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Atualidade da educação bilíngue para surdos (Vol. 2)

interfaces entre pedagogia e linguística

Carlos Skliar (Org.)
ISBN: 978-85-87063-27-4
ed. 208 p.
O volume 2, Interfaces entre pedagogia e linguística, reúne ensaios e relatos de experiências de educadores com a alfabetização dos surdos, com a escrita e a leitura de crianças surdas, da sua relação com pais ouvintes e suas famílias, entre outros temas. As questões discutidas constituem, de forma implícita ou explícita, uma reflexão da natureza heterogênea, descontínua e rica sobre a educação bilíngue para surdos. Reúne fundamentos teórico- práticos norteadores de experiências em instituições educacionais contemporâneas, constituindo-se em um clássico no gênero.
  • Sumário
    Apresentação - A localização política da educação bilíngue para surdos
    Carlos Skliar

    Bilinguismo dos surdos
    Kristina Svartholm

    Aquisição do português como segunda língua:
    uma proposta de currículo para o Instituto Nacional de Educação de Surdos

    Alice Maria da Fonseca Freire

    La lengua escrita: ese esquivo objeto
    de la pedagogía para sordos y oyentes

    Carlos Sánchez

    Importancia de las estrategias y recursos de la maestra sorda en el proceso de enseñanza/aprendisaje de la lengua escrita
    Maria Pilar Fernández Viader
    Esther Pertusa
    Marta Vinardell

    É possível ser surdo em português?
    Língua de sinais e escrita:
    em busca de uma aproximação

    Sueli Fernandes

    Adquisición de la lectura y escrita
    en niños sordos en una escuela bilíngüe

    Mónica Elizabeth Castilla
    Susana Ortega de Hocevar
    Silvia Mirian Duhart

    O som: este estranho desconhecido
    Eulalia Fernandes

    A questão da autoria nas produções
    escritas de adolescentes surdos

    Maria Cristina da Cunha Pereira
    Carmen Lucia de Oliveira

    Famílias, crianças surdas, o mundo
    dos surdos e os profissionais da audiologia

    Robert J. Hoffmeister

    Línguas e identificações: as crianças
    surdas entre o "“sim”" e o "“não"”

    Luis Behares

    Surdos oralizados e identidades surdas
    Paula Botelho

    Produções do período pré-linguístico
    Lodenir Becker Karnopp

    O inicial e o tardio na aquisição
    da linguagem: aspectos de questão
    WH na Língua Americana de Sinais

    Diane Lillo-Martin
    Carole T. Boster,
    Kazumi Matsuoka
    Michiko Nohara

    Diversidade e unidade nas línguas de sinais:
    LIBRAS e ASL

    Ronice Muller de Quadros
  • Trecho
    BILlNGUISMO DOS SURDOS
    trecho retidado do capitulo 1 pag. 15-16
     
    (...) De uma perspectiva internacional, a pesquisa sobre a Língua de inais da Suécia e o bilinguismo dos surdos está bastante avançada, tendo começado em meados dos anos 70. A premissa tinha duas ramificações: um estudo linguístico da Língua de Sinais da Suécia e um projeto de pesquisa com o objetivo de elucidar o desenvolvimento cognitivo e linguístico inicial de crianças surdas e com difi­culdade de audição (BERGMAN, 1977; AHLGREN, 1976).
    A Língua de Sinais da Suécia foi projetada para propósitos normativos no início dos anos 70. A ideia fundamental era de que as palavras e sinais seriam usados simultaneamente, ou seja, dever-se-ia falar e sinalizar ao mesmo tempo. Cada palavra na língua falada correspondia a um sinal. A intenção era de que esse método de sinalização não iria apenas facilitar a comunicação entre os sur­dos e pessoas ouvintes, mas facilitaria também para as crianças surdas a aquisi­ção da língua falada da sociedade.
    Como aconteceu, as expectativas para a Língua de Sinais da Suécia não fo­ram alcançadas. As pessoas ouvintes que tinham aprendido a Língua de Sinais da Suécia tiveram dificuldade em se fazer entender e de compreender os sur­dos; em particular, não conseguiam entender sobre o que os surdos estavam falando entre si mesmos (BERGMAN, 1977). Pôde-se certamente notar que a comunicação em sala de aula funcionava melhor para as crianças surdas duran­te seus primeiros anos escolares do que quando seus professores não usavam absolutamente sinais, e também se pôde notar que muitas crianças surdas demonstravam melhores habilidades no sueco – mas os progressos eram pequenos e insatisfatórios (AHLGREN, 1984).
    A explicação para a causa desse uso simultâneo da fala e sinais não funcio­nar como esperado veio mais tarde, com o conhecimento obtido através de pesquisa sobre a língua de sinais da comunidade dos surdos e como estes aprendem a língua. Existem semelhanças e diferenças entre a língua falada e a língua de sinais. As diferenças talvez estejam relacionadas às condições para a produção e percepção das línguas. A língua de sinais não é produzida apenas manualmente, com as mãos, mas também emprega meios não manuais, que incluem expressões faciais, movimentos da boca, a direção do olhar, etc. Isso permite um grau significantemente maior de informações linguísticas simul­taneamente produzidas do que é possível na língua falada (BERGMAN, 1979; 1982). Outra divergência significante da língua falada é que a língua de sinais tem uma organização espacial, ou seja, o espaço tri-dimensional em frente da pessoa que usa os sinais é utilizado na estrutura da língua em si (BERGMAN, 1980; 1990). Tudo isso se adapta bem a como o olho recebe as informações, isto é, às condições de percepção para as línguas de sinais (BELLUGI, 1980).
    Além de sua organização simultânea e espacial, a língua de sinais também tem uma organização temporal, ou seja, os sinais, os quais podem por si sós portarem informações linguísticas extraordinariamente complexas, também se­guem um ao outro no tempo. Essa é a organização dominante da língua falada, quando alguém simultaneamente fala e usa os sinais, esse tipo de organização assume o controle. Isso significa que a produção de sinais está subordinada à língua falada e suas condições. Entretanto, a organização temporal está alta­mente adaptada a como o ouvido recebe a informação, mas menos adaptada ao olho. Fora da subordinação que segue, a informação em sinais é reduzida e fragmentada e as expressões para as relações inerentes entre sinais desapare­cem. Nem uma grande quantidade de informações significantes na fala será expresso de uma forma visualmente compreensível. Isso se aplica particularmen­te a todas as informações que residem nos elementos prosódicos da fala como entonação, sílaba tônica, etc. Interpretar esses elementos em sinais que foram adaptados à fala, e compreender como se combinam para construir unidades significativas exige grande habilidade para preencher as informações que fal­tam e dessa maneira precisa grande proficiência em sueco (BERGMAN, 1979). (...)
    Kristina Svartholm

     

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