Inclusão e Educação Especial

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Diversidade e cultura da paz na escola

contribuições da perspectiva sociocultural

Angela Branco e Maria Cláudia de Oliveira (Orgs.)
ISBN: 978-85-7706-087-0
ed. 400 p.
Esta obra destina-se a todos os educadores inquietos e comprometidos com a promoção da inclusão social, com a garantia dos direitos humanos e com o desenvolvimento de valores ético-morais, pilares de uma cultura de respeito à diversidade e de cultura da paz nas escolas e na sociedade. A obra contempla temas ímpares sobre preconceito e discriminação, sobre questões de gênero e sexualidade, de atendimento educacional a adolescentes em conflito com a lei, de bullying. Entre outros, salienta a importância do desenvolvimento de uma cultura da paz nas escolas.
  • Sumário
    Prefácio
    Jaan Valsiner


    Introdução
    Diversidade e cultura da paz: a integração necessária
    Angela Maria Cristina Uchoa de Abreu Branco
    Maria Cláudia Santos Lopes de Oliveira


    Parte 1 Considerações Conceituais e Teórico-Práticas

    Ética, desenvolvimento moral e cultura democrática no contexto escolar
    Angela Maria Cristina Uchoa de Abreu Branco
    Sandra Ferraz de Castillo Dourado Freire
    Alia Maria Barrios González

    Sociocultural construtivismo e as dimensões social e subjetiva
    do desenvolvimento humano
    Ética e moral
    Desenvolvimento moral no contexto escolar
    A construção da moralidade, dos valores sociais e o contexto escolar
    Educação e preconceito: o caso Alice como uma questão ético-moral entre crianças
    Desenvolvimento moral na fala de professores e nas práticas da Educação Infantil
    Conclusão

    Educação para a paz: uma perspectiva dialógica
    João Manuel de Castro Faria Salgado
    Tiago Bento Silva Ferreira

    A perspectiva dialógica
    Aproximando a abordagem dialógica e a educação para paz
    Revendo a noção de conflito social e de paz
    Relações dialógicas e relações monológicas
    Características dos limites entre o eu e o outro
    Conclusão

    A ética da diferença: vozes e silêncio na formação de professores
    Alba Cristhiane Santana
    Maria Cláudia Santos Lopes de Oliveira

    A dimensão ética da atividade humana: histórico e conceitos
    A dimensão ética e a Educação Básica
    A dimensão ética na formação dos professores
    A dimensão ética enfocada no projeto pedagógico de um curso de pedagogia
    A dimensão ética nas interações professores-alunos durante a formação docente
    Considerações finais

    Cooperação e promoção da paz: valores e práticas sociais em contextos educativos
    Angela Maria Cristina Uchoa de Abreu Branco
    Raquel Gomes Pinto Manzini
    Marilicia Witzler Antunes Ribeiro Palmieri

    Cooperação, competição e individualismo nos contextos culturais de desenvolvimento
    Interdependência social
    Motivação social, valores e práticas
    A questão do conflito
    O mito da competição
    Será o individualismo inevitável?
    Valores, comunicação e metacomunicação: cooperação na escola e na sala de aula
    Cooperação na experiência de crianças na Educação Infantil
    Considerações finais

    As raízes histórico-culturais e afetivas do preconceito
    e a construção de uma cultura democrática na escola
    Ana Flávia do Amaral Madureira
    Angela Maria Cristina Uchoa de Abreu Branco

    Preconceitos no cotidiano: a reprodução de fronteiras simbólicas rígidas
    com profundas raízes afetivas
    O preconceito como fenômeno de fronteira
    Algumas faces do preconceito: gênero, orientação sexual, classe e etnia
    Preconceitos na escola: a reprodução das desigualdades sociais
    e do sofrimento psíquico
    Desconstruir preconceitos, construir uma cultura democrática:um dos grandes desafios da educação
    Convivendo e celebrando a diversidade na escola
    Considerações finais

