Inclusão e Educação Especial

Inclusão
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Atualidade da educação bilíngue para surdos (Vol. 1)

processos e projetos pedagógicos

Carlos Skliar (Org.)
ISBN: 978-85-87063-26-7
ed. 272 p.
Resultado de um congresso internacional realizado em nosso país, essa obra em dois volumes apresenta textos completos dos conferencistas presentes e revela um significativo avanço teórico e prático em estudos sobre a educação dos surdos. O primeiro volume ? Processos e projetos pedagógicos ? aborda, entre outros temas, a questão do multiculturalismo, as políticas sobre a surdez, as políticas comunitárias dos surdos, práticas e projetos que vêm se desenvolvendo em vários países do mundo.
  • Sumário
    Apresentação

    A localização política da educação
    bilíngue para surdos

    Carlos Skliar

    O ambiente bilíngue: alguns comentários sobre
    o desenvolvimento do bilinguismo para os surdos

    Jim Kyle

    Bilinguismo e surdez: para além
    de uma visão linguística e metodológica

    Ana Dorziat

    Hacia la construcción de la educación
    bilingüe/multicultural para los sordos en Colômbia

    Paulina Ramirez

    El contrato didáctico en el marco de las
    políticas lingüísticas argentinas

    María Ignacia Massone e Marina Simon

    Liderazgo y dirección de personas
    sordas jóvenes en el trabajo nacional
    e internacional de las organizaciones
    de sordos: clarificación de los objetivos

    Antonio Martínez Álvarez

    Dificultades en la implementación de la educación bilingüe para el sordo: el caso Montevideo
    Leonardo Peluso

    Alguns pontos de vista sobre a educação
    dos surdos nos países nórdicos

    Markku Jokinen

    Situación actual de la educación
    de las personas sordas en Chile

    Dora Adamo Quintela, Ana Cárdenas Pérez
    e Pamela Lattapiat Navarro

    La otra cultura
    Silvana Veinberg

    O multiculturalismo na educação dos surdos:
    a resistência e relevância da diversidade
    para a educação dos surdos

    Barbara Gerner de Garcia

    O ensino para surdos na escola inclusiva: considerações sobre o excludente contexto
    da inclusão

    Regina Maria de Souza e Maria Cecília Rafael de Góes

    Perspectivas de cambio en las políticas
    de inclusión de los sordos en España

    Maria Pilar Fernández Viader

    Currículo e emancipação
    Monique Franco

    Educación bicultural/bilingüe
    para las personas sordas en Chile

    Ximena Acuña Robertson e Irene Cabrera Ramirez

    As novas tecnologias da informação
    e a educação de surdos

    Carla Beatris Valentini

    Educación temprana y lenguaje en los niños sordos
    Carme Triado

    Intervención del intérprete de
    lengua de señas/ lengua oral en el
    contrato pedagógico de la integración

    Rosana Famularo
  • Trecho
    APRESENTAÇÃO

    A localização política da educação bilíngue para surdos
    Carlos Skliar
    (...) A proposta de educação bilíngue para surdos pode ser definida como uma oposição aos discursos e às práticas clínicas hegemônicas – características da educação e da escolarização dos surdos nas últimas décadas – e como um reconhecimento político da surdez como diferença. Essa definição, ainda que imprecisa, sugere que a educação bilíngue para surdos é algo mais do que o domínio, em algum nível, de duas línguas. Se a tendência contemporânea é fugir – intencional e/ou ingenuamente – de toda discussão que exceda o plano estrito das línguas na educação dos surdos, corre-se o risco de transformar a proposta bilíngue em mais um dispositivo pedagógico “especial”, em mais uma grande narrativa educacional, em mais uma utopia a ser rapidamente abandonada. Em síntese: a educação bilíngue pode-se transformar numa “neometodologia” colonialista, positivista, a-histórica e despolitizada (SKLIAR, 1997a; 1997b). Discutir a educação bilíngue numa dimensão política assume um duplo valor: o “político” como construção histórica, cultural e social, e o “político” entendido como as relações de poder e conhecimento que atravessam e delimitam a proposta e o processo educacional. Existem, nesse último sentido, um conjunto de políticas para a surdez, políticas de representações dominantes da normalidade, que exercem pressões sobre a linguagem, as identidades e, fundamentalmente, sobre o corpo dos surdos (DAVIES, 1996). Tais políticas podem ser traduzidas como práticas colonialistas ou, melhor ainda, como práticas “ouvintistas” (SKLIAR, 1998). Nessa perspectiva, o foco da análise sobre a educação bilíngue para surdos deve-se deslocar dos espaços escolares, das descrições formais e metodológicas, para localizar-se nos mecanismos e relações de poder e conhecimento, situados dentro e fora da proposta pedagógica. A possibilidade de estabelecer um novo olhar sobre a educação bilíngue permitiria refletir sobre algumas questões ignoradas nesse território, entre as quais menciono: as obrigações do Estado para com a educação da comunidade surda, as políticas de significação dos ouvintes sobre os surdos, o amordaçamento da cultura surda, os mecanismos de controle através dos quais se obscurecem as diferenças, o processo pelo qual se constituem – e ao mesmo tempo se negam – as múltiplas identidades surdas, a “ouvintização” do currículo escolar, a separação entre escola de surdos e comunidade surda, a burocratização da língua de sinais dentro do espaço escolar, a omnipresença da língua oficial na sua modalidade oral e/ou escrita, a necessidade de uma profunda reformulação nos projetos de formação de professores (surdos e ouvintes), etc. Para poder materializar essa análise, é necessário indagar sobre três questões que acho intimamente relacionadas: as relações entre a pedagogia atual e a educação bilíngue para surdos, o sentido do “bilíngue” e, finalmente, os diferentes projetos políticos – multiculturais – que sustentam e subjazem à educação bilíngue para surdos. De acordo com McLaren (1996), a escola é um território em que ideologias e formas sociais heterogêneas se debatem num contexto de poder. O ensino é uma forma privilegiada de política cultural, no qual se representam formas de vida social, no qual sempre estão implicadas relações de poder e se enfatizam conhecimentos que proporcionam uma visão determinada do passado, do presente e do futuro. É evidente que a escola atual não proporciona oportunidades para o desenvolvimento e o fortalecimento das identidades pessoais, ao contrário, dá-se prioridade às habilidades técnicas que são sugeridas pela lógica contemporânea do mercado. Essa lógica impõe, por exemplo, a inclusão de surdos em escolas regulares, justificando tal decisão com argumentos do “politicamente correto”, do fazer surdos mais eficazes, mais eficientes. Mas a educação não é politicamente “opaca” nem neutra em seus valores e, por isso, não resulta em uma tarefa simples a compreensão do papel da escola em uma sociedade dividida e fragmentada racial, social, étnica, linguística e
    sexualmente. A escola moderna contribui no dia a dia para essa divisão, através de quatro estratégias fundamentais: a razão instrumental – todo conhecimento deve ter uma finalidade e uma utilidade –, o controle burocrático, a cibernética das subjetividades – todas as crianças e todos os professores devem se subordinar à prática dos computadores – e a lógica binária e perversa da inclusão/exclusão – pela qual quotidianamente se mudam as fronteiras e o significado do “pertencer ou não pertencer”. (...)



     

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