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Drama e teatralidade

o ensino do teatro na escola

Heloise Baurich Vidor
ISBN: 978-85-7706-052-8
ed. 112 p.
Este é um livro muito atual na medida em que valoriza o teatro como componente curricular essencial face aos presentes impasses do cotidiano escolar contemporâneo: a indisciplina, o desinteresse dos alunos pela escola e outros problemas psicológicos e sociais. O mérito da autora é a sua abordagem sobre o drama e a teatralidade, propondo a aproximação entre professores e alunos pela prática teatral e exemplificando tais pressupostos com a narrativa de experiências desenvolvidas no Ensino Fundamental.

 
  • Sumário
    Os porquês que nos movem

    Introdução

    O professor-artista: o pedagogo
    e o ator na sala de aula

    O professor como trabalhador cultural
    A escola como fronteira cultural
    Professor-artista e pedagogia pós-crítica
    O professor-artista e o drama:
    mas de que drama estamos falando?
    As principais características da metodologia do drama
    Drama e teatralidade

    Professor no papel e professor-personagem
    no processo do drama

    Os papéis sociais e suas funções
    Professor no papel e professor-personagem:
    implicações para o professor-artista

    “Nós e eles”: experiências com o professor
    no papel e o professor-personagem

    “Nós e eles”: o professor-personagem conduz a cena
    A experiência
    A avaliação
    “Nós e eles”: o professor-personagem na sala de aula
    A experiência
    A avaliação
    Notas de reflexão

    A teatralidade no drama
    e o ensino do teatro na escola

    Referências

     
  • Trecho
    A teatralidade no drama e o ensino do teatro na escola
    Trecho retirado do cap. V, págs. 95-96

    A prática com o drama, ao longo das duas experiências relatadas teve como questão central a mediação do professor de teatro, transitando entre as funções de ator e de pedagogo durante o processo.
    A via utilizada para esta transição foi o procedimento denominado professor no papel -– professor assume papéis sociais -– e professor-personagem -– professor assume um personagem de um texto, dramático ou não, cujas falas do autor são preservadas. A opção por investigar estes procedimentos e a possibilidade de o professor assumir o papel de ator, dentro da instituição escolar em parceria com os alunos, teve como pano de fundo a perspectiva do professor-artista.
    Não é de hoje que o teatro se depara com a proposta de junção dos papéis do artista com o do pedagogo. Os diretores teatrais do século passado, Stanislavski, Grotowski, norteados por um constante desejo de renovação e superação de códigos já consagrados, não prescindiram do aspecto ético e formativo em sua atuação, tendo sido também pedagogos (PUPO, 2001). Desta forma, também na atualidade, encontramos artistas que, ao repensarem o papel do teatro na sociedade, os diretores, Eugenio Barba, Antunes Filho, mas também os atores Sotigui Koyaté, Yoshi Oida, Julia Varley, entre outros, dedicam parte de seu tempo à transmissão de conhecimentos, sem que isso diminua seu estatuto de artista, pelo contrário, solidificando-o através disso. Identifica-se nesta iniciativa a configuração do binômio do artista-professor.
    No contexto da escola, o binômio se inverte -– professor-artista –- pois sua formação inclui pedagogia e teatro. Entretanto, nota-se um difícil equilíbrio entre uma e outra e a perspectiva do professor-artista pretende trabalhar em prol deste equilíbrio. De qualquer maneira, a pesquisa revelou que está no próprio professor a possibilidade de compatibilizar as duas áreas, tanto como mediador entre os artistas que vem até a escola e os alunos, quanto como ele próprio colocando-se como artista conjuntamente com seus alunos. Neste sentido, o conceito de professor como intelectual, de Giroux (1999), associado ao campo das artes, norteia as possibilidades para que esta parceria se efetive e as dicotomias sejam superadas. É o professor que tem a possibilidade de criar espaço dentro da escola para que processos de apropriação do teatro sejam efetivados.
    Dentro da presente proposta, a criação teatral se deu através da experiência com a metodologia do drama que, além de ter sido pouco explorada no contexto brasileiro, apresenta-se como potencialmente interessante para o trabalho do teatro na escola –- estrutura em episódios, possibilidade de incorporação de procedimentos e estratégias centrais a outras abordagens metodológicas, utilização de um tema ou texto como pré-texto para a criação cênica, foco na contextualização do tema da ficção à realidade dos participantes. Estes aspectos intrínsecos ao drama foram relacionados com a questão da teatralidade, na medida em que “o que se quer é ver o ‘tornar-se-teatro de uma ação, de uma história, de um papel” (Guénoun, 2004, p.139) e, no caso do drama, isso ocorre enquanto se constrói esta história coletivamente, junto com os alunos.
    Apesar de ambas as experiências terem se caracterizado por serem processos curtos, vale lembrar que uma experiência estética não tem tempo definido. A carga horária reduzida em função da disponibilidade tanto da proponente como dos participantes em ambas as experiências não invalidou a discussão, pois foram revelados problemas e possibilidades concretas da metodologia e dos procedimentos para o ensino do teatro no contexto da escola, para a atuação do professor como artista, no caso como ator, dentro da sala de aula.

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