Inclusão e Educação Especial

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Educação e exclusão

abordagens socioantropológicas em educação especial

Carlos Skliar (Org.)
ISBN: 978-85-8706-322-9
ed. 144 p.
Esta obra pretende desacomodar velhas tradições em Educação Especial. Nela se fala de uma escola de direito que luta contra as formas indignas de submissão às interpretações patológicas. Organizada por Carlos Skliar, pesquisador de mérito internacional, reúne experiências educativas norteadas por uma concepção socioantropológica na luta a favor da inclusão e do direito à educação para todos. Pela sua contribuição, a publicação é considerada um clássico no gênero, adotada em universidades e presente em referências bibliográficas de concursos para o magistério em todo país.
  • Sumário
    Introdução

    Abordagens socioantropológicas em educação especial
    Carlos Skliar

    Exclusão e alteridade: de uma nota de imprensa
    a uma nota sobre deficiência mental

    Ricardo Burg Ceccim

    Atividades dramáticas com estudantes surdos
    Sérgio Andrés Lulkin

    O processo avaliativo da inteligência e da cognição na educação especial: uma abordagem alternativa
    Hugo Otto Beyer

    A mediação material e sígnica no processo
    de integração de crianças surdas

    Maura Corcini Lopes

    Uma perspectiva sócio-histórica sobre a psicologia e a educação dos surdos
    Carlos Skliar

    Referências
  • Trecho
    Introdução
    abordagens socioantropológicas em educação especial
     
    (...) Esta obra apresenta diferentes, mas semelhantes perspectivas acerca desse campo educativo que comumente recebe o nome de especial. Como se perceberá na leitura dos trabalhos, todos os autores manifestam, implícita ou explicitamente, uma insatisfação a respeito das tradições e dos paradigmas que, hoje em dia, predominam dentro da Educação Especial. 
    Gostaria de introduzir este volume com uma afirmação talvez tão supérflua como evidente: na atualidade, a Educação Especial atravessa uma profunda crise que, por certo, reconhece múltiplas causas e cujas consequências ainda não se podem interpretar totalmente. Mas a crise é de tal magnitude que fica difícil pressagiar se a Educação Especial sobreviverá a ela, se será ressuscitada - talvez pela antropologia educacional - ou se permanecerá, simplesmente, como um objeto de curiosidade para os arqueólogos da educação do século XXI. 
    Entretanto, a existência da crise não é um fato novo; dela se fala há muito tempo e de muitas maneiras. O problema reside, por uma parte, em saber a qual crise se faz referência e, por outra em que não é tanto a crise em si mesma o que interessa, mas, sobretudo, sua interpretação ideológica. São os diferentes mecanismos de interpretação do fracasso que estão gerando diferentes e até opostas tipologias e perspectivas de análise. Quando faço referência a tipologias de análise, não estou fazendo menção, simplesmente, à habitual quantificação do fracasso e, muito menos, àquela quantificação realizada desde o poder administrativo da avaliação educativa, que confunde porcentagens com políticas. 
    Mas agora: quais seriam, em minha opinião, os fatores mais relevantes que caracterizaram e caracterizam a crítica situação da Educação Especial? 
    Em primeiro lugar, surge o problema da própria definição sobre o que é e o que não é Educação Especial ou, em outras palavras, em que sentido se justificou uma forma especial de entender e produzir uma educação para certos e determinados sujeitos. 
    As opções, nesse sentido, não parecem ser muitas: ou se tem falado de especial porque se parte do princípio de que os sujeitos educativos ? especiais, no sentido de deficientes - impõem uma restrição, um corte particular da educação, ou se tem falado de especial referindo-se ao fato de que as instituições escolares são particulares quanto a sua ideologia e arquitetura educativas - portanto, diferentes da educação geral -, ou, finalmente, tem-se falado de especial como sinônimo de educação menor, irrelevante e incompleta no duplo sentido possível, isto é, fazendo menção ao caráter menor e especial tanto do sujeito como das instituições. 
    Em todas as definições tradicionais e mecanicistas sobre a Educação Especial, aparece sistematicamente um obstáculo que pode ser considerado como insalvável: em que sentido seria possível afirmar que, por exemplo, os surdos, os deficientes mentais, os cegos, etc., são sujeitos educativos especiais, diferentes de outros grupos também especiais, mas que não foram submetidos a essa particular cosmovisão e organização da educação? 
    Se o critério para afirmar a singularidade educativa desses sujeitos é o de uma caracterização excludente a partir da deficiência que possuem, então não se está falando de educação, mas de uma intervenção terapêutica; se se acredita que a deficiência, por si mesma, em si mesma, é o eixo que define e domina toda a vida pessoal e social dos sujeitos, então não se estará construindo um verdadeiro processo educativo, mas um vulgar processo clínico. 
    Por outro lado: em que sentido falar de uma instituição escolar especial? Se é porque contém fisicamente aqueles sujeitos especiais, então não se trata de uma escola, mas de um hospital. Se, por outro lado, se trata de que as instituições são especiais porque pretendem desenvolver uma didática especial para aqueles sujeitos deficientes, então pode ocorrer que, em vez de processos interativos de educação, exista uma aplicação sistemática de recursos, exercitações e metodologias neutras e desideologizadas. Por último, se é especial porque é menor, porque atua sobre sujeitos menores, então seria necessária toda uma discussão embaraçosa e improdutiva acerca do significado do oposto, isto é, acerca do que significa uma educação maior para supostos sujeitos maiores, uma educação completa, relevante e, inclusive, absoluta. (...)

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