Componentes Curriculares

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Educação Ambiental

da teoria à prática

Cassiano Pamplona Lisboa e Eunice A. I. Kindel (Orgs.)
ISBN: 978-85-7706-076-4
ed. 144 p.
Reúnem-se, nesta publicação, pesquisadores, professores e estudantes que vêm pesquisando e estudando as questões da Educação Ambiental. Os textos introdutórios trazem estudos sobre ecologia, ecossistema, biodiversidade e outros. Tais teorias aparecem contextualizadas em atividades e/ou relato de projetos desenvolvidos com estudantes do Ensino Fundamental e Médio sobre temáticas como preservação de espécies, reservas naturais, lixo, relação lazer e educação ambiental.
  • Sumário
    Apresentação
    Cassiano Pamplona Lisboa
    Eunice Aita Isaia Kindel


    Refletindo sobre o Ambiente
    Edson Luiz Lindner


    Educação Ambiental nos PCN
    Eunice Aita Isaia Kindel
    Para além da visão antropocêntrica
    Os PCN: transversalidade e potencialidades
    Educação Ambiental a partir dos PCN

    Integrando sala de aula e ambiente
    Candice Salerno Gonçalves
    Luciana Schramm Diehl

    Aplicação de questionário/diagnóstico
    Questionário de sensibilização ambiental
    Atividades sugeridas a partir das respostas às questões 1 e 2
    Atividades sugeridas a partir das respostas à questão 3
    Atividades sugeridas a partir das respostas às questões 4, 5 e 6
    Em relação à avaliação

    Gincana Ambiental: o despertar para uma prática possível
    Carolina Christmann Cavedon

    Por que uma gincana ambiental?
    A gincana

    Educação Ambiental Lúdica: diálogos do Corpo, Lazer e Arte
    Fabiano Weber da Silva
    Yanina Micaela Sammarco
    Andréa Ferreira Teixeira

    O corpo
    O lazer ambiental
    A Arte-Ambiental
    A Arte, o lazer e o corpo para uma Educação Ambiental lúdica

    Educação Ambiental integrada:construindo na escola o Laboratório de Inteligência do Ambiente Urbano (liau)
    Cleonice de Carvalho Silva
    Rualdo Menegat

    Introdução: crítica à Geografia tradicional
    e a busca da cognição da paisagem
    A implantação do LIAU: novas práticas
    e estratégias educacionais
    Algumas reflexões em torno da experiência
    Repercussões de um trabalho inicial

    Instrumentos de avaliação de resultados: conhecendo e aperfeiçoando a atuação do educador ambiental e do Instituto Curicaca
    Patrícia Vianna Bohrer
    Alexandre José Diehl Krob

    A Ação Cultural de Criação Saberes e Fazeres da Mata Atlântica
    O plano de avaliação
    Por que foram escolhidos esses indicadores e verificadores?
    Os objetivos de cada indicador
    O que estamos apreendendo com o plano de avaliação?

    Itinerário de formação: reflexões acerca de um curso sobre Educação Ambiental
    Cassiano Pamplona Lisboa

    Considerações iniciais: sobre fluxos e padrões
    (o papel da escrita e da troca de ideias)
    Aprendendo a refletir: sobre a importância
    de compreender a vida e o papel da Educação Ambiental nesse processo
    Aprendendo a caminhar juntos: relatos e reflexões sobre o curso de Educação Ambiental
    Organizando a casa
    Tudo pronto para o começo
    O início
    Primeiro encontro
    Segundo encontro
    Terceiro encontro
    A saída a campo
    Considerações finais

    Ecologia e Educação Ambiental: temas para um diálogo conceitual
    Milton de Souza Mendonça Junior

    Uma ponte entre universidade e Educação Ambiental
    Ecologia teórica, Ecologia mutável e a apropriação de conceitos
    Revendo conceitos
    Equilíbrio da natureza: um mito moderno
    A competição não move o mundo sozinha
    Conclusão sobre um processo inconcluso

