Educação Infantil

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Bebês na escola

observação, sensibilidade e experiências essenciais

Rosana Rego Cairuga et al. (Orgs.)
ISBN: 978-85-7706-105-1
ed. 240 p.
Um dos grandes desafios dos profissionais que atuam em instituições de Educação Infantil tem sido o de dar significado às necessidades, aos interesses e aos saberes das crianças de zero a três anos. A especificidade deste atendimento requer uma nova concepção acerca da infância, dos bebês, do seu desenvolvimento e das práticas educativas na creche. É necessária uma postura de pesquisadores do universo infantil, de sua cultura, necessidades, interesses e saberes. Concebe-se que a criança, mesmo tão pequena, expressa-se de diversas formas, através do choro, do olhar, do movimento, das vocalizações, com seu jeito próprio de ver e pensar o mundo, vivendo um dos momentos mais significativos do processo evolutivo do ser humano. Como, então, instigar o seu desejo de agir sobre o mundo, organizando experiências essenciais, vivências ricas e de qualidade em que elas possam exercer o papel de protagonistas de suas ações, mesmo assim tão pequenas? Muitas respostas a essas questões estão contempladas nesta publicação, ricamente ilustrada com fotos de crianças em atividades e orientações significativas sobre planejamento, projetos e práticas pedagógicas na creche.
  • Sumário
    Apresentação
    Bebês na escola: observação, sensibilidade
    e experiências essenciais
    Rosana Rego Cairuga
    Marilene Costa de Castro
    Márcia Rosa da Costa 
     
    Primeira parte 
     
    Fundamentos teóricos sobre a ação educativa
    com crianças de zero a três anos 
     
    Infância, educação e saúde:
    aproximações necessárias no cuidado
    com crianças de zero a três anos na escola 
    Márcia Rosa da Costa 
    A necessária articulação entre diferentes áreas
    para olhar a criança em seus primeiros anos de vida 
    Práticas de promoção da saúde com bebês e crianças até três anos 
     
    Os profissionais que atuam com os bebês
    Rosana Rego Cairuga 
    A escola como rede de apoio à família do bebê 
    O cuidar não existe sem o educar 
    A importância dos três primeiros anos para o desenvolvimento 
    Por uma nova concepção de escola para bebês 
     
    Bebês na escola e o olhar da psicologia 
    Giovana de Castro Cavalcante Serafini
    Renata Gonçalves Prosdocimi 
    A primeira visita das famílias à creche 
    A família, o bebê e sua dinâmica 
    O período de adaptação 
    Apoio aos professores
    Acompanhando os pais e/ou responsáveis 
    Acompanhando o desenvolvimento dos bebês 
     
    A escuta das mães na adaptação dos bebês 
    Rosana Rego Cairuga 
    A vida dos bebês 
    As expectativas das mães no ingresso dos bebês na escola 
    As preocupações das mães 
    Suavizando o estresse do desapego: "uma proposta suficientemente boa"
     
    Os bebês interrogam o currículo: as múltiplas linguagens na creche 
    Maria Carmen Silveira Barbosa 
    Sandra Richter 
    As múltiplas linguagens dos bebês 
    Concepções de currículo em disputa 
    Linguagens, narratividades e currículos 
    Resgatando as interrogações dos bebês 
     
    O bebê e suas relações com o espaço 
    Maria da Graça Souza Horn 
     
    Segunda parte

    Planejando e promovendo experiências essenciais

    Desenvolvimento da linguagem do zero aos três anos
    Marilene Costa de Castro 
    Fase pré-linguística 
    Aspectos a serem observados nos bebês por pais e professores 
    Fase linguística 
    Aspectos a serem observados nas crianças por pais e professores 
    Ações educativas sugeridas para o desenvolvimento da linguagem 
    Com bebês de até um ano de idade 
    Com crianças de um a dois anos 
    Com crianças de dois a três anos 
     
    Bebês na escola: a organização do ambiente 
    Rosana Rego Cairuga 
    A organização em áreas temáticas 
    Área dos sons e sensações 
    Área dos brinquedos 
    Área para atividades corporais 
    Área recreativa coberta: o solário 
    Área do repouso 
    Área da alimentação e área da higiene 
    Um espaço dedicado aos bebês 
     
