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Avaliação na perspectiva formativa-reguladora

pressupostos teóricos e práticos

Janssen Felipe da Silva
ISBN: 978-85-87063-90-8
ed. 96 p.
Janssen Felipe da Silva desenvolve, neste livro, os pilares da avaliação formativa, como escreve Jussara Hoffmann no prefácio, trazendo pressupostos teóricos e práticos sobre a aprendizagem significativa, a avaliação da aprendizagem e o papel do avaliador em uma escola inclusiva. Destaca-se o capítulo final, no qual apresenta, de forma didática, os princípios norteadores da elaboração e do uso de instrumentos avaliativos na visão formativa- reguladora. Leitura indicada para gestores educacionais e professores de todos os segmentos do ensino.
  • Sumário
    Prefácio
    Pilares da avaliação

    Jussara Hoffmann

    Introdução - Um convite ao diálogo

    Cenário educacional: complexidade,
    ambivalência e possibilidades

    A complexidade da transição
    Abertura às possibilidades e às incertezas

    Crises e emergências no campo da educação
    O campo educacional como lócus de luta política
    O desencanto da rotina escolar

    Pressupostos da avaliação formativa-reguladora
    A pedagogia do encantamento
    Educabilidade
    Pedagogia diferenciada
    Pesquisa como princípio do trabalho pedagógico
    Centralidade nas aprendizagens significativas
    Escola como lócus de aprendizagens, de multiplicidade
    cultural, de tensão e aberta a mudanças
    Currículo flexível e contextualizado
    Projeto político-pedagógico como elemento articulador
    e orientador da prática pedagógica
    Compromisso social

    Exigências sobre a práxis e a formação do professor
    Prática como espaço de confrontação
    e reconstrução da teoria
    Capacidade de aprender permanentemente
    Capacidade de interpretar
    Capacidade de produzir saberes
    Capacidade de superar desafios
    Capacidade de ouvir, dialogar e argumentar
    Professor como intelectual reflexivo transformador
    Perspectiva multidimensional de formação

    Desafios epistemológicos e práticos
    Avaliação educacional constituinte e integradora
    Instrumento de formação
    Princípios norteadores
    Procedimentos avaliativos
    Natureza das tarefas e dos instrumentos avaliativos
  • Trecho
    Introdução
     