    Unidades de conservação, Educação Ambiental e negociação de conflitos
    Rodrigo Cambará Printes
  • Trecho
    "“Educação Ambiental: da teoria à prática"” apresenta estudos, experiências, projetos e reflexões desenvolvidos por estudantes, professores, profissionais e pesquisadores em Educação Ambiental (EA), vinculados a escolas públicas, universidades e ONGs, que obtiveram destaque nos últimos anos no campo da Educação Ambiental, seja pela abrangência, seja pelo caráter inovador de suas intervenções ou pelo reconhecimento social conquistado.
    Entre suas principais características, destacamos a preocupação de cada um dos autores com a aplicabilidade e com a pertinência do que é dito para além dos contextos imediatos aos quais se referem. Nesse sentido, ainda que os textos digam respeito a experiências particulares, bastante pontuais em alguns casos, todos buscam sistematizar seus achados de forma que as ideias possam ser adaptadas a diferentes situações, dialogando com as múltiplas realidades brasileiras.
    Por fim, trata-se de um livro escrito a muitas mãos. No espaço físico delimitado pelo número de páginas que o compõem, encontram-se e dialogam diferentes concepções teóricas e metodológicas, resultantes de itinerários formativos singulares. Essa diversidade de olhares confere à obra um caráter polissêmico. Mais do que justaposições arbitrárias, incômodas porque conflitantes, tratam-se de encontros fecundos. Nosso pressuposto e nossa aposta, com esse arranjo, são os mesmos de Enrique Leff (2003). Segundo ele, o saber ambiental, saber que nos permitirá superar a atual crise que vivemos, ainda está por ser forjado e é, justamente, do enlaçamento de diferenças que irá emergir a possibilidade de construção do inédito. Selecionamos, reunimos e oferecemos os textos aqui presentes, portanto, acreditando em um processo democrático de construção do conhecimento, pautado no reconhecimento e no respeito à diversidade.
    Objetivamos a construção de uma narrativa que conduza à leitura dos temas mais abrangentes aos mais específicos, conforme explicitado abaixo.
    O primeiro capítulo, intitulado "“Refletindo sobre o ambiente"” é de autoria de Edson Luiz Lindner, Pesquisador e Professor do Colégio de Aplicação da UFRGS. A partir do confronto entre duas diferentes concepções – por um lado, concepção tecnicista, cartesiana e parcial, e, por outro, uma concepção ampla e holística – presentes nas disputas referentes ao componente ambiental, o autor discute a necessidade de aproximação entre Ciências Naturais e Sociais, bem como propõe que se tome a Educação Ambiental como nova filosofia de vida, que deve permear os fazeres científico e acadêmico. Destaca, nesse ínterim, o papel e a importância assumidos pela historicidade das questões ambientais com o foco nas ações em Educação Ambiental.
    No segundo capítulo, "“Educação Ambiental nos PCN”", Eunice Aita Isaia Kindel, Professora da Faculdade de Educação da UFRGS, apresenta pressupostos histórico-filosóficos acerca da construção da ciência moderna (cartesiana e antropocêntrica), apontando para a produtividade do estabelecimento de articulações curriculares na escola que possam trabalhar a problemática ambiental por meio de outras visões sobre a natureza. Analisa o tema “"meio ambiente"” no Ensino Fundamental e Médio, sugerindo, fortemente, uma aposta na transversalidade e na interdisciplinaridade como forma de corresponsabilizar a todos e a cada um pela proteção do ambiente.
    A importância de um maior diálogo entre as práticas educativas escolares e as questões ambientais é discutida no terceiro capítulo, “"Integrando sala de aula e ambiente"”, por Candice Salermo Gonçalves, Professora de Ciências da Rede Municipal de Ensino de Alvorada, RS, e Coordenadora do Núcleo de Educação Ambiental da Escola Municipal de Ensino Fundamental Cléo dos Santos, e por Luciana Schramm Diehl, Professora da Rede Estadual de Ensino do Rio Grande do Sul. As autoras discutem o currículo escolar e, em especial, as ênfases postas sobre aspectos da Biologia e da Ecologia, sugerindo novas metodologias de ensino voltadas à EA, relacionadas às realidades locais. Sistematizam e discutem, além disso, atividades de sensibilização ambiental que podem ser adaptadas a qualquer currículo escolar.
    No quarto capítulo, "“Gincana ambiental: o despertar para uma prática possível"”, Carolina Christmann Cavedon, Assistente Bilíngue (Espanhol e Inglês) em uma escola pública de Ensino Fundamental da cidade de Hillsboro, Oregon, EUA, tece considerações acerca da importância da integração interdisciplinar e do lúdico no desenvolvimento de ações educativas, com vistas à inserção socioambiental dos sujeitos e à construção de quadros sociais mais justos. A autora centra sua argumentação na descrição detalhada e na análise dos potenciais benefícios de uma gincana ambiental à integração interdisciplinar e ao desenvolvimento da criatividade de toda a comunidade escolar. O roteiro de atividades proposto aborda diversas questões ambientais, podendo ser tomado como ótimo guia para a realização de atividades similares.
