Inclusão e Educação Especial

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Bullying

escola e família enfrentando a questão

Raquel Gomes Manzini e Angela Uchoa Branco
ISBN: 978-85-7706-114-3
ed. 176 p.
O objetivo desta obra é dar um passo à frente na questão das agressões sofridas por crianças e jovens na família, na escola, nas ruas, desenvolvendo ações concretas de enfrentamento ao bullying que vem se manifestando na sociedade das mais variadas formas. Um fenômeno com que todos se preocupam pela extensão que assume hoje, ainda mais tendo como veículo as redes sociais. Na Parte 1 do livro, as autoras respondem com propriedade à pergunta: O que é bullying? – apontando correntes teóricas que, se mal interpretadas, podem nos levar a reforçar ainda mais determinados estereótipos sobre quem agride ou é agredido. Por certo, trazem uma discussão esclarecedora sobre o assunto que irá surpreender os leitores. Na Parte 2, o mérito das autoras é trazer a voz de crianças, suas narrativas sobre o que vivem, veem, ouvem e sentem, sejam elas vítimas, agressoras ou observadoras de episódios de bullying na escola, na família e nas ruas. Seus relatos desvelam situações que não foram sequer percebidas pelos adultos, cujas intervenções não foram as esperadas pelas crianças, porque em nada as favoreceram. Como enfrentar a questão? Essa resposta se configura de forma contundente na Parte 3 do livro, na qual Raquel e Angela sugerem que a escola e a família, em conjunto, lidem com a violência social, construindo verdadeiramente uma cultura da paz. O mais importante, insistem, é partir para a ação, construindo com adultos, crianças e jovens estratégias de um trabalho cooperativo, que vise ao bem comum, evitando a todo custo as práticas individualistas, as premiações e competições ainda tão valorizadas por toda a sociedade.

 
  • Sumário
    Introdução

    Parte 1
    O QUE É BULLYING?


    Como definir o bullying?
    Pertence o agressor a uma família típica?
    O mito do agressor
    O mito da agressividade inata
    O mito da beleza e do preconceito contra feios e pobres
    Motivações para a prática do bullying: a relação de poder e o preconceito
    Vítimas do bullying
    Testemunhas ou observadores?
    Consequências do bullying


    Contribuições da Psicologia Cultural:
    a abordagem sociocultural construtivista

    A canalização cultural e a internalização
    A qualidade da comunicação
    Motivações convergentes ou divergentes
     
    A cultura da violência na sociedade

    Parte 2
    BULLYING E CULTURA ESCOLAR


    Processos de socialização na escola
    Dois casos reais de bullying
    Motivação para a paz e prossociabilidade

    A escola como contexto cultural: práticas e valores
    O currículo oculto
    Cooperação e valores morais
    Competição versus cultura da paz
    A relação entre crenças e práticas dos professores

    O inestimável valor da voz e da participação dos alunos
    O bullying segundo os alunos
     
    Aprendendo com a Escola Alfa
    Principais contribuições dos alunos
     
    Parte 3
    PREVENÇÃO DO BULLYING E CULTURA DA PAZ


    O papel da família, da mídia e da sociedade

    A escola como protagonista

    Educando para agir em prol da felicidade e do bem-estar de todos
    Prossociabilidade, cooperação e construção da paz
    A escola como agente ativo na construção da paz
    Promovendo a cultura da paz: princípios e sugestões

    Ética, cidadania, democracia e paz

    Referências

     

     
  • Trecho
    Parte 3
    PREVENÇÃO DO BULLYING E CULTURA DA PAZ

    O PAPEL DA FAMÍLIA, DA MÍDIA E DA SOCIEDADE
    (Páginas 136-137)

