Inclusão e Educação Especial

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A escuta das diferenças

Carlos Skliar
ISBN: 978-85-7706-125-9
ed. 176 p.
Conforme as palavras de Carlos Skliar, não é nada fácil encontrar na literatura pedagógica destas épocas um espaço aberto para a multiplicidade de perguntas, dúvidas e perplexidades que a tarefa de educar invoca e provoca a cada momento. Eis que se afigura, na obra deste inquieto pensador, pesquisador e educador, um sensível espaço de reflexão sobre o ato de educar. Ato que envolve o tempo do educador de muitas maneiras: no traçado de um planejamento, nas pautas avaliativas, na extensão de um conteúdo, no alfabetizar, no encontro com a infância, a juventude, a adultez, no encontro com o outro... Todos esses assuntos (ou um só: uma educação digna?) compõem este livro: ensinar, avaliar, aprender, diferenças, ética, inclusão, surdez, alteridade, infâncias, ler, leitura, escrever, escrita...  Não, este não é um livro para ler, mas para escutar. Escutar os pensamentos que a escrita sensível do autor suscita em cada leitor. Escutar as diferentes perguntas que surgem sobre os encontros e desencontros com os outros a quem se diz educar. 
 
  • Sumário
    INTRODUÇÃO
    Palavras de abertura e notas sobre os textos
    Carlos Skliar
     
    EDUCAR
    Educar, ensinar, avaliar
    Educar, desconhecidos
    Educar, tomar partido
    Educar, tempo livre
    Educar, contra a ordem natural
    Educar, méritos
    Educar, igualdade
    Educar, época
    Educar, pensamento, crítico
    Educar, olhar
    Educar, universidade, experiência
    Educar, escolas
    Educar, o velho e o novo
    Educar, incluir
    Educar, saber e sabor
     
    APRENDER
     Aprender, fragilidade
    Aprender, avaliar
    Aprender, solidão
    Aprender, dar-se conta
    Aprender, poesia
    Aprender, distância
    Aprender, humilhar
    Aprender, mundo, vida
    Aprender, narrar

    DIFERENÇAS
    Diferenças, estar juntos
    Diferenças, diversidade
    Diferenças, inclusão?
    Diferenças, ética
    Diferenças, corpo, solidão
    Diferenças, pessoas surdas
    Diferenças, normalidade e anormalidade

    ALTERIDADE
    Alteridade, professor
    Alteridade, indivíduo
    Alteridade, educação
    Alteridade, existência
    Alteridade, reconhecimento
    Alteridade, qualqueridade
    Alteridade, cuidado
    Alteridade, conversa, diálogo
    Alteridade, voz
    Alteridade, normalidade
    Alteridade, justiça

    LER
    Ler, leitura
    Ler, escrever, ensinar
    Ler, velhice
    Ler, inutilidade
    Ler, enfermidade
    Ler, “aprendisagem”
    Ler, literatura
    Ler, gerações
    Ler, poesia
    Ler, gesto de dar
    Ler, tempo

    ESCREVER
    Escrever, passado
    Escrever, escrevendo
    Escrever, escrita
    Escrever, formas
    Escrever, domínio
    Escrever, ponta da língua
    Escrever, percepção
    Escrever, notas soltas
     
    INFÂNCIAS
     
    Infâncias, tempo
    Infâncias, morte
    Infâncias, velhice
    Infâncias, hipérbole
    Infâncias, solidão
    Infâncias, leitura
    Infâncias, educar
    Infâncias, patologização
    Infâncias, perda
    Infâncias, abandono
    Infâncias, regresso
    Infâncias, ressurreição
     
    8. Perceber, pensar e sentir a pedagogia das diferenças
    Com Fernando Bárcena
     
     
  • Trecho
    INTRODUÇÃO
    Palavras de abertura e notas sobre os textos
    Carlos Skliar