    Relações étnico-raciais e cultura da paz na escola e na sociedade brasileira
    Marcella de Holanda Padilha Dantas da Silva
    Angela Maria Cristina Uchoa de Abreu Branco

    Identidade e relações étnico-raciais na perspectiva sociocultural construtivista
    O self e seu desenvolvimento: perspectiva histórica e processos de constituição
    Preconceito, racismo e identidade negra
    Negritude e infância: analisando narrativas de meninas negras
    Negritude, subjetividade e escola
    Considerações finais

    Parte II
    Pesquisas e Experiências


    Inclusão escolar e subjetividade social da escola: relações e possibilidades
    Augusto Parras Albuquerque
    Albertina Mitjáns Martínez

    Inclusão: suas concepções e práticas
    A subjetividade humana sob a ótica de González Rey
    Subjetividade social na escola inclusiva: a pesquisa empírica
    Caracterização da subjetividade social da escola
    O processo de inclusão da escola
    Relações entre a subjetividade social e o processo de inclusão na escola
    Considerações finais

    Inclusão escolar de pessoas com deficiência intelectual:
    linguagem e construção de sentidos
    Sueli de Souza Dias
    Maria Cláudia Santos Lopes de Oliveira

    Políticas de inclusão escolar e a construção de uma sociedade da diferença
    Deficiência intelectual: categoria em transformação
    Educação inclusiva como contexto de produção de novos significados
    Considerações finais

    A inclusão escolar e social de sujeitos com deficiência motora
    na fala de jovens adultos
    Paulo França Santos
    Maria do Amparo de Sousa
    Silviane Bonaccorsi Barbato

    Quais as contribuições da psicologia para a inclusão?
    Os jovens e suas narrativas
    Novas experiências, novas ferramentas, novas trajetórias
    Inclusão, cidadania e dignidade
    Agencialidade nos relatos de vida de jovens com deficiência
    Considerações finais

    Integração intergeracional na escola: uma perspectiva para a paz
    Jacqueline Ferraz da Costa Marangoni
    Maria Cláudia Santos Lopes de Oliveira

    Relações intergeracionais: inclusão social e cultura da paz
    Programas intergeracionais em contextos educativos
    Relações intergeracionais na escola: um estudo de caso
    O imperativo da violência cotidiana
    Autonomia no contexto social, controle no contexto familiar
    Indicadores de reformulação dos posicionamentos de adolescentes e idosos
    Considerações finais

    O contexto das medidas socioeducativas: promoção da paz ou valores da cadeia?
    Tatiana Yokoy de Souza
    Maria Cláudia Santos Lopes de Oliveira

    O direito à escolarização e o distanciamento do universo adolescente
    Sistema de medidas socioeducativas, adolescentes e escolas: uma relação delicada
    Escolas localizadas dentro das unidades de internação para adolescentes: a primazia da segurança sobre a educação
    A situação dos professores dos adolescentes que cumprem medidas socioeducativas
    Os valores da cultura da cadeia presentes na escola
    Norteadores para novas práticas educativas
    Considerações finais

    A questão do bullying: prevenção da violência e promoção da cultura da paz
    Raquel Gomes Pinto Manzini
    Lorena de Moraes Nascimento Leite
    Bruno Cavaignac Campos Cardoso
    Alia Maria Barrios González
    Angela Maria Cristina Uchoa de Abreu Branco

    Relações e interações sociais nas instituições educativas
    Bullying, cultura e contextos educativos
    Bullying e cultura da paz: pesquisando crenças, valores, conceitos e práticas
    Construindo a cultura da paz na escola
    Problemas na família eximem a escola de lidar com a questão?
    Considerações finais

    Narrativas históricas e construção de identidades culturais no contexto educativo
    Alberto Rosa Rivero
    Ignácio Brescó de Luna

    Sociogênese das identidades nacionais
    Centralidade da forma e conteúdo das narrativas na memória e interpretação de eventos históricos
    Conclusões

