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É proibido proibir?

Pais e educadores

Isabel Parolin
ISBN: 978-85-87063-81-6
ed. 96 p.
Com um texto de leitura agradável, Isabel Parolin contribui para a educação de crianças e jovens com autoridade e com afeto. Educadora conceituada no país, reúne neste livro algumas questões muito debatidas por pais e educadores no que se refere ao estabelecimento de limites. É proibido proibir?, indaga a autora. Suas respostas são ilustradas com interessantes relatos de situações que se referem a limites possíveis na educação de crianças bem pequenas, a atitudes dos adultos frente a obrigações escolares, a modismos juvenis, a questões como violência, sexualidade e relação família-escola.
  • Sumário
    Introdução: de uma psicopedagoga para pais e educadores

    O sim e o não na construção da pessoa

    Viver, um jogo com leis e “de regras”!

    Paieeeê!!! Onde você está?

    O que eu faço? Meu filho está mordendo!

    Meu filho usando batom?

    Papai Noel existe de verdade?

    Esse menino só quer brincar!

    Você tem pressa do quê?

    Alfabetizar, quando?

    Meu filho não quer aprender!

    Preste atenção, menino!
    Desobediência ou hiperatividade?


    Mãeeeê! Como se escreve casa?

    Mas eu não quero!

    Minha filha, você parece criança!

    Eu não tenho de que brincar!

    Pai/mãe, solta um dinheirinho?

    Ninguém manda em mim!
    Eu não aguento mais fazer as lições do meu filho!


    Foi isto que você aprendeu na escola?
    Não quero ir à escola, é chato!


    É proibido proibir? E se desligássemos a TV?

    A ditadura da liberdade total

    A família light: tudo pode

    Como assim, piercing?

    Faço tudo pelos meus filhos!

    Vou contar para o seu pai!

    Eu desisto! Vou entregar prá Deus!

    O que eu faço? Meu filho é diferente!

    Avó, mãe com açúcar?

    Aonde você vai, sozinho?

    Educação: um dever de todos nós!

    Referências

     
  • Trecho
    Introdução
    de uma psicopedagoga para pais e educadores
     
    (...) Na sociedade de modelo patriarcal, a autoridade dos pais era inquestionável. As fronteiras eram rígidas, e como consequência, as relações eram distanciadas. Pais e filhos se desconheciam como pessoas e construíam suas vidas distanciados um dos outros, ignorando sonhos, ideais, mitos, medos e fraquezas. O limite na sociedade patriarcal era visível e impossível de ser transposto a não ser com grandes movimentos e acontecimentos que, ao mesmo tempo em que abriam brechas para uma eventual proximidade, causavam escândalo e sofrimento. Comportamentos como engravidar na adolescência, bater o carro, drogar-se, estourar bombas em sala de aula eram como um grito, um pedido dos jovens para que fossem ouvidos, considerados e entendidos. 
    As crianças deviam obediência absoluta e cega a seus pais, e as questões da infância aconteciam nos quintais, distantes deles e, de preferência, que eles não descobrissem. Em sala de aula, os professores proferiam suas aulas e os alunos, em silêncio, lutavam para entender o mundo dos adultos, tão distante do seu. Como consequência, a relação entre professor e alunos era distante e fria, marcada pelo desconhecimento um do outro. Tudo que acontecia, considerado próprio da infância ou da adolescência, ficava à margem do mundo adulto, longe da sala de estar ou das salas de aulas.
    A geração que viveu distanciada de seus adultos jurou fazer algo diferente de seus pais e professores e, como reação à autoridade distanciada e sem lógica, construiu relações diametralmente opostas. Para negar as relações distanciadas do diálogo e do entendimento, acabou construindo fronteiras difusas, em que um fala em nome do outro, em que as responsabilidades se misturam, em que as crianças acabam se misturando com os adultos, e muitas vezes, infelizmente, decidindo por eles. As relações são emaranhadas, a autoridade fica desacreditada e acaba sendo exercida pelas crianças ou pelos adolescentes. Muitos pais e professores, ao reagirem à educação que tiveram, tentaram construir um modelo relacional ao qual não têm referência e, portanto, os confunde também. Os adultos têm dúvidas quanto a tomar determinadas atitudes, e as crianças e adolescentes não recebem os referenciais necessários para o adequado desenvolvimento emocional.
    Se a geração anterior pecou pelo excesso de autoridade, a geração atual peca pela falta dela. É tão danoso para o desenvolvimento da autonomia o excesso de autoridade quanto a sua falta. Se o autoritarismo desmedido tarda a construção da autonomia e da identidade, a falta de autoridade e de limites inviabiliza que a criança entre no mundo adulto, o mundo da razão. 
    A criança necessita estabelecer com seus pais, professores e outros adultos relações equilibradas, decorrentes de fronteiras nítidas. É fundamental que a criança receba os nãos que fazem parte da educação, para que ela possa qualificar, adequadamente, os seus sins, que representam seus ganhos. Quem tem tudo o que quer, sem querer verdadeiramente, não saberá valorizar, pois não conquistou, não se movimentou para realizar ou conquistar seu desejo. Em verdade, muitas vezes as crianças "querem" as coisas que seus pais podem comprar para terem? seus pais.
    Instrumentalizar uma criança para o exercício pleno de sua cidadania é, antes de tudo, localizá-la em seu contexto socioafetivo, e essa tarefa inicia-se em casa e é reelaborada pela escola e pelos outros seguimentos da sociedade.
    Educar é dar subsídios para que as crianças possam transpor limites, ou, ao contrário, que elas possam reconhecer o limite que não devem transpor. Aos pais e educadores é reservada a tarefa de dar o suporte emocional e cognitivo para que as crianças desenvolvam bases de raciocínio que lhes viabilizem o bom senso e o conhecimento adequado para a difícil tarefa de crescer e inserir-se no contexto social.
    O limite prepara a criança para o entendimento de que ela não é o centro do universo, que apesar de ela ser amada e respeitada, outras pessoas também o são. Ao mesmo tempo em que a criança percebe que ela é importantíssima para seus pais, parentes, professores e amigos, passa a reconhecer a importância e o lugar das outras pessoas.
    O professor Yves de La Taille afirma que há três tipos de limites, no entanto, apenas um é desejável sob o ponto de vista da formação de um sujeito crítico, adequado e socialmente bem instrumentalizado. O primeiro tipo é o limite decorrente da educação autoritária, em que a criança obedece por medo de ser punida, sem uma atividade reflexiva diante do fato, podendo vir a cometer a mesma falta muitas outras vezes. A obediência por intimidação não favorece a mudança do modo de pensar, apenas cerceia a ação. Eu não quero que você saia com esse menino e ponto final! A segunda forma de limites, igualmente indesejável, é a por ameaça da retirada do afeto. A criança obedece para não deixar seus pais tristes, para ela não seja feia, porém, igualmente não reorganiza o pensar. Ela não aprende a raciocinar diante de outro fato semelhante, e o que é pior, aprende que, a qualquer momento, pode perder o amor de seus pais ou o afeto de seus professores. Minha filha, por que você age dessa forma? A mãe fica tão triste com você! Você quer deixar a mãe triste? Então não faça mais isso! Apenas o limite elucidativo, o terceiro tipo, que é decorrente da clareza de comunicação e de raciocínio, educa para a construção da autonomia. Meu filho, se você continuar agindo dessa forma, seus amigos não vão te convidar mais para brincar!(...)

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