    Compus este livro como um exercício de escrita novo para mim: reunir de um modo diferente uma série de fragmentos de textos espalhados ao longo desses últimos anos que, a modo de um quebra-cabeça, viviam ou sobreviviam no interior de entrevistas, intervenções em fóruns de debate, roteiros de conferências, respostas a questionários de meios de comunicação, avaliações realizadas sobre dissertações de mestrado e teses de doutorado, comentários sobre artigos de outros autores escritos em redes sociais, anotações de conversas com grupos de trabalho, etc.
    A tarefa não foi pouca nem menor, pois entre todos os textos – algumas vezes conservados tenazmente e em outras reencontrados por acaso – tive de realizar um esforço rigoroso e, ao mesmo tempo, inventivo para reconhecer a existência de algo que possa ser considerado como um pensamento que pensa a educação e uma língua que conversa acerca dela sem menosprezar a estranheza ou o extravio que cause sua possível leitura.
    Com efeito, isso que chamamos de “pensamento” e de “língua educativa” é um problema em si mesmo e admite, no caso de ser necessário sublinhar, numerosas formas e modalidades de interpretação.
    O que tentei fazer aqui é buscar entre os textos – os que acreditava perdidos e, então, encontrei, aqueles sem elaborar e outros reelaborados – uma certa regularidade na minha linguagem escrita, sem ânimo algum para construir um “sistema” ou um “modelo” a seguir, e sim para o encontro de um tom, de uma atmosfera, um clima, essa pretensão austera de dar à educação um lugar peculiar dentro das relações e das experiências essenciais da vida.
    Não resta dúvida de que algo ocorre quando essa linguagem faz parte de uma biografia pessoal – a resposta narrativa a como me formei, como cheguei a ser quem sou ou creio ser ou posso ser, o que não pude ser – e quando essa mesma voz se desloca, quase sem desejar, em direção a um relato a respeito da formação de outros como desenho de um dispositivo.
    Dos gestos, dos rostos, dos assuntos, das ações, dos sons e dos silêncios com que recordamos certos momentos que nos “fazem”, pouco parece restar quando o registro se torna uma engrenagem desapaixonada.
    De fato, me interessa muitíssimo mostrar essa mudança de “voz” em vários planos diferentes: em uma língua que começa materna (pela infância, pela brincadeira, pelo canto, pela narração, pelas percepções, pela invenção, por seu ritmo e prosódia) e que se transforma, em seguida, em uma língua paterna (pelo padrão, pelas regras, pela gramática, pela lei, pelo poder); em uma língua que começa aberta ao tempo livre ou liberada do utilitarismo oportunista e que se força e torce, mais cedo ou mais tarde, como língua do trabalho, do esforço da tarefa, da mercadoria, do consumo; em uma língua, como já dito, que pronuncia a reconstrução de sua memória educativa em termos de gestos, atritos, vozes, rostos, textos e que, então, se projeta impune, quase sem corpo, como expressão acabada de uma autoridade imune submersa no planejamento e na avaliação – ou, se preferir: a mutação de uma linguagem desde um desejo de ensinar até uma linguagem infectada pela razão avaliadora. O trabalho de reescrita é, sabe-se, tão ou mais importante, tão ou mais difícil do que o da própria escrita: uma certa consciência assoma na busca do sentido, travestido muitas vezes de necessidade de coerência ou de estrutura. Não foi este o caso. Não modifiquei nenhum dos textos em prol de agradar a nenhum leitor conhecido ou desconhecido, contudo tentei deixar à mostra uma tendência à repetição – pois certa obsessão também pode ser considerada, segundo seu teor, como uma forma persistente da ética – e à diferença – o movimento sutil de uma palavra que adquire, então, um novo significado, uma inovadora forma de ser escutada, sentida e pensada. Deixo aos leitores, ao fim e ao cabo, a decisão da leitura, desejando que encontrem aqui uns esboços, uns fragmentos e algumas incertezas acerca daquilo que, há alguns anos, temos construído coletivamente sob o mote da “Escuta das diferenças”, uma multiplicidade de problemas, questões, dúvidas, modos de ver, de sentir e de pensar, que não têm outro propósito além de se mostrar como uma ética e uma estética de conversa educativa. Nada mais! Nada menos! (...)

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