Literatura Infantojuvenil

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De dedos cruzados

João Batista Freire e Dane D'Angeli
ISBN: 978-85-7706-101-3
ed. 128 p.
Uma novela de terror? Pensará o leitor de início. De suspense? Dirá algumas páginas depois. Um pouco de tudo isso. Com uma boa dose de realidade, o escritor retrata com humor e sensibilidade a história de um professor de Educação Física e de um grupo de jovens de uma cidade de interior que buscam um rumo entre tropeços e realizações. Quando parece que tudo está perdido, recuperam-se, ressuscitam. Quando o placar do jogo e da vida parece indicar a derrota inevitável, eles juntam forças, cruzam os dedos e viram o jogo.
  • Sumário
    Foi um Deus nos acuda
    Assim era Curva do Rio
    Givaldo foi para a cidade grande
    A volta para Curva do Rio
    Quase um milagre
    O recomeço
    Foi assim que a história começou
    Os times de Curva do Rio
    Sorte no jogo
    Sobreveio o desastre
    A fúria das águas
    O time de salvamento
    Contando os prejuízos
    As águas reveladoras
    A virada do jogo
    Depois que o jogo terminou
    E aqui a história termina

    João Batista Freire, o autor
    Dane DAngeli, o ilustrador
    Sobre a história
  • Trecho
    Trecho do Capítulo 1 - Foi um Deus nos acuda
     
    Velório é acontecimento importante em cidadezinha do interior, como esta em que se passou um sucedido que ninguém nunca haverá de esquecer. Começou no fim da tarde e logo se encheu de gente. Depois dos pêsames e de alguns choros, os grupos se formaram nos cantos da sala e também do lado de fora, porque estava estranhamente quente naquela época do ano. Noite adentro a conversa corria solta. Em volta do caixão, parentes e amigos revezavam-se. Nas conversas sussurradas, os mais velhos contavam histórias de doença e de assombração, e não faltaram aquelas do morto que levantou do caixão bem na hora do enterro. De vez em quando, os mais jovens rodeavam os grupos que contavam histórias, embora estivessem mais interessados era neles mesmos, nas trocas de olhares, nos flertes, nas novidades. Olhos vermelhos de um choro recente, caras alegres de novidades ouvidas. Segredos sussurrados, confidências compartidas. Um grupo de adolescentes tagarelava lá fora, e dois dos garotos, por causa delas, começaram a se atritar. — Xiu! — faziam os colegas. Afinal estavam num velório. Os jovens, cada qual ao seu modo, ocupavam-se dos assuntos de jovens, o que não quer dizer que não sentiam lá suas tristezas porque aquele velório tinha demais a ver com todos eles. Pelas conversas, os adolescentes passavam a impressão de que a morte era uma coisa muito distante, algo que só acontecia aos mais velhos. Isso não impedia muitos deles, em vários momentos, de se mostrarem tristes, chateados, desanimados da vida, e havia até os que, às vezes, pensavam se a vida valia a pena. Porém, de maneira geral, os que estavam no velório se sentiam imortais como jovens, e sentiam a morte de um jeito bem diferente do modo como a sentiam os mais velhos.
    Para alguns dos mais idosos, a morte de um conhecido os fazia pensar na morte deles mesmos. A maior parte da vida já tinha passado, estavam mais perto da morte que do nascimento. Como se viu, era velório concorrido, principalmente para os adolescentes, apesar de que havia pessoas de todas as idades, uma vez que o professor era amigo de muita gente, e era muito querido. Ah! Um dos assuntos favoritos dos mais velhos, em ocasiões como essa, era a doença. Quanto aos jovens, falavam mais de saúde que de doença, mais de vida que de morte. Em Curva do Rio, velório servia para muita coisa além de velar defunto. Era ponto de encontro de gente que não se via há anos, confortava sofrimentos, resignava perdas, reconciliava inimigos e anunciava encontros. E terminava quando a tampa do caixão era fechada, e todos se dirigiam ao cemitério. Pois foi justamente nesse momento, quando o velório do professor terminava e seus amigos se preparavam para fechar o esquife para o transporte do morto, bem na hora em que se ouviu um pouco mais de choro, com as pessoas demonstrando seu sentimento de perda, bem nesse momento de maior concentração e consternação... “que o morto se levantou!”
    Isso mesmo, levantou-se, não todinho, mas sentou-se. Segurou-se, com as forças que pode juntar, nas bordas do esquife de madeira brilhante e olhou para os olhos esbugalhados dos que estavam em volta. Sentou-se, reto, rígido como um cadáver, no exato instante em que seus amigos levantavam a tampa para fechar o caixão. Se tomaram susto? Nem lhes conto. Do jeito que estavam, ficaram, a tampa parada no ar, olhando o morto que os olhava, um não falando de espanto, os outros paralisados e mudos(...)
  • Leia algumas páginas

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