    Em capítulos anteriores, esclarecemos que as causas do bullying incluem de maneira expressiva crenças e valores socialmente compartilhados. Assim sendo, o bullying na escola depende significativamente do que é canalizado culturalmente, não apenas na escola, mas também na família, na mídia e no grupo de pares. Se as práticas e os valores vividos nesses contextos de socialização forem construtivos, respeitosos e implicarem interações pacíficas, possivelmente não haverá a ocorrência de bullying entre crianças e jovens. Isto quer dizer que idade, personalidade, temperamento, características físicas e tipo de família de origem, por si só, não determinam se ocorrerá ou não bullying na escola.
    Como fenômeno relacional, o bullying acontece pelo fato de que existem valores e práticas sociais que alimentam o fenômeno. Em outras palavras, porque existem certos contextos que favorecem a expressão desse tipo de violência interpessoal. A escola não existe de maneira isolada da sociedade. Sendo assim, ela necessita estar atenta para o fato de que seus alunos trarão para o convívio escolar práticas e valores culturais aprendidos e internalizados fora de seus muros. Daí a necessidade de melhor compreender quais são estas práticas e valores no sentido de melhor planejar e organizar o contexto escolar, para não o tornar palco de práticas e valores indesejáveis.
    Mas será que é possível criar na escola um contexto desfavorável à violência? Acreditamos que sim, mas o primeiro passo nessa direção é saber identificar e analisar de que maneira crianças e adolescentes trazem para a escola as práticas culturais de socialização que vivenciam fora dela. Reconhecer o papel da família, da mídia e da sociedade como um todo é, portanto, uma etapa essencial dos processos de prevenção do bullying escolar.
     Conforme Silva e Ristum (2010), a violência é um fenômeno socialmente construído e não pode ser compreendida fora do âmbito das relações sociais. É importante refletir, por exemplo, sobre as mensagens veiculadas pela mídia que frequentemente vão no sentido de valorizar certas características ou qualidades humanas, e/ou menosprezar e ridicularizar características e pessoas que não correspondem ao padrão idealizado do “belo”, “certo” ou “bom”. Vejamos alguns exemplos. 
    Há cerca de um ano, Raquel Gomes Manzini foi entrevistada por uma rádio para opinar sobre ovos de páscoa que vinham com uma embalagem em branco e uma caneta hidrocor. A proposta do fabricante era que a criança “zombasse” do colega a ser presenteado, escrevendo apelidos e desenhando caricaturas do amigo no ovo. A grande pergunta era: o ovo, por si só, induziria à prática de bullying? Segundo Raquel, o fabricante, ao sugerir ao comprador: “zombe do seu amigo”, poderia estar convidando as crianças e os adolescentes, sim, a criticarem a pessoa a ser presenteada. Tal sugestão parece ser, na verdade, um reconhecimento cultural de que as pessoas (especialmente crianças e adolescentes) se divertem em humilhar os outros, e que isso seria engraçado e inofensivo (o que não é). 
    Obviamente, não é um evento isolado como esse que determina a ocorrência do bullying. O ovo “zombador” reflete, revela e reforça a cultura do bullying, mas não será ele, sozinho, que levará alguém a praticar o bullying. O que poderia ser feito com esse “presente”? Sugerir às crianças e jovens ações na direção contrária: estimulá-los a escrever mensagens de amizade a quem irá presentear. O queremos dizer é que o fato de vivermos em uma sociedade violenta e preconceituosa não faz de todos nós marionetes a reproduzir necessariamente ações e valores de violência e preconceito. Os seres humanos são altamente criativos, somos todos agentes ativos de transformação social e, portanto, capazes de transformar práticas, redirecionar condicionamentos e inventar alternativas e possibilidades concretas de mudança cultural. Um outro exemplo de forte preconceito vigente em nossa sociedade são os inúmeros ataques racistas pelas redes sociais. O cyberbullying é uma maneira covarde de humilhar o outro, que tem por objetivo colocar a pessoa alvo em uma posição de inferioridade. 
    Em casos como esse, escolas e famílias deveriam assumir o papel de debater com seus filhos e alunos sobre o que motiva uma pessoa ou um grupo de usuários das redes sociais a publicar ofensas racistas ou a curtir, partilhar, comentar tais postagens, debater e discutir os prejuízos que podem ser causados por tais comentários na vida dessas pessoas.(...)

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