    Protagonismo infantil no contexto escolar: cultura, self e autonomia na construção da paz
    Sergio Fernandes Senna Pires
    Angela Maria Cristina Uchoa de Abreu Branco

    Infância: a formação de um conceito
    Sociogênese e sujeito ativo: um novo olhar sobre a criança em desenvolvimento
    Self, cultura e desenvolvimento humano
    Moralidade, heteronomia e autonomia
    Protagonismo e/ou participação infantil
    Participação infantil: um estudo empírico
    Considerações finais

    Pósfacio:Perspectivas para o futuro
    Maria Cláudia Santos Lopes de Oliveira
    Angela Maria Cristina Uchoa de Abreu Branco


    Sobre as organizadoras e os autores
  • Trecho
    Prefácio
    Jaan Valsiner
    Educação é importante. Fazer uma afirmação tão óbvia exige certa especificação. Afinal, como educar? Para quem? Com que propósito? É aqui que diferentes direções de pensamento que convergem para sustentar a importância da educação começam a divergir. Primeiro, no curso histórico, a educação formal constituiu um esforço orientado para distanciar as gerações mais jovens de suas realidades culturais mais imediatas. O objetivo era lhes apresentar um conhecimento que não era óbvio, nem acessível no âmbito local. De que outra forma se poderia dispor do conhecimento de que a Terra se move em círculos em torno do Sol, se a experiência cotidiana nos oferece evidências exatamente do contrário? A partir do momento em que esse conhecimento (heliocentrismo) foi institucionalmente aceito, a educação formal passou a ser a única fonte de sua transmissão.
    Além de adotar um conhecimento que até então lhe era alheio, o campo da educação criou uma espécie de metacontrato -– a fonte desse conhecimento, científico, institucionalmente aprovado, deveria ser aceita sem questionamento. Essa característica converteu o educar na prática de produzir obediência -– um aspecto que se mostra importante para sustentar, por exemplo, as guerras. Conhecimento é poder – e esse pode ser utilizado para distintas finalidades. Tanto a destruição que advém das tecnologias militares, quanto a construção de edifícios e instituições sociais que nos resguardam de tal destruição, são baseadas no conhecimento, e a educação é a arena onde o conhecimento é transferido e, junto com ele, também as agendas de como ele pode ser utilizado.
    O foco da educação formal em eliminar toda forma de dúvida é um veículo de controle social e contribuiu para convertê-la em objeto de crítica ideológica ao longo de sua história. Não cessamos de questionar, por exemplo, o que se deve ensinar e o que não se deve, como e quando. Essas são perguntas para as quais não há respostas gerais, à medida que atendem a interesses velados e comprometidos com as instituições sociais das quais a educação é um veículo, que supostamente conduz os aprendizes a formas de conhecimento úteis e eticamente adequadas. No currículo escolar do século XXI, não é provável que se encontre um curso que ensine a produção de bombas, ou então, que ensine um indivíduo a fumar (um tópico obrigatório como parte do currículo de formação de um típico cavalheiro inglês, até a poucos séculos). Em vez disso, temos aulas para desenvolver habilidades de construtor, cozinheiro, ou então, de ética, de história (esta última quase sempre alinhada com a versão oficial dos fatos) e muitas outras habilidades, todas marcadas por temas úteis, mas geralmente não orientadas a uma problematização séria, crítica, da ordem social. Ensinar as novas gerações como derrubar as gerações precedentes – por exemplo, no contexto de uma disciplina intitulada "“Introdução à preparação de revoluções"”, não seria considerada uma atividade curricular apropriada. Por outro lado, a criatividade pode ser considerada importante, o que efetivamente é! Desde a perspectiva daqueles que detém o poder social -– dos mais democráticos aos mais autocráticos -–, a criatividade é considerada importante, pois é preciso mantê-la viva e vinculada às demais atividades socialmente "“aceitáveis"” em dado país e em um contexto histórico específico.
    Dada a interdependência dos sistemas educacionais em relação ao sistema econômico e ao controle ideológico que é exercido pelos detentores de poder, o foco principal deste livro é corajoso: analisar a promoção da paz em todo o espectro do sistema educativo. Ao mesmo tempo, a apresentação deste conjunto de trabalhos na segunda década do século XXI, no contexto do Brasil, vai perfeitamente ao encontro do curso geral da História Mundial. O Brasil é um país economicamente rico e que se destaca por seu distanciamento em relação às grandes guerras ocorridas ao longo da história. Entretanto, assim como em qualquer país, aqui persistem problemas de violência local, conflitos sociais e outras contradições que podem se converter em violência a qualquer momento. Daí a necessidade de se promover a paz –- e outros valores generalizados que deem sustentação social à promoção da paz –- no sistema educativo. Se este objetivo geral –- criar um currículo, implícita e explicitamente orientado a promover a paz -– for bem sucedido em um país, a experiência poderá ser útil à implementação de novas experiências em outros países. No mínimo, esse sucesso tenderia a se tornar uma força que, a partir da escola, se oporia ao conjunto de disputas políticas sustentadas em ações militares que eclodiram ao longo da história humana. O nobre objetivo de combater o hábito de apelar à guerra ainda está por ser atingido. O presente livro é um singelo esforço nessa direção.
    Para se ter sucesso no alcance dos objetivos práticos de promover a paz é necessário um sofisticado esforço interdisciplinar de pesquisa. Esse é o objetivo específico do presente livro. Ele representa o trabalho cuidadoso que o LABMIS (Laboratório de Microgênese nas Interações Sociais) tem realizado nas últimas duas décadas na Universidade de Brasília. A cidade de Brasília nasceu da miragem para criar um mundo melhor (criando uma nova capital visionária para um país imenso). Brasília é também um lugar onde as tradições acadêmicas no estudo dos valores proliferaram de modo sistemático. Esta obra oferece um panorama representativo dos resultados de pesquisa que tratam das condições psicológicas e sociais que se necessitam atender se quisermos manter viva a esperança de fazer ecoar o tema da paz nos sistemas educacionais. Entre todos os tópicos tratados, destaca-se o da inclusão -– a prontidão esperada de uma pessoa ou grupo social para acolher e apreciar o outro (diferente de si), entrar em diálogo pacífico com ele, e ambos se beneficiarem das diferenças. A inclusão pode se dar de muitas formas, pela aceitação de alunos com deficiências nas salas de aula, acatando as delicadas fronteiras de gênero, as especificidades das identidades nacionais, entre outras. A inclusão é precursora da paz.
    Em resumo, a educação para a paz requer que se cultivem com cuidado os sistemas educacionais. Tanto o currículo formal como o informal devem ser considerados em conjunto, desenvolvendo-se a partir daí formas de impedir a emergência da violência. Necessitamos melhor compreender -– e aprender como implementar na prática -– os múltiplos mecanismos de controle que favorecem aos seres humanos a negociação democrática, em vez da conquista por meio de golpes militares.
    Este livro fornece uma primeira luz em meio ao sombrio ambiente de violência em que se encontra o mundo há tanto tempo. Assim, os leitores estão convidados a iniciar sua própria missão para a promoção da paz. Se os autores forem bem sucedidos nessa iniciação, o livro terá cumprido seu papel.

    Jaan Valsiner é Psicólogo, Doutor em Psicologia pela Universidade de Tartu (Estônia), Pós-Doutorado em várias universidades, vencedor do prêmio do Instituto Max Plank, na Alemanha. Professor da Clark University (USA). Autor de vários livros e editor de importantes periódicos científicos na área de psicologia teórica, como o Culture & Psychology. Realiza pesquisas e orienta alunos na área de psicologia teórica, metodologia e psicologia cultural e do desenvolvimento, com ênfase em modelos teóricos e metodológicos de investigação.

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