: Zero de Conduta, Os Incompreendidos e Fanny e Alexander? - tais filmes têm em comum o fato de serem baseados nas histórias de infância de seus diretores: Jean Vigo, François Truffaut e Ingmar Bergman, respectivamente. A autora, baseada nos estudos de Michel Foucault, mostra como tais diretores mobilizam e tensionam o conceito de criança a partir dessas memórias individuais. Nesse sentido, as crianças mostradas afastam-se de um passado familiar e mesmo de um sentido trivial para seguirem em direção a uma poética da criação: a criança-revolta (Vigo), a criança-caleidoscópica (Truffaut), a criança-imaginação (Bergman). Com base nisso, autora pergunta (e pergunta-se), sobretudo, acerca das potencialidades que outras instâncias da cultura nos oferecem para ampliarmos os sentidos do próprio conceito de criança - ou seja, para além de um ser racional, solucionador de problemas e em desenvolvimento (largamente adotado pela educação), o que o cinema tem a nos dizer sobre a criança? Que avesso é esse da criança que o cinema pode nos mostrar? 
    Ao finalizar esta apresentação, queremos convidar nossas leitoras e leitores a acompanharem as argumentações que construímos para tratar dos nossos objetos de interesse e a dialogar com elas, esperando que tenham tanto prazer na leitura quanto nós em escrevê-las.

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