Avaliação

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Avaliando redações

Metodologias e instrumentos de avaliação

Jussara Hoffmann
ISBN: 978-85-87063-57-1
ed. 128 p.
De acordo com sua concepção de avaliação mediadora, a autora aborda a questão das metodologias e instrumentos de avaliação de redações adequados ao Ensino Fundamental, ao Ensino Médio e à Educação de Jovens e Adultos. Nos capítulos iniciais, alerta sobre a importância das tarefas dissertativas e das redações para o domínio da língua escrita e sobre a dificuldade nas escolas de se proceder a uma avaliação pertinente das redações. Com uma importante contribuição, nesse sentido, apresenta, no capítulo 4, um instrumento de análise qualitativa de redações a ser utilizado em escolas com o objetivo de ajudar os professores a acompanhar o progresso de seus alunos. Os capítulos 5 e 6 complementam o capítulo 4 com pressupostos teóricos e práticos a respeito do tema.
  • Sumário
    Introdução

    A importância da redação para o domínio
    da língua escrita


    Correção de redações em exames seletivos
    e a avaliação classificatória


    Práticas avaliativas interativas e mediadoras

    Instrumentos de análise qualitativa de redações

    A estrutura dissertativa-argumentativa:
    os componentes da redação


    Uma prática avaliativa em construção

    Anexos
  • Trecho
    Introdução
    Desde 1970, no Brasil, os meios de comunicação e muitos segmentos profissionais acusam o ensino da redação nas escolas brasileiras de insatisfatório. Na época, o vestibular era apontado como causa indireta desse fenômeno pelo uso exclusivo de questões de múltipla escolha nos testes de seleção à universidade. Os estudantes não estariam se exercitando no domínio da língua escrita no Ensino Fundamental e Médio por não necessitarem demonstrar essa competência no concurso de seleção ao Ensino Superior. A inclusão obrigatória da redação no vestibular poderia, então, vir a exercer uma pressão benéfica sobre o sistema de ensino, voltado, em grande parte, à preparação dos jovens para o ingresso nas universidades.
    Decorrente dessas discussões, a prova de redação foi incluída obrigatoriamente em vestibulares do país a partir de 1978 por Decreto Ministerial. Tal determinação representou uma resposta do Ministério da Educação e Cultura à grande preocupação de toda a sociedade e dos educadores em geral com o uso incorreto e inadequado do português escrito no Brasil pelos jovens escolarizados.
    Em 2001, a mídia divulgou que um candidato semianalfabeto havia sido aprovado em um concurso vestibular, mesmo tendo feito uma redação com erros graves de escrita. Fatos como esse provocaram, dessa feita, uma reação do Ministério da Educação que decretou, a partir de 2002, o caráter obrigatório e "“eliminatório"” da prova em todos os vestibulares do país. É preciso dizer que, até 2002, a prova de redação em vestibulares seguia apenas um caráter “classificatório”. Qual a diferença entre classificar e eliminar um candidato pelo desempenho na redação? No primeiro caso, em caráter de classificação, os pontos atribuídos às redações somente eram computados para os vestibulandos que haviam sido aprovados nas provas objetivas. Ou seja, somente eram corrigidas as redações desses candidatos (já aprovados), que passavam a ter os pontos obtidos nessa prova acrescidos aos pontos obtidos nas provas objetivas, corrigidas por meio de computadores. No segundo caso, quando passaram a ter o caráter eliminatório, as redações de todos os vestibulandos passaram a ser corrigidas, somando-se os pontos obtidos nessas provas aos pontos obtidos nas provas objetivas para fins de eliminação.
    O caráter "“eliminatório"” da redação, estabelecido pelo MEC a partir de 2002, veio a acarretar uma série de problemas em termos de análise do resultado final dos candidatos em vestibulares ou em exames classificatórios. Primeiro, porque aumentou significativamente o número de redações a serem corrigidas por profissionais da área e, como decorrência, houve a necessidade de mais tempo, de melhor treinamento e maior controle dessas correções devido à dificuldade de atribuição de pontos ou notas a uma tarefa dissertativa, tal como a redação.
    Decorridos muitos anos da medida de obrigatoriedade da redação em caráter eliminatório, novamente a discussão recrudesce na mídia e assusta toda a população brasileira. Se a inclusão obrigatória da prova de redação em vestibulares e provas de concurso de todas as naturezas deveria ter provocado a intensificação do ensino sistemático da redação nas escolas, não se tem a evidência de que tenha produzido um melhor desempenho linguístico dos alunos. Poderia se dizer, inclusive, que essa preocupação, hoje, é ainda maior do que na década de 70 (DEMO, 2010).
    Exames vestibulares, exames estatais, como a Prova Brasil, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), e exames internacionais como o Programme for International Student Assessment (PISA), entre outros exames e concursos, incluem provas de redação e revelam que a escrita dos estudantes brasileiros deve ser, de fato, uma preocupação de todos os educadores nas escolas e nas universidades brasileiras.
    Notícias na mídia e em redes sociais divulgaram casos de redações de estudantes que receberam pontuação máxima em prova do Enem de 2012, tendo apresentado erros gramaticais grosseiros em suas redações. Alguns estudantes chegaram a inserir textos que nada tinham a ver com o tema da redação, tais como uma receita de culinária e um hino de um clube de futebol, recebendo pontuação para aprovação apesar disso (acima 500 pontos em um máximo de 1000 pontos). Entrevistados pela mídia, vários examinadores justificaram ocorrências como essas pelo grande volume de redações de candidatos a serem corrigidas em pequeno espaço de tempo, a ausência de critérios claros de correção pelos responsáveis pelo Enem e a falta de treinamento dos examinadores, que são, na sua grande maioria, professores de língua portuguesa das escolas do país.

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