    Este livro foi escrito com o intuito de possibilitar subsídios para um estudo sistemático e crítico em torno da avaliação educacional do ensino-aprendizagem. Sistemático porque, como diz Freire (1982), estudar requer uma disciplina, uma rotina, uma metodologia, um esforço intelectual e afetivo de dedicar-nos meticulosamente ao objeto a ser desbravado; crítico na perspectiva de termos a realidade vivida como referência para recriarmos o estudado, recriando também a nós mesmos e à própria realidade.
    Por isso que o “ato de estudar (...) é uma atitude frente ao mundo” (Ibidem, p. 11). O estudo efetiva-se a partir de uma relação reflexiva com o contexto no qual estamos inseridos, vai além do contato entre leitor-texto. Materializa-se ao atingir uma relação multifacetada e cíclica de leitor-texto-contexto-leitor, fazendo de quem ler coautor do texto e coarquiteto da realidade, consequentemente, “estudar não é um ato de consumir ideias, mas de criá-las e recriá-las” (Ibidem, p. 12).
    Mas, acima de tudo, estudar precisa ser um ato de prazer, de seduzir-nos por aquilo que estamos lidando, de criarmos intimidade, de adentrarmos no objeto de estudo e sermos contaminados pelo encanto de conhecer, de ir além do já sabido. Na mesma medida que estudar também é um ato de coragem ao nos tornarmos objeto de nossa própria reflexão, de estarmos abertos à crítica, a outros olhares que encontramos no diálogo com o texto e o contexto.
    Este trabalho foi sendo gestado durante minhas aulas na graduação e nas especializações, nas orientações de monografias e nas palestras que ministrei. Desses momentos colhi reflexões, ideias que sistematizo nesse espaço-tempo chamado livro. As páginas que se seguem contam uma história de docência e de pesquisa que, ao se desenvolver, ia, simultaneamente, tornando-se objeto de minhas indagações. Escrever nesse caso é revelar minha intimidade reflexiva, é socializar meus pensamentos e experiências, é compartilhar vivências, é sentir saudade do vivido e do que virá a ser experienciado. Registrar minhas reflexões nestas páginas é convidá-los a conhecer minhas crenças, meus sonhos, meus projetos, meus desejos...
    Por isso escrevi este trabalho aos poucos, tecendo-lhe através de reflexões que montam um mosaico interpretativo e propositivo acerca da concepção e da prática avaliativa. Visitei diversos autores e experiências no movimento de traçar as ideias contidas neste escrito. Também revisitei emoções e sentimentos constituintes de minha história de vida, de minha prática docente e de meu estar sendo no mundo. Um estar sendo no mundo compreendido como uma dinâmica inconclusa, incerta, transcendente de mim mesmo e da realidade. Realidade esta que está sendo palco de minha saga existencial e objeto de minhas reflexões.
    Fiz este texto para dialogar e debater com vocês, para que possam reescrevê-lo e ressignificá-lo em um processo de contextualização das ideias, de crítica e de reflexão propositiva. Friso que é improvável tecer um escrito que sirva para qualquer contexto sem que se exercite a crítica, a reescrita e a inovação. Não poderia nem pensar em dar soluções para os diversos problemas que afetam as várias realidades socioeducacionais, precisaria ser onipresente e onisciente para ter ciência das infinitas singularidades que constituem o complexo sistema educacional e a sociedade como um todo. Vocês precisam, devem recriar o texto a partir de seus cenários e de seus sonhos, de suas inquietações e de seus desafios.
    Por isso convido vocês leitores-pesquisadores a uma leitura reflexiva, indagativa e inquietante. Tal leitura não pode parar no ato de ler o livro, necessita continuar nas práticas cotidianas das salas de aula em uma aventura responsável e comprometida com a reinvenção da realidade a partir da compreensão de que a “ética universal é inseparável da ação educativa (FREIRE, 2000). Assumir a ética universal é fundamental para me reconhecer como sujeitos da procura, da decisão, da ruptura, da opção, como sujeitos históricos, transformadores” (Ibidem, p. 19).
    Quero chamar a atenção que mais adiante mudarei o verbo da primeira pessoa do singular (eu) para a primeira do plural (nós). Essa mudança dar-se-á porque não escrevo sozinho, tenho parceiros, os autores lidos e os sujeitos das experiências vividas. Por isso não me atrevo em falar de ideias puras e inéditas e sim de ideias compartilhadas com diversos interlocutores. Isso não me tira a responsabilidade sobre o que escrevo, ao contrário, aumenta, pois estou comprometido com outros indivíduos e vivências que me cobrarão coerência e consistência.
    Teci este trabalho tentando me balizar primeiro em duas responsabilidades: a ética e a estética. Ética por querer desenvolver uma fidelidade teórica às ideias e aos autores visitados, tendo como parâmetro os imperativos da realidade e o desejo de vivenciar um projeto de sociedade emancipador. Estética por que sinto a necessidade de desenvolver uma escrita bonita, agradável, degustável, sem sacrifícios de leitura, que seduza o leitor. Dediquei-me em atingir a essas duas responsabilidades, não sei ao certo se consegui alcançá-las.
    Essas duas responsabilidades me conduzem à terceira, a de servir à reflexão, a instigar o pensar do outro, de conduzir pedagogicamente a uma “curiosidade epistemológica” (FREIRE, 2000). É uma responsabilidade atrevida por querer adentrar e interferir no que há de mais íntimo do ser, seu pensamento e sua reflexão. Mais atrevido ainda é acreditar que este trabalho possa ajudá-los a reconstruir suas práticas docentes, em especial, as avaliativas, que eu possa, de alguma maneira, entrar na intimidade de suas salas de aula e, em um diálogo reflexivo, possibilitar um olhar mais minucioso e indagador sobre a rotina escolar, tornando-a laboratório didático, espaço de invenções e reinvenções pedagógicas.
    Ser atrevido é uma marca do professor; indignar-se com a realidade opressora e tecer superações é característica do ser docente. Professor que não é atrevido e não se indigna com as mazelas da sociedade já deixou de sê-lo há algum tempo. Ser educador é gestar em si a sensibilidade pedagógica da inconformidade, da inconcretude, lançando-se na empreitada de não se contentar com as explicações fáceis, superficiais e com a rotina mecânica que ofusca, muitas vezes, a criticidade e a criatividade. É preciso ser atrevido e audacioso na procura do seu voo como o fez Fernão Campelo Gaivota.
    A maior parte das gaivotas não se preocupam em aprender mais do que os simples fatos do voo – como ir da costa à comida e voltar. Para a maioria, o importante não é voar, mas comer. Para esta gaivota [Fernão Campelo], contudo, o importante não era comer, mas voar (BACH, 1970, p. 15).
    Ser docente é procurar incessantemente uma organização do trabalho pedagógico que ultrapasse as exigências burocráticas, que atinja as reais necessidades de quem ensina e de quem aprende, que favoreça a uma ensinagem humanizante, que não se contente com a ideia de que “estamos nesse mundo para comer e para nos mantermos vivos tanto quanto pudermos” (BACH, 1970, p. 48). Ou seja, o professor não vai à sala de aula somente para “dar aulas”, “transmitir conteúdos” e “fazer chamada”, sua tarefa é maior, é encantar os aprendentes para que se transformem em seres humanos conscientes e participativos da vida em sociedade.
    Por isso, a docência é a “dinâmica histórica da aprendizagem humana, do ensinar e aprender a sermos humanos. Por aí reencontramos o sentido educativo do nosso ofício de mestre, docentes. Descobrimos que nossa docência é uma humana docência” (ARROYO, 2000, p. 53). Ir além é o desafio da vivência docente que se materializa na aprendizagem da humanidade que assume lugar central na tarefa educativa. Nesse prisma, o currículo escolar na verdade é um currículo de humanidades, onde o aprendente, juntamente com o professor vai construindo relações socioafetivas na constituição de sua natureza humana.
    A partir de agora me transformo em nós e convidamos vocês a realizar uma viagem epistemológica e pedagógica em torno de nossa temática e do mar das experiências. Uma aventura que exige ativarmos e aguçarmos nossa “curiosidade epistemológica”, nossa vontade de estar aberto ao outro, ao diferente, a uma prática leitora questionadora, instigante e propositiva. Abertos a nos transformarmos em objetos de nossa reflexão, indagando qual a razão e a emoção que nos movem ao sermos professores, ao lançar-nos no voo da ensinagem e da aprendizagem.
    Estruturamos nosso livro da seguinte forma: na primeira parte tratamos brevemente da realidade socioeducacional atual trazendo à tona a crise da modernidade. No segundo momento, discutimos a crise e as emergências paradigmáticas na educação escolar. Na terceira parte, evidenciamos alguns pressupostos pedagógicos para a prática da avaliação formativa-reguladora. No quarto capítulo, fizemos uma breve discussão sobre as práxis e a formação docente. Em seguida, dialogamos acerca da avaliação do ensino-aprendizagem, tendo como referência a sua perspectiva formativa-reguladora. Por fim, fazemos algumas considerações em torno da discussão desenvolvida.

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