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Artes Cênicas

teoria e prática no Ensino Fundamental e Médio

Taís Ferreira e Mariana Oliveira
ISBN: 978-85-7706-110-5
ed. 136 p.
A obra representa uma contribuição ímpar ao ensino das artes cênicas, voltada mais precisamente para o tema das relações entre história, prática docente e criação no âmbito da escola. Destinado aos professores que atuam junto à Educação Básica, o livro dedica-se ao Ensino Fundamental (anos finais) e Médio, embora as propostas e demais questões aqui tratadas também sejam úteis para profissionais que atuam em outros níveis de ensino, escolar ou informal. As autoras acumulam experiência e conhecimento nesse ramo profissional: pesquisa, criação e atuação cênica, analisando particularmente as questões do ensino e aprendizagem.  O livro contempla o cruzamento de possibilidades de instrumentação teórico-metodológica dirigida para uma gama ampliada de leitores, incluindo licenciandos, professores iniciantes e já atuantes, sugerindo também recursos ao professor no sentido de uma visão interdisciplinar do trabalho educativo.
 
  • Sumário
    Prefácio:
    Contribuições ao ensino das artes cênicas

    Arão Paranaguá de Santana
     
    Aprendendo a história das artes cênicas
    Taís Ferreira

    A família das artes da cena viva
    Prática e teoria devem andar de mãos dadas (ou abraçadas)
    Tópicos selecionados em histórias das artes da cena
    Temas em história do teatro ocidental
    Temas em histórias interculturais do teatro e da dança
    Temas em história do teatro e da dança no Brasil
    Temas em história das artes cênicas na contemporaneidade
    Breve fechamento
     
    Abordando a história do teatro na escola:
    imagens, exercícios e jogos
    Mariana Oliveira

    A história entra em cena
    Das propostas aos meios
    A emergência da iconografia teatral
    A articulação contextualizar-fazer-apreciar
    O teatro grego antigo através das imagens
    A história do teatro na prática
    Avaliando alguns resultados
    Procedimentos sugeridos: considerações finais
     
    Theatron: lugar de onde se vê:
    uma experiência de produção audiovisual
    Mariana Oliveira

    A experiência documental
    Introdução à história do teatro
    Notas sobre o processo
    Theatron: Lugar de Onde se Vê
    Concluindo a travessia
     
     
  • Trecho
    ABORDANDO A HISTÓRIA DO TEATRO NA ESCOLA: IMAGENS, EXERCÍCIOS E JOGOSDAS PROPOSTAS AOS MEIOS
    Mariana Oliveira
    (Trecho do livro - páginas 82-83)

    Para além das justificativas, é preciso perguntar-se de que maneira pode se dar a abordagem da história do teatro na escola. Na tentativa de refletir sobre essa questão. Vivemos em tempos de proliferação de imagens e muito de nossa aprendizagem informal e cotidiana se faz por meio delas (BARBOSA, 2004). Atualmente, estamos diariamente em contato com imagens, não apenas pela televisão, mas também pelas tecnologias digitais e virtuais. Poderia a educação formal tirar proveito desse tipo de recurso? Se as imagens constituem, hoje, eficazes meios de aprendizagem informal, seriam elas capazes de contribuir, ao mesmo tempo, para a própria aprendizagem formal?
    No caso específico do teatro, essa pergunta vem a propósito, por se tratar de uma arte na qual a visão tem importância fundamental. É preciso lembrar que o próprio termo teatro vem do grego theatron, que significa “lugar de onde se vê”. Essa definição explica o teatro de modo associado ao drao ou dromenon, que originou a palavra drama e quer dizer ação (KOUDELA, 2002, p. 25). Pode-se afirmar ainda, como fez Denis Guénoun (1997), que o teatro é duplamente formado pelos elementos da theoria e da mimesis, sendo esse último relacionado à representação e o primeiro à visão ou à contemplação. Por muito tempo estudado pela história do teatro apenas em seus aspectos dramatúrgicos, o fenômeno teatral tem sido cada vez mais explorado em sua dimensão espetacular. Esse certamente constitui um dos motivos que fez emergir, no final do século passado no continente europeu, um novo campo de estudo historiográfico chamado iconografia teatral.


    A EMERGÊNCIA DA ICONOGRAFIA TEATRAL

    A fase inaugural dos trabalhos em iconografia teatral, nos anos 90 na Europa, preocupou-se em detectar e avaliar uma série de documentos iconográficos do passado, compondo diversos bancos de dados que os identificam, descrevem e classificam. Esse esforço de reunião, tratamento e também de difusão das imagens existentes acerca da história do teatro tem possibilitado um enfoque mais cuidadoso sobre esse tipo de documento, cuja importância tem crescido significativamente. O conhecimento mais vasto e aprofundado acerca das imagens teatrais evidencia-se na própria utilização que delas se tem feito em obras panorâmicas sobre história do teatro, inclusive no caso de livros juvenis ilustrados que tendem a lançar mão de documentos iconográficos para acompanhar seus textos. Embora, em língua portuguesa, tenhamos pouca produção nessa área e com esse estilo, sendo a obra de Hildegard Feist (2005) o único exemplo de que tenho notícia, é possível verificar a forte presença da iconografia teatral em não poucos livros juvenis estrangeiros, especialmente franceses, sobre história do teatro, tais como os de André Degaine (1992; 2006), Pierre Marchand (1993), Moëlle Guibert (1994), Marie-Claude Hubert (1996) e Magali Wiéner (2003).
    Nessas publicações, as imagens parecem exercer múltiplas funções, para além da geração imediata de atratividade. Elas também ajudam na compreensão do fenômeno teatral, evidenciando aspectos materiais das cenas do passado e suas estéticas, estilos e modos de organização (por exemplo, espaços cênicos, cenários, figurinos). Nesse âmbito, como defendido pelo historiador Peter Burke, as imagens revelam detalhes “que as pessoas da época teriam considerado como dados e deixado de mencionar em textos” (BURKE, 2004, p. 120). Por exemplo, para o teatro da Antiguidade Clássica, há uma vertente de estudos já consolidada que vem investigando as pinturas de vasos antigos como fontes de informação sobre elementos cênicos materiais do período. O melhor representante desse tipo de pesquisa é, sem dúvida, o inglês Oliver Taplin, que publicou importantes obras sobre o assunto (1994; 2007).
    A abordagem das imagens teatrais tem-se feito, portanto, no sentido do conceito de testemunho ocular, tal como utilizado por Burke, para quem, elas, “assim como textos e testemunhos orais, constituem-se numa forma importante de evidência histórica, [pois] registram atos de testemunho ocular” (2004, p. 17). As imagens estão, assim, carregadas de forte caráter documental. Ainda segundo Burke, que o afirma a partir de uma ideia de Ernst Gombrich, o testemunho ocular remete à “regra que artistas em algumas culturas têm seguido, a partir dos antigos gregos, para representar o que, e somente o que, uma testemunha ocular poderia ter visto de um ponto específico num dado momento” (BURKE, 2004, p. 17-18).
    Além do caráter de evidência histórica, as imagens oferecem outras vantagens como objeto de estudo, entre elas, o fato de terem grande poder de síntese e de apresentação simultânea de variados dados num conjunto único, gerando vívido impacto na imaginação histórica. Em termos pedagógicos, isso se mostra extremamente interessante, pois uma mesma imagem pode se desdobrar em inúmeras análises. Assim, seja sob seu aspecto atrativo, documental, sintético ou estimulador da imaginação, as imagens se revelam como um recurso potente que deve ser levado em conta em abordagens da história do teatro na escola. (...)

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