    O quinto capítulo, intitulado "“Educação Ambiental lúdica: diálogos do corpo, lazer e Arte”", é de autoria de Fabiano Weber da Silva, Professor de Educação Física da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI/SC), Yanina Micaela Sammarco, Doutoranda pela Universidad Autônoma de Madrid, Docente da Fatec-Jau/Centro Paulo Souza -– Unesp e Técnica do Instituto Pró-Terra, e Andréa Ferreira Teixeira, Professora de Educação Física da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre. Tomando o corpo como referência, os autores articulam as noções de Arte e de lazer, enfatizando as potencialidades desse arranjo aos trabalhos em EA. Sob uma perspectiva lúdica, a compreensão de conceitos e a discussão e construção de valores passam pelo desenvolvimento de uma consciência corporal/ambiental despertada. Será por meio dela, segundo os autores, que uma participação ativa nos processos de conservação/restauração do ambiente natural e da valorização/resgate das culturas tradicionais/sustentáveis poderá ser construída.
    "“Educação Ambiental integrada: construindo na escola o Laboratório de Inteligência do Ambiente Urbano (LIAU)"”, o sexto capítulo, de autoria de Cleonice de Carvalho Silva, Professora da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre e Coordenadora do LIAU, e Rualdo Menegat, Professor do Instituto de Geociências da UFRGS e Coordenador Geral do Atlas Ambiental de Porto Alegre, apresenta uma experiência de Educação Ambiental integrada por meio da construção do conhecimento local e da cognição da paisagem, que encontra, no Atlas Ambiental de Porto Alegre, um dos seus principais suportes. Conforme os autores, o conjunto de projetos desenvolvidos para conhecer a diversidade de paisagens do Morro da Cruz, localizado no Município de Porto Alegre, e que abriga comunidades de periferia, permitiu estruturar um LIAU na escola local (Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Judith Macedo de Araújo). É importante ressaltar que esse projeto ganhou o prêmio Direitos Humanos (2005) e conta com o apoio institucional e o reconhecimento da UNESCO. Atualmente, vem sendo desenvolvido por mais de 30 escolas da rede pública de Porto Alegre. Trata-se, pois, de um programa modelo que, embora construído sobre particularidades locais, pode ser multiplicado para diferentes contextos e realidades.
    Patrícia Vianna Bohrer e Alexandre José Diehl Krob, ambos Coordenadores do Instituto Curicaca, discorrem acerca de uma metodologia de avaliação de ações educativas ambientais no sétimo capítulo, “"Instrumentos de avaliação de resultados: conhecendo e aperfeiçoando a atuação do educador ambiental e do Instituto Curicaca"”. O eixo, em torno do qual os autores organizam sua argumentação, é a larga experiência construída pela ONG Curicaca no que tange à conservação e à Educação Ambiental no sul do país. O trabalho apresenta interessante sistematização dos referenciais utilizados pela instituição para a avaliação de suas intervenções com professores e com alunos de diferentes níveis de ensino.
    O oitavo capítulo, "“Itinerário de formação: reflexões acerca de um curso sobre Educação Ambiental”", de Cassiano Pamplona Lisboa, Doutorando em Educação pela UFRGS e Professor do Curso de Licenciatura em Ciências da Natureza do IFRS (Campus Porto Alegre), centra-se na descrição e na análise de um curso de formação que teve como foco a EA. Entremeando discussões de cunho mais abrangente e considerações bastante específicas, o autor reconstrói, em detalhes, o itinerário percorrido durante a organização e a execução do curso, fornecendo interessantes indicativos àqueles que pretendem aventurar-se em direções semelhantes. Além disso, os limites e potencialidades de uma postura pedagógica, voltada à escuta e ao estabelecimento de vínculos afetivos, são tematizados pelo autor.
    No nono capítulo, "“Ecologia e Educação Ambiental: temas para um diálogo conceitual”", de autoria de Milton de Souza Mendonça Junior, Professor do Departamento de Ecologia do Instituto de Biociências da UFRGS, encontramos aguçadas reflexões acerca do distanciamento existente entre o conhecimento acadêmico e a sociedade à qual deveria se destinar, em especial sobre a inadequada incorporação de conceitos oriundos do campo da Ecologia a diferentes discursos sociais. Após a análise detalhada de alguns desses conceitos -– entre os quais se destacam o de Ecologia, o de Biodiversidade e o de Ecossistema –- em seus usos na língua corrente, o autor propõe que se estabeleçam pontes entre a escola e a Educação Ambiental de modo a promover a transformação de ambos com vistas à remodelação da sociedade em que vivemos.
    Por fim, o último capítulo, de Rodrigo Cambará Printes, Professor Adjunto de Ecologia e Coordenador do Curso Superior de Tecnologia em Gestão Ambiental da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul, em São Francisco de Paula, intitulado “Unidades de conservação, Educação Ambiental e negociação de conflitos”, aborda, desde um ponto de vista privilegiado (porque ancorado em rica empiria), algumas das contradições inerentes ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação. Tomando como referência a construção participativa do Plano de Manejo da Reserva Biológica do Lami, localizada em Porto Alegre, RS, o autor pondera acerca das habilidades necessárias a um gerenciador de conflitos e sugere uma metodologia de administração e negociação de conflitos baseada na tomada de decisões por consenso. Por fim, enfatiza a importância das atividades educativas na formação de sujeitos não apenas informados, mas também sensíveis à informação.
    Esperamos que a diversidade de concepções teóricas e metodológicas, bem como aquelas empíricas, expressas e reunidas neste livro, provoquem e estimulem professoras e professores à reflexão acerca dos desafios e das possibilidades que se nos apresentam sob a forma de questões ambientais.

    Cassiano Pamplona Lisboa
    Eunice Aita Isaia Kindel

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