    Conhecendo a rotina da classe bebê 
    Cybelle Caroni 
    A chegada na escola e a rotina dos bebês 
    O momento da alimentação, da higiene e do sono 
    Ouvindo histórias e conversando 
    Explorando texturas, tamanhos, pesos, sons 
    Brincando fora da sala 
    Finalizando a rotina 
    Elaborando o álbum de avaliação 
     
    Projetos com bebês e crianças até três anos 
    Rosana Rego Cairuga 
    Trabalhando com projetos 
    Os campos de experiência 
    O eu e os outros 
    O corpo e o movimento 
    Os sons, a oralidade e o letramento 
    As coisas, o tempo, a natureza 
    O espaço, a ordem, a medida 
    Mensagens, formas e meios de expressão 
    Sobre os procedimentos metodológicos específicos
    Exemplos de projetos com bebês 
    Projeto 1: Que som é este? 
    Projeto 2: Brincarte ? brincando e experienciando a arte
    Projeto 3: Caixa mágica de objetos, imagens, poesias, músicas e histórias 
    Projet 4: Cuidando da natureza e divertindo-se com materiais recicláveis
    Concluindo 
    Sobre as organizadoras e autoras
     
     
  • Trecho
    Apresentação
    Bebês na escola: observação, sensibilidade e experiências essenciais
    Rosana Rego Cairuga
    Marilene Costa de Castro
    Márcia Rosa da Costa

     
     Um dos grandes desafios dos profissionais que trabalham na escola com crianças de zero a três anos, fase inicial do seu desenvolvimento, tem sido o de dar significado às necessidades, aos interesses e aos saberes das crianças dessa faixa etária. A especificidade deste atendimento requer dos professores uma nova concepção acerca da infância, das crianças, do seu desenvolvimento e das práticas educativas na creche. É necessária a postura de pesquisadores do universo infantil, da sua cultura, dos seus interesses e conhecimentos. Concebe-se que a criança, mesmo tão pequena, se expressa de diversas formas, através do choro, do olhar, do movimento, das vocalizações, e que tem um jeito próprio de ver e pensar o mundo, sendo portadora de inúmeras capacidades e habilidades, estando em um dos momentos mais significativos do processo evolutivo do ser humano. Segundo Carla Rinaldi (2012, p. 127), 
    a criança recém-nascida vem ao mundo dotada de um eu alegre, expressivo e pronto para experimentar e pesquisar, utilizando objetos e se comunicando com outras pessoas. Desde o princípio, as crianças demonstram uma notável exuberância, criatividade e inventividade diante de tudo que as rodeia, assim como uma consciência autônoma e coerente. Na mais tenra idade, as crianças mostram que têm voz e, acima de tudo, que sabem escutar e que também querem ser ouvidas.
    As crianças desta fase estão se constituindo subjetivamente e possuem formas específicas de se apropriar do mundo e da realidade que as cerca. São ávidas exploradoras e inicialmente fazem isso através da ação física, sugando, tocando, apertando, cheirando, mordendo, engatinhando e experimentando diferentes sensações. Posteriormente e em complementaridade à ação física, desenvolvem a ação simbólica, imitando, brincando, desenhando, imaginando... Necessitam de um adulto especialmente capacitado no que se refere às concepções, ao aporte teórico, ao conhecimento do desenvolvimento infantil, mas principalmente e primordialmente, conhecedor da necessidade vital de afeto, atenção, empatia e interação que as crianças precisam para assim organizar ações pedagógicas que deem conta da especificidade desta faixa etária. 
    Podemos dizer que o cotidiano vivido na escola pelos bebês e as crianças pequenas é um espetáculo do mundo: a sensação da água nas mãos, o girar do cata-vento, o sabor da comida, o canto dos passarinhos, o barulho do carro, as primeiras experiências manipulativas, as brincadeiras, o vento no rosto, a descoberta do dia e da noite, o engatinhar a toda prova, o movimento desordenado das perninhas, a música contagiante, os primeiros sons e palavras, o dedinho apontando para tudo. Se com dor ou medo choram, se satisfeitos e à vontade, riem e gritam – olhos atentos ao espetáculo do mundo, como nos diz Otto Lara Resende: "Só as crianças e os poetas têm os olhos atentos ao espetáculo do mundo". 
    As crianças nesta fase inauguram experiências que servirão para a sua vida toda. Como, então, converter tais experiências iniciais em objetos de conhecimento e dar significado às aprendizagens na Educação Infantil? Como instigar a sua curiosidade natural e o desejo de agir sobre o mundo, ofertando às crianças de zero a três anos, vivências ricas e de qualidade em que elas possam ter o papel de protagonistas de suas ações, mesmo assim tão pequenas? Uma das respostas nos dá Loris Malaguzzi (1999, p. 61): "as coisas relativas às crianças e para as crianças somente são aprendidas através das próprias crianças". Ou seja, atuar com crianças pressupõe um professor atento ao modo como elas vivem e aprendem, observador de suas ações individuais e no grupo, estando disponível para estar com elas e aprender muito a cada dia. 
    Outra resposta refere-se à forma como se organizam metodologicamente as vivências e experiências no dia a dia da creche: é essencial dar significado às ações das crianças e torná-las conteúdos de aprendizagem, entendendo que quanto menores são as crianças maior é a intervenção dos adultos. É por isso que a observação, a leitura dos seus gestos, o entendimento de suas interações e brincadeiras, a escuta apurada e os registros dessas observações e de sua prática são fundamentais para a organização didática das atividades na creche.
    A forma como as atividades são pensadas, organizadas e propostas dentro do tempo e espaço da instituição educativa traduz as concepções dos educadores, no caso da creche, acerca do que seja o atendimento às criança de zero a três anos. De forma geral, as concepções sobre essa faixa etária são de uma etapa passiva, caracterizada pela dependência e acomodação da criança em relação à construção de sua vida. Mudar essa concepção exige do professor um processo reflexivo, que deve fazer parte de sua vida profissional desde o início de sua formação, tendo continuidade no decorrer de sua atuação através da formação continuada, na busca constante de informações e estudos que tragam novas perspectivas para um trabalho pedagógico que rompa com a visão de infância passiva e da criança como um ser universal.
    Na busca de um distanciamento dessa concepção é importante considerar alguns aspectos relevantes para o redirecionamento metodológico, de forma que o caminho a ser percorrido tenha fundamentos claros e efetivamente coerentes com uma concepção que considera a criança um sujeito social, inserida nas teias configuracionais da sociedade, fazendo parte de um processo histórico, produtora de culturas e com participação no jogo de construção dos acontecimentos sociais (COSTA, 2008, p. 17).
    Este livro é o resultado de uma série de estudos e aprendizagens realizadas no cotidiano escolar e tem como seu propósito principal aprofundar nosso olhar como educadores de crianças na fase inicial de seu desenvolvimento, ampliando possibilidades de qualificação deste atendimento, articulando os saberes da área da saúde e da educação, contribuindo na construção de um currículo que expressa a competência das crianças e dos educadores em uma convivência alicerçada em propostas enriquecedoras e em interações eficazes, nas quais o estímulo, afeto e cuidado estão presentes  a cada dia.
    A primeira parte do livro apresenta reflexões teórico práticas sobre saúde,  educação e qualidade de vida na creche, formação dos profissionais, currículo e concepções, o ambiente físico e seu arranjo espacial e sobre adaptação das crianças pequenas ao ambiente escolar.
    A segunda parte traz estudos acerca de questões práticas referentes à organização do espaço, à estruturação da rotina de sala de aula e dos projetos pedagógicos nessa faixa etária, à documentação e registros do acompanhamento das aprendizagens das crianças, assim como aborda parâmetros do desenvolvimento da linguagem e orientações importantes para pais e professores, formando um conjunto de ações educativas que impulsionam a prática pedagógica.
    A motivação e o desafio para a realização deste livro está fundamentada nas relações entre profissionais que acreditam na generosidade em ensinar e aprender, em compartilhar seus saberes e seus talentos, inspirados pela vivência com as crianças e no respeito e valorização da infância e da Educação Infantil no Brasil.

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