Educação Infantil

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Arte Contemporânea e Educação Infantil

crianças observando, descobrindo e criando

Susana Rangel Vieira da Cunha e Rodrigo Saballa de Carvalho
ISBN: 978-85-7706-115-0
ed. 128 p.
A arte contemporânea pode ser uma das principais referências em propostas pedagógicas na Educação Infantil, tendo em vista sua concepção interrogativa, crítica, lúdica, convite para que os espectadores participem das obras em pensamentos ou em ações. As provocações da arte contemporânea sugerem uma pedagogia provocativa em arte, propiciando a oportunidade de as crianças expressarem o mundo de forma crítica, sensível, buscando suas próprias respostas sobre a vida por meio de produções artísticas singulares e contemporâneas. Metaforicamente, os textos aqui reunidos podem ser considerados bagagens que possibilitarão que você, leitor, reflita sobre a potência das artes visuais e da arte contemporânea no trabalho com as crianças a partir de uma docência investigativa e inventiva. Partindo de tal pressuposto, convidamos você a apreciar as  proposições presentes em cada um dos capítulos, tal como a multiplicidade de elementos que aparecem na imagem dos carrinhos na capa deste livro: reflexões teóricas, situações vividas e comentários das crianças que constituem um vigoroso diálogo travado com você durante toda a leitura. Lembramos, também, que os capítulos/bagagens podem ser ressignificados por cada educador de acordo com as suas necessidades e interesses, já que, a partir de sua prática pedagógica com as crianças nas escolas, surgirão outros elementos a compor seus próprios carrinhos. Portanto, prepare-se para essa leitura. Aventure-se! Desfrute de cada uma de nossas proposições e jamais esqueça que é você quem define o roteiro da viagem que se propõe a fazer. Às crianças a arte do seu próprio tempo!
Organizadores
  • Sumário
    Apresentação
     
    Sobre carrinhos, bagagens e viagens: diálogos entre

    artes plásticas, infância e pedagogia
    Susana Rangel Vieira da Cunha e Rodrigo Saballa de Carvalho
     
    Uma arte do nosso tempo para as crianças de hoje
    Susana Rangel Vieira da Cunha
    A arte do nosso tempo
    Arte clássica ou contemporânea na Educação Infantil?
    Criatividade e o novo da arte contemporânea
    É desenho? É pintura? O que é?
    Fitas adesivas, papel picado, sabão, brinquedo: materiais ou suportes?
    Temas e narrativas infantis
    Proposições
     
    Arte, infância, formação docente e cultura na escola
    Rosa Iavelberg
    Acreditando no potencial da criança
     
    A potência edu(vo)cativa das artes
    Lutiere Dalla Valle e Jéssica Maria Freisleben
    Infância e práticas pedagógicas
    Espaços expositivos e lugar de experimentação
    Experiências compartilhadas entre formação inicial e continuada
    Explorando a potência edu(vo)cativa das artes visuais
    Algumas considerações
     
    Visitando e criando a partir de uma exposição de arte contemporânea
    Maria Eduarda Rangel Vieira da Cunha
    Reconhecendo a memória
    A memória no trabalho de Rochele Zandavalli
    A memória no trabalho de Bispo do Rosário
    Materiais inusitados
    Reflexões posteriores
     
    Respingos, colagens, vozes, sensações
    Camila Bettim Borges
    Selecionando os materiais
    Do lugar: a escola é um espaço de arte contemporânea?
    Do modo: como desenvolver experiências em arte contemporânea?
    Da ação: apropriação da arte contemporânea na Educação Infantil
    Do ato: crianças em ação
    Do olhar que acolhe e respeita: afetos e sensibilidades
     
    As produções gráfico-plásticas das crianças
    Andressa Thaís Favero Bertasi e Rodrigo Saballa de Carvalho
    Pensando os traçados: escritas sobre o ato de desenhar
    Marcas visíveis: revelando os pensamentos das crianças
    Propostas de desenho: algumas sugestões
    O desenho: um universo de pensamentos
     
    Crianças, fotografias, derivas:
    Marcia Aparecida Gobbi
    Com os pés na rua: derivas, princípio de viagem
    Que as crianças fotografam, já sabemos, porém, o que e como elas
    fotografam?
    Atravessa logo menino, o farol vai fechar!
    Fotografar a cidade sem pressa de chegar
    Como as crianças fotografam a cidade se São Paulo?
    Câmera na mão, crianças, fotografias
    Olhar, ver, receber, guardar
    Dar, receber, retornar
     
    Criando com pedaços de papel
    Cayenne Ruschel da Silveira e Stéfani Vieira
    Arte contemporânea e propostas pedagógicas
    Pedaços de papel
    Conclusão: o que os papéis picados no ensinaram?
     
    A experiência dos bebês com a arte
    Silvia Pillotto e Carla Clauber
    Bebês, sujeitos de ação/interação
    Territórios de experiências e de sentidos: a arte habitando esse lugar da educação
    O professor: provocador de afeto?
    Percursos possíveis nas práticas educativas (sonoras, visuais e corporais)
     
    Referências e sugestões de leitura

     
     
  • Trecho
    Arte clássica ou contemporânea na Educação Infantil? 
    (Trecho do Capítulo 1 de autoria de Susana Rangel Vieira da Cunha)

    Diferentemente do que ocorreu em outros períodos históricos, a arte contemporânea não tem como característica um conjunto de artistas com afinidades formais, estéticas, temáticas. O que caracteriza a maioria dos artistas é a postura exploratória, contestatória e crítica dos grandes paradigmas da arte, entre eles, a dissolução das categorias clássicas como pintura, escultura, desenho e os padrões estéticos da beleza clássica. Também se nota, entre os artistas atuais, a valorização e documentação dos processos, as obras como propulsoras de questionamentos sociais, políticos, não encerrando mais verdades nelas próprias, mas abrindo possibilidades para que o espectador complete a obra com suas referências.  Segundo Canton (2013, p. 139), 
     
    sem ser impulsionada por um projeto sociopolítico específico e sem o respaldo de movimentos ou manifestos, a ação artística contemporânea se engaja em tentativas de restabelecer na arte uma conexão com o observador de forma a incitar nele algum tipo de postura diante do mundo e da vida.

    Outro aspecto relevante da arte contemporânea é que não há uma intenção do artista de narrar eventos ou expressar sentimentos individuais, mas provocar a criação de outros pensamentos e narrativas sobre o mundo, ou sobre o que esse poderia ser. O que pretendo alertar é que, se nossa compreensão sobre a arte é que ela “transmite mensagens”, “é uma produção expressiva do interior de cada um”, “reproduz alguma coisa externa ou interna”, “uma forma de expressar sentimentos, medos, incertezas para outros indivíduos”, “como algo bonito e agradável”, “deve ser bem feita”, nosso pensamento pedagógico estará subordinado às concepções de arte de outro tempo que não é o nosso, e as propostas pedagógicas, em consonância a esse pensamento, buscarão fazer com que crianças e jovens se aproximem e realizem trabalhos dentro de uma abordagem em arte distante das concepções da arte de hoje.
    No que se refere ao contexto da Educação Infantil, ainda há ações pedagógicas orientadas na perspectiva da arte clássica, em que crianças de três a quatro anos desenham em folhas brancas A4 (seria uma reprodução da tela branca) uma história (os feitos históricos retratados na arte), um passeio (a natureza), a família (a tradição do retrato familiar). 
    Mas por que sugerir “temáticas” se a arte de hoje não tem mais esta intenção? E por que tais temáticas? Será que as crianças pequenas não gostariam de apenas realizar experimentações nas superfícies, objetos e materiais? Apenas brincar, transformar e descobrir o que dá para fazer com um pincel quase seco ou com muita tinta? 
    Staccioli (2011, p. 22) comenta que a expressão gráfica das crianças é camaleônica e distante de temas predefinidos por adultos: 
    Uma criança que inicia um desenho pode ter um projeto, uma ideia inicial. Ao mesmo tempo, não se sente obrigada a ter que manter o ponto de partida inicial. Se durante a elaboração do desenho, um signo gráfico, uma cor, um estímulo externo, oferecem-lhe uma sugestão diferente, eles podem tornar-se um caminho a ser percorrido, uma pista a ser explorada, um itinerário para um novo prazer e uma “diversão”.

    Além das temáticas sugeridas, durante o processo do desenho, professores recomendam colorir dentro de linhas e aconselham crianças a não borrarem, rasgarem, amassarem, perfurarem a superfície. Ou seja, o suporte, a folha, deve ficar intacto e receber o desenho, entendido como um produto bem acabado, que deve portar uma mensagem inteligível para os outros. Nessa orientação pedagógica, os processos de descoberta matérica, espacial, formal, colorística na feitura do desenho são pouco valorizados e explorados. Pode-se dizer que, nesse tipo de ação pedagógica, há rastros de uma concepção de arte clássica em que o suporte fica intacto, distancia-se das demandas das crianças e do que se compreende por arte na atualidade.
    As demandas das crianças pequenas, de fato, são exploratórias: amassar, rasgar, furar, molhar, provar, roçar pelo corpo os materiais, ações comuns que devem ser incentivadas e nunca controladas. O que se  defende é que as crianças tenham a oportunidade de interagir, experimentar, criar, aprender com a arte de seu tempo e não apenas com a do passado. O pensamento visual, imaginativo, processual das crianças tem muitos pontos de contato com os modos de os artistas contemporâneos produzirem arte, entre eles: 

    – a exploração das materialidades durante a feitura; 
    – a exaltação de aspectos formais, colorísticos e espaciais em detrimento das proporções visíveis das formas; 
    – as simplificações formais em vez dos detalhes realistas; 
    – a incorporação de imagens, signos e logomarcas; 
    – a ressignificação de objetos, dando outro sentido a eles; 
    – a inventividade nos usos das ferramentas e suportes.

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