Alfabetização e Letramento

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Crônica

o voo da palavra

Walter Galvani
ISBN: 978-85-87063-99-1
ed. 120 p.
Walter Galvani desenvolve princípios da criação literária que ajudam a escrever com sutileza e imaginação. Escrever não é simples, nem fácil. Escrever sempre, nenhum dia sem uma linha, é a sua orientação a estudantes e educadores. Ele apresenta capítulo a capítulo questões teórico-metodológicas do gênero crônica, sugestivas ao planejamento de atividades por professores do Ensino Fundamental e Médio. Pela sua leveza e clareza, o livro destina-se a todos que apreciam ler e escrever crônicas.
  • Sumário
    Carta ao leitor
    Fabrício Carpinejar

    Nenhum dia sem uma linha...

    O voo da gaivota

    A busca do assunto

    Um gênero brasileiro?

    Histórias

    Tudo veio do jornalismo?

    De cronistas e suas crônicas

    Para escrever bem... a leitura é o canal

    Escrever sempre

    Leveza, exatidão... os princípios da criação literária

    O voo das palavras

    Escrever: a indiscutível pátria do pensamento livro

     
  • Trecho
    Nenhum dia sem uma linha...
     
    Escrever, escrever sempre. Procurando transmitir o pensamento para o papel ou qualquer que seja o meio, impresso no jornal ou confiado ao computador, nas páginas da grande revista ou no modesto semanário municipal, no velho e romântico “diário íntimo” ou no vibrante caderno de anotações, “O diário de um repórter”, mas escrever sempre. Disponibilizando o que se deseja expressar, seja nos meios eletrônicos: no “site” (assim mesmo em inglês), ou no sítio (como reivindicam os obstinados defensores da língua portuguesa), no blog ou em qualquer outro suporte, mas escrever. Sobre a escassez da água, o preço do petróleo, o terror do “tsunami”, o êxodo sazonal para o litoral, as férias na Serra, a alta do custo de vida, o assassinato na esquina, a falta de vergonha de alguns políticos, a beleza de uma atriz, a excelência de um filme, a qualidade de um livro, a frase inesquecível, o desastre, a loucura, a bola, a sonolência, a morte, a vida, a celebração do que se pode e se tem, o horror, a vingança, a vitória, o esquecimento, a anistia, a saudade, o amor, a alegria, o sangue, a curva, o rochedo, o rio, a lua e o mar. Diz muito bem o professor e escritor, Cláudio Moreno: “a verdadeira tortura é sentir e não dizer”.1 Como contar com esta arma, como se apropriar deste meio, como? Escrevendo todo o santo dia, até sobre o santo do dia, se for o caso, mas escrever sempre. Nulla die sine linea (nenhum dia sem uma linha), como nos ensinavam os pais fundadores da civilização que herdamos e continuamos (lembrado por Jean-Paul Sartre, em “As palavras”).2 Como aprender a escrever? Lendo, lendo e relendo. Sobretudo relendo e “treslendo”... Praticando, com a humildade dos que sabem e a sabedoria dos que sabem que não sabem. E isso só se conquista baixando a cabeça e trabalhando. Não importa se um dia você não consegue ir além da primeira frase ou se aos poucos você relê e tem vontade de rasgar e jogar fora o que lhe parecera uma ideia genial. Quantas terão sido as ideias geniais na história do mundo? O próprio Albert Einstein, perguntado certa vez, se era verdade que tinha frequentemente boas ideias, respondeu: “É, tive duas ou três novas em minha vida!” É esta a modéstia e a honestidade que precisamos ter, mas que não nos pode congelar a mão e a mente. E afinal, o que é a crônica? Trata-se do voo livre da palavra, tão solta quanto na poesia, capaz de elevar o pensamento até os mais distantes confins, estabelecer os laços com a realidade ou se perder nas brumas da ficção, engajar-se às questões políticas ou se alienar nos domínios do amor, aprofundar-se na busca da verdade ou flutuar pelos imensos campos da dúvida. Ligada pelo cordão umbilical aos fatos do dia ou à época que se atravessa, ao momento histórico ou à situação eventual de uma comunidade, de um país, ao retrato de um instante qualquer na vida humana, filha do deus Khrónos (o tempo) por excelência, e por isso mesmo com a sua durabilidade abreviada pela transitoriedade intrínseca, a crônica pode subir tão alto a ponto de se tornar exemplar ou inalcançável. E, portanto, se eternizar. No início, definida pela necessidade dos governantes de fazerem narrar seus feitos sob sua visão ou para estabelecer, melhorar ou pelo menos projetar a sua imagem, a crônica soltou-se aos poucos das amarras oficiais e iniciou seu voo próprio, carregando a interpretação do cronista, tornando a sua visão pessoal predominante e, com os meios modernos, emancipando-se a ponto de se tornar a mais legítima representação da liberdade de opinião. Dependeu, às vezes, especialmente nos períodos de censura oficial, da habilidade do próprio cronista. Não são poucos os casos em que isso se torna uma difícil carga a ser suportada. É assim que a encontramos hoje, distanciada muitas vezes até das posições da empresa que, por acaso, a veicule. Algumas são mais, outras são menos liberais, e/ou estão cristalizadas no sacrário das individualidades em meio à tempestade corrosiva dos feitos e efeitos da vida comum. Singrar esses mares, enfrentar esses temporais, voar por sobre esses obstáculos, trazer a limpidez das posições individuais torna a crônica transparente e indiscutível pátria do pensamento livre. É, pois, montada nesta astronave que a palavra voa.
    Walter Galvani

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