Fundamentos Pedagógicos

Alta resolução +
Consultar

Desatando os nós da formação docente

Alexandre Shinugov Neto e Lizete Shizue Bomura Maciel
ISBN: 978-85-8706-368-7
ed. 96 p.
A formação e qualificação docente é um compromisso social deste século frente a uma nova concepção de educação de crianças e jovens. Como se reestruturam os cursos de licenciatura e as práticas de ensino diante dessa problemática? Como desenvolver um ensino universitário que forme docentes permanentemente aprendizes e reconstrutores de suas práticas? Os autores deste livro, educadores de renome na área, trazem importantes fundamentos pedagógicos sobre formação docente, contribuindo com gestores, coordenadores pedagógicos, orientadores de estágios e educadores em geral.
  • Sumário
    Trabalho escolar e produção do conhecimento
    Roseli Aparecida Cação Fontana
    Ana Lúcia Guedes-Pinto

    Por entre as sombras
    A ponta do fio e os nós
    Algum lugar
    Receita de ambrosia: paráfrase
    Artífices só se revelam na obra

    Qualidade docente e superação do fracasso escolar
    Pedro Demo

    Colocando o desafio
    Condições favoráveis para o confronto
    O confronto que o docente pode e deve fazer
    Trabalhando o docente inicial
    Especulando oportunidades de recapacitação

    A professora em silêncio: fragmentos
    de um processo singular de constituição
    Roseli Aparecida Cação Fontana

    À guisa de introdução
    O silêncio presente na fala professoral
    A narrativa como opção metodológica
    A professora posta em silêncio –
    breve narrativa em três atos
    De volta aos impasses

    Questões metodológicas na investigação
    dos saberes docentes sobre avaliação
    Marli André

    Introdução
    O processo de formação continuada
    Resultados do processo de formação continuada
    O que significa a avaliação?
    O que fazer diante de saberes
    tão heterogêneos e plurais?
    Reconhecê-los? Revelá-los? Respeitá-los?
    Os diários das professoras: reflexões
    O que os dados dessa pesquisa nos permitem concluir?

    A investigação como um dos saberes
    docentes na formação inicial de professores
    Lizete Shizue Bomura Maciel

    Introduzindo a temática
    A formação reflexiva do professor
    Repensando a regência nos cursos de formação
    Observar a escola: por quê? O quê? Como?
    Finalizando a temática
  • Trecho
    TRABALHO ESCOLAR E PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO
    (Trecho das páginas 5 e 6)

    ROSELI APARECIDA CAÇÃO FONTANA
    ANA LÚCIA GUEDES-PINTO 

    POR ENTRE AS SOMBRAS
    Muito tem sido escrito sobre o processo de formação inicial
    de professores. Muitas têm sido as propostas a eles dirigidas, fundamentadas em uma filosofia educacional e em uma teoria pedagógica
    consistentes, das quais são derivadas políticas claras. No
    entanto, esse patamar de luminosidade e transparência do qual se
    projetam as políticas de formação, têm deixado nas sombras as
    condições sociais concretas de produção do conhecimento da escola
    e da docência pelos educadores.
    Em meio às sombras, a visibilidade daquilo que, como professores
    formadores e em formação, vivemos e conhecemos de perto,
    tem sido pequena. Bem como o conhecimento das relações que
    se estabelecem, na formação inicial, entre as escolas de ensino
    fundamental e a universidade, entre os professores em atuação e
    os jovens estudantes que recebem em suas salas de aula.
    Se pensar a educação na ausência de fundamentos é impossível,
    também é inócuo pensá-la na ausência do que faz o
    educador e dos dramas e gozos que se carreiam ao seu fazer
    (Codo, 2000). Dramas e gozos que nascem em relações sociais
    reais que, como destaca Bourdieu (1999, p.11), “aproximam
    pessoas que tudo separa, obrigando-as a [conviverem], seja na
    ignorância ou na incompreensão mútua, seja no conflito latente ou
    declarado, com todos os sofrimentos que disso resultem”.
    No encontro entre os professores das escolas de ensino
    fundamental, nós, professores da universidade e os educadores
    em formação, visões de mundo diferentes e até mesmo antagônicas,
    porque igualmente fundadas em razão social, dão-se a ver
    e confrontam-se.
    Aqueles que vivem as situações cotidianas de trabalho de
    uma sala de aula colocam em cena conhecimentos, sentidos,
    saberes, valores que escapam aos conhecimentos já formalizados
    nas disciplinas tradicionais que constituem a base da formação
    nas instituições de ensino. Os professores das escolas de
    ensino fundamental têm incorporado aos seus saberes técnicos
    todo um patrimônio de experiências coletivas elaboradas em seu
    trabalho, que mediatiza sua compreensão da escola e do estar
    na escola. Essa experiência não só escapa ao jovem educador
    em formação, como o coloca, juntamente com os professores
    da universidade, em “situação de desconforto intelectual”, que,
    na definição de Schwartz (2000), “é o sentimento de que o conhecimento
    é, no mínimo, defasado em relação à experiência”.
    Diante dessas constatações perguntamo-nos: como articular
    trabalho e educação no próprio processo de formação? Como
    fazer dialogar conhecimentos formais e atividades de ensino na
    universidade com a experiência do trabalho educativo produzido
    nas escolas de ensino fundamental?
    Atuando como professoras em disciplinas do eixo teóricoprático
    do curso de graduação de pedagogia (didática, metodologia
    do ensino, prática de ensino), temos nos debruçado sobre essas
    questões, fazendo dessa zona de sombras nosso lugar de observação
    e de atuação. Temos procurado compreender as condições
    em que se têm produzido significados e sentidos da profissão docente
    entre nós, nossos alunos e os professores que recebem a
    todos nas escolas.
    Que saberes, laços coletivos, valores, contradições, lutas,
    sentimentos de insuficiência dão-se a ver nessas relações?
    Como eles afetam a todos nós, que delas participamos e como
    repercutem em nossa constituição?
    Mais do que dar razão aos diversos pontos de vista em
    jogo nessas interações ou analisá-los em separado, temos nos
    proposto a vivê-los como confronto e a confrontá-los na complexidade
    e ambiguidade em que se configuram.(...)

Sugestões de outros títulos